O Obama veio com discurso novo e rapidamente foi se tornando igual aos outros. E aqui, nas terras brasileiras, temos o desafi ode ser diferente, na campanha da Mari. Não diferente por ser diferente, que não somos tolos. Mas porque é preciso, pra questionar, pra criticar. Enfim, pra mudar tudo que está aí. E como o desafio é esse e como queremos votos, ficamos sempre tentados a dar o que o eleitor quer. É um desafio não ceder à tentação. Mas pra inspirar nessa empreitada, com a palavra, Agusto de Campos, falando sobre a tropicália. O que ele disse da arte, pode valer, mutatis mutandis, pra política:

“Há cronistas e compositores que pensam que o único dever do artista é bajular e badalar o gosto do público. São os defensores da música batizada de “gastronômica” por Umberto Eco: dar ao público o que ele já sabe e espera inconscientemente ver repetido. Respeitar o código para ser respeitado. Na verdade, essa é a melhor maneira de iludir o público e de desrespeitá-lo. Seria fácil a Caetano e Gil cultivarem essa espécie de “bom comportamento”, como fazem outros compositores muito “participantes”, mas que mal escondem a avidez pelo aplauso “ gastronômico”. Mas eles preferiram assumir o risco quase suicida
de desagradar para despertar a adormecida consciência de liberdade dos destinatários da sua mensagem. Talvez custem a ser compreendidos. Não importa. Como disse Fernando Pessoa, “o amanhã é dos loucos de hoje”.”