O Obama veio com discurso novo e rapidamente foi se tornando igual aos outros. E aqui, nas terras brasileiras, temos o desafi ode ser diferente, na campanha da Mari. Não diferente por ser diferente, que não somos tolos. Mas porque é preciso, pra questionar, pra criticar. Enfim, pra mudar tudo que está aí. E como o desafio é esse e como queremos votos, ficamos sempre tentados a dar o que o eleitor quer. É um desafio não ceder à tentação. Mas pra inspirar nessa empreitada, com a palavra, Agusto de Campos, falando sobre a tropicália. O que ele disse da arte, pode valer, mutatis mutandis, pra política:
“Há cronistas e compositores que pensam que o único dever do artista é bajular e badalar o gosto do público. São os defensores da música batizada de “gastronômica” por Umberto Eco: dar ao público o que ele já sabe e espera inconscientemente ver repetido. Respeitar o código para ser respeitado. Na verdade, essa é a melhor maneira de iludir o público e de desrespeitá-lo. Seria fácil a Caetano e Gil cultivarem essa espécie de “bom comportamento”, como fazem outros compositores muito “participantes”, mas que mal escondem a avidez pelo aplauso “ gastronômico”. Mas eles preferiram assumir o risco quase suicida
de desagradar para despertar a adormecida consciência de liberdade dos destinatários da sua mensagem. Talvez custem a ser compreendidos. Não importa. Como disse Fernando Pessoa, “o amanhã é dos loucos de hoje”.”
Setembro 1, 2008 at 5:10 pm
A inovação seria destinada a “despertar a adormecida consciência de liberdade dos destinatários da sua mensagem”.
Porém a questão é: existiriam destinatários com consciências de liberdades adormecidas em número suficiente para iniciar um estopim por mudanças?
Setembro 1, 2008 at 10:25 pm
Marcel, obviamente é impossível saber, a rigor, se existem ou não tantos sujeitos.
Mas, sendo de esquerda, imagino que partimos do pressuposto que toda pessoa é, pelo menos potencialmente, um sujeito capaz de ser crítico e criativo, isto é, sujeito no sentido forte da palavra.
De todo modo, eu insistiria num outro ponto: Essa frase do Haroldo de Campos não é excessivamente vanguardista? Eu penso que sim.
O ponto principal que eu quis destacar é que a inovação é essencialmente não compreendida, pois requer questionar justamente o código pré-estabelecido. Se for imediatamente compreendido pelos pessoas, então não é uma inovação propriamente dita.
E olhando para a história, parece de fato que houve muita inovação política, desde o catolicismo em Roma, até a Revolução Francesa na frança, bem como a Revolução Norte-Americana (especialmente a Guerra Civil).
Então, respondendo à sua pergunta, em tese há sim possibilidade de mudança, pois sempre houve na história e não há porque julgar que tenha havido uma transformação tão grande das pessoas a ponto de se ter mudado isso.
Aliás, diria até que o surgimento do Rock brasileiro, que ocorreu na esteira do Tropicalismo, é prova viva de que há muitos dispostos a mudar e “despertar” (palavra ruim essa, hein?). Se serão em número suficientes para mudar toda a sociedade? Bem, parece que é uma questão em aberto que só a luta real poderá determinar.
Outubro 1, 2008 at 3:44 pm
[...] é acessado em virtude de buscas pelo nome Mari Almeida, de quem já fiz alguns posts outras vezes (aqui e aqui), acho que é válido fazer um último post nessa reta final da campanha dela para vereadora [...]