Texto de celebração do meu casamento…

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Depois de deixar o Manoel carregando o blog nas costas por algum tempo, venho aqui retomar as atividades blogueiras.

Essa pausa foi devido ao meu casamento.. Bem justificado já! hehehe…

E para festejar a data resolvi publicar aqui o texto que foi escrito por mim, para ser lido e celebrado na cerimônia do meu casamento. Foi muito baseado no livro do André Gorz (Carta a D.), livro que me acompanhou por todo o processo do meu casório.

Segue o texto abaixo na integra:

********************************************

Boa noite Amigos!!!

A celebração de um casamento nos oferece uma oportunidade ímpar para celebrar o amor…

Ah o Amor… Imponderável objeto de estudos desde os primórdios da humanidade…

O Amor que da Grécia Antiga até os dias atuais passou por incontáveis tentativas para desvendá-lo (quase sempre fracassadas tentativas)…

Porém, não será nossa pretensão descrever qualquer tipo de ensaio acadêmico sobre o Amor… Queremos apenas tecer comentários sobre o assunto e aproveitar o evento para difundir o Amor como um tema a ser pensado e discutido por todos nós… Uma pequenina contribuição, uma mísera semente que possa germinar em cada um de vocês…

Não se acanhem, será tudo uma mera filosofia de botequim…

Mesmo porque, seguimos o que pensa Roberto Freire sobre estudos muito prolongados sobre o Amor:

“Quem começa a entender o amor, a explicá-lo, a qualificá-lo e quantificá-lo, já não está amando.”

Pois bem, iniciamos nossa incursão sobre o Amor na Grécia Antiga, mais precisamente com Platão…

Dentro do arcabouço filosófico grego de utilização da mitologia para interpretar o mundo, são empregadas as figuras de Deuses para representar sentimentos e virtudes. Ao contrário do que era de se imaginar, o Amor não é definido por Platão como um Deus, o Amor é definido como um gênio… Mas o que seria um Gênio na mitologia?

Gênios têm um importante papel nesse contexto apresentado, teriam eles a função de ser um elo de ligação entre os mortais e os Deuses, como na citação a seguir:

“(A função do gênio seria a) de interpretar e transmitir aos deuses o que vem dos homens, e aos homens o que vem dos deuses, de uns as súplicas e os sacrifícios, e dos outros as ordens e as recompensas pelos sacrifícios; e como está no meio de ambos ele os completa, de modo que o todo fica ligado todo ele a si mesmo.”

O Amor seria algo que conecta nós mortais aos Deuses, seria algo que nos aproxima do mundo das virtudes e do conhecimento. A ligação que o Amor propicia às pessoas seria algo que acaba as levando a esse mundo, não seria tão somente uma conexão entres os amantes, revela uma ligação a um plano maior.

É interessante relatar que essa conexão ampla que o Amor causa (exemplificada na mitologia do gênio) também pode ser localizada com outras roupagens, com outros autores e em outras épocas…

André Gorz, filósofo e sociólogo austríaco, chega a termos parecidos aos de Platão à sua maneira:

“ Tive muitas dificuldades com o amor (ao qual Sartre dedicou umas trinta páginas de O Ser e o Nada), pois é impossível explicar filosoficamente porque amamos e queremos ser amados por determinada pessoa, excluindo todas as outras.

Na época, não procurei resposta para tal questão na experiência que estava vivendo. Não descobri, como faço agora, qual era o alicerce do nosso amor. Nem que o fato de estar dolorosa e deliciosamente obcecado pela coincidência sempre prometida e evanescente do gosto que temos por nossos corpos – e quando digo corpo, não esqueço que “a alma é o corpo” tanto para Merleau-Ponty como para Sartre -, nos remete a experiências fundadoras cujas raízes estão mergulhadas na infância: na descoberta primeira, originária, das emoções que uma voz, um cheiro, uma cor de pele, um jeito de se mover e de ser, que serão para sempre a norma ideal, têm ressonância em mim. É isto: a paixão amorosa é um modo de entrar em ressonância com o outro, corpo e alma, e somente com ele ou ela. Estamos aquém e além da filosofia.”

A paixão amorosa descrita por Gorz, conecta os amantes, mas não somente isso, conecta os amantes a um mundo muito maior, tão maior que ultrapassam os limites da filosofia… O Amor descrito por Gorz é um meio de ligação entre os amantes e um outro mundo, um papel semelhante ao proposto por Platão, através da personificação do Amor em um gênio que nos conecta aos Deuses…

Propiciar a conexão com os deuses para Platão ou estar aquém e além da filosofia para Gorz são em essência o mesmo… Significa entender que amor é uma ligação entre os amantes mas abre as nossas mentes para outros entendimentos e nexos que ultrapassam a filosofia…

Portanto tudo isso nos leva a um ponto um pouco óbvio, respaldado para tal mas óbvio, podemos afirmar que só é possível entender o Amor, amando… Deixando esse gênio nos conectar com os deuses ou deixando o amor nos guiar para além da filosofia….

Machado de Assis sintetiza bem essa nossa conclusão:

“A melhor definição de amor não se compara ao beijo de moça enamorada.”

Porém há um outro ponto que queremos colocar..

Uma vez amando, como será a manutenção desse amor?

Como o amor entre o casal pode perdurar? Por quanto tempo?

Quando esse tipo de questão é colocada, quase sempre a discussão acaba fluindo para os terrenos explorados pelo filósofo francês Sartre.

Em termos de botequim, a filosofia sartreana sobre a relação amorosa tem como intuição fazer o indivíduo depender do outro na constituição do seu ser. Dessa interdependência surge o problema para a estabilidade dessa relação, pois é uma definição que deve ocorrer a partir de duas pessoas cujo comportamento é dinâmico, mutável… Como se definir sem antes o outro se definir? Como fazer desse comportamento uma ligação duradoura?

O amante busca possuir a pessoa amada como sujeito, dominando sua essência sem que nenhum dos dois perca a sua subjetividade. O equilíbrio desse relacionamento é movediço, pois só equilibra enquanto as pessoas não mudam (pois está baseado na sua subjetividade)… Isso torna o Amor instável…

Há uma proposição para que essa instabilidade seja amenizada, seria através de um pacto proposto por Dorine Gorz… Pacto esse que convence André Gorz a casar-se…

“Eu tinha objeções de princípio, ideológicas. Para mim o casamento era uma instituição burguesa; eu considerava que ele codificava juridicamente e socializava uma relação que, sendo de amor, ligava duas pessoas no que elas tinham de menos social [...] Eu dizia: “O que nos prova que, em dez ou vinte anos, nosso pacto para a vida inteira corresponderá ao desejo do que teremos nos tornado?”

A sua reposta era incontornável: “Se você se une a alguém para a vida inteira, os dois estão pondo em comum sua vida e deixarão de fazer o que divide ou contraria a união. A construção do casal é um projeto comum aos dois, e vocês nunca terminarão de confirmá-lo, de adaptá-lo e de reorientá-lo em função das situações que forem mudando. Nós seremos o que fizermos juntos”.

Dorinne propõe que parte do comportamento de cada um dos indivíduos do casal seja mantido imutável, pétreo, objetivado, principalmente aqueles que dividem e contrariem a união. Um núcleo sendo mantido imutável (tudo que contrariar a união), mesmo com as transformações de cada pessoa ao longo do tempo, essa relação manter-se-á… Manter-se-á como um processo, uma ação eterna, uma dinâmica constante mas sempre harmônica, isso porque o núcleo duro do processo jamais será desfeito, pois está pactuado…

E é esse o objetivo dessa cerimônia, é propor aos noivos aqui presentes a oficialização desse pacto…

Portanto, pergunto: vocês, ao fazer da construção do casal um projeto comum aos dois, concordam em colocarem em comum a sua vida e deixar de fazer tudo o que divide ou contraria a união? (resposta)

Prometem para sempre confirmar, adaptar e reorientar esse projeto comum às situações que forem mudando ao longo da vida inteira? (resposta)

Veja também o post com a leitura do texto e cerimônia do meu casamento:  aqui

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29 respostas para Texto de celebração do meu casamento…

  1. Sylvio C.V.Duque disse:

    Maravilhoso == 100ssacional == “Genro” esse teu lado poético eu desconhecia.

  2. Pingback: Mais uma vez o Amor… « Blog Pra falar de coisas

  3. Henio Leonel disse:

    Boa Noite!

    Irei fazer tipo um cerimonial de casamento!
    Mas naum sei o que falar!
    Podem me ajudar no que devo falar na abertura!
    Tenho que Seguir fazendo as apresentações das entradas,das damas,floristas,pais e padrinhos.
    Ex:Senhores convidados, estamos reunidos para….
    e por avaiii!

    me ajudem!

    ah é um casamento religioso (Evangelico)
    Obrigado!

  4. Olha,

    o texto do casamento do Marcel foi feito por ele mesmo e resultado de muita pesquisa da parte dela. E foi feito porque ele efetivamente queria pensar sobre o significado do casamento pra ele. Creio que se você investigar suas motivações genuínas para fazer esse cerimonial, acabará fazendo um texto legal. Nós realmente não temos como ajudar muito além disso.

  5. Muito boas as sugestões. Também tenho a minha sugestão:

    (COMENTARISTA)
    LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO!
    PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!
    CELEBRAÇÃO DO SACRAMENTO DO AMOR
    – O MATRIMÔNIO DE N. E N. –

    Irmãos e irmãs, bem-vindos a esta celebração do
    testemunho e da confirmação do amor!

    Amar é experimentar a plenitude do bem, misturada a um êxtase divino e humano.
    Amar é sentir que a terra e o céu formam um paraíso sem contradições.
    É acreditar que o sonho não é utopia distante, mas expressão da verdade concreta que geramos no ventre da esperança.
    O amor não tem barreiras: invade qualquer limite humano para se manifestar.

    Hoje, nossa paróquia está em festa porque celebramos o amor em forma de entrega, doação, ternura e graça.
    Testemunhamos e celebramos na fé, diante de Cristo, que é o próprio Amor, o matrimônio de N. e N.
    É Deus se manifestando de forma humana e concreta: amor-mistério que se revela, força que se rende, luz que reflete.

    Porque o amor se fundamenta, cresce e se realiza na família e numa comunidade de fé, que são apoio e certeza no amor destes noivos, recebamos entre nós auxiliares do altar, Testemunha Eclesiástica, Reverendíssimo Senhor Padre N., os noivos – N. e N. – seus familiares, amigos e visitantes.

    (Música)

    ENTRADAS SOLENES

    * Entrada solene dos padrinhos.
    (Os padrinhos entram alternadamente: os da noiva ficam em pé a partir do segundo banco do lado esquerdo; os do noivo, do lado direito).

    (Música)

    * Entrada solene do noivo, acompanhado de seus pais.
    (Eles vão até o primeiro degrau do presbitério e aguardam a entrada da noiva).

    (Música)

    * Entrada solene da noiva.
    (As floristas entram pausadamente, conforme ritmo da música, distribuindo pétalas de rosas pelo tapete até no meio da igreja aguardando os cumprimentos dos noivos e respectivas famílias, continuando até os primeiros bancos.)

    (A noiva entra à direita. No meio da igreja, encontra-se com o noivo e seus pais. Após os cumprimentos, seguem até o altar, acompanhados dos familiares. Os familiares do noivo ficam em pé no primeiro banco da direita; os da noiva colocam-se em pé no primeiro banco da esquerda. Os noivos são acolhidos pelo assistente eclesiástico, que os convida a se colocarem no presbitério).
    (Depois da acolhida do padre e da entrada dos noivos no presbitério)

    COM. Padre N., N e N, filhos de Deus e pertencentes à Igreja pelo batismo, confirmando o amor que os une, vêm pedir-lhe que, em nome de Deus, os abençoe.

    LITURGIA DA PALAVRA
    COM. Este é o momento em que o Pão da Palavra vem para nos nutrir e fundamentar nossas buscas.
    Na leitura, tirada do Livro do Gênesis, capítulo 2°, versículos 18 a 24, Deus deseja que o Homem e sua esposa usufruam de todo o bem e possuam Vida plena. A única condição e aceitarem o projeto divino de vida e fraternidade.

    COM. No Evangelho escrito por São Mateus, no capítulo 7°, versículos de 21 e 24 a 25, Jesus nos diz que construir a casa sobre a rocha é viver e agir de acordo com a justiça do Reino, apresentada no Sermão da Montanha. Quem quer construir uma família precisa se estruturar com a solidez que vem do Amor de Deus.
    Cantemos!

    ENTRADA SOLENE DAS ALIANÇAS

    COM. O amor desconhece os limites da expressão. É criativo por natureza. Deixa o coração arder como fogo e festa. Por isso, cria símbolos que vão além da capacidade da interpretação das palavras. As alianças que agora serão abençoadas traduzem e expressam para N. e N. o compromisso recíproco de fidelidade e ajuda mútua.

    (Música)

    (A porta-aliança e o pajem trazem as alianças, entregam ao Assistente Eclesiástico e ficam em pé ao lado dos pais da noiva).

    Obrigada pela oportunidade!!!

  6. Pingback: A cerimônia de celebração do meu casamento… « Blog Pra falar de coisas

  7. JAQUELINE JUCÁ disse:

    BOM DIA

    PRECISO URGENTEMENTE DE ROTEIRO PARA UM CASAMENTO CIVIL QUE SERÁ REALIZADO EM MINHA RESIDENCIA, QUE SERÁ AMANHA OS NOIVOS ENTRARAO JUNTOS,TERAO PADRINHOS E UM CASAL DE PAJEM

  8. Marcel K. disse:

    Jaqueline,
    Fui eu que escrevi o texto do meu casamento. Não sou um cerimolianista profissional nem nada. Só fiz esse texto e não tenho como ajudar muito mais do que isso.
    Obrigado pela visita.
    Abraços, Marcel

  9. SONILDA DOS SANTOS OLIVEIRA disse:

    GOSTEI DA RESPOSTA DE NUMERO 5

  10. muita obrigada pelo o seu carinho

  11. Miriam Bomfim disse:

    Preciso de um roteiro da entrada dos padrinhos e das damas momento da noiva
    enfim tudo…
    desde ja obrigado..

  12. Michella disse:

    Obrigada Carlita, sua sugestão foi maravilhosa pra mim. Bjos!

  13. Fernanda Rodrigues disse:

    Olá!
    Adorei as sugestões…
    Acabei de elaborar um roteiro bem simples para o meu casamento dia 27 de novembro.
    Obrigada!
    Bjos

  14. Patricia disse:

    Olá,
    Gostaria de agradecer pelo blog, pois me ajudou muito.
    No dia 04/12/2010, será realizado a união de meu irmão. Será um jantar em casa de meus pais, mas queria produzir um texto para a hora das alianças.
    Então juntando um pouco daqui e um pouco dali, a dica da Carlita foi sensacional, e mais o texto de vcs, me deram várias idéias, e assim que eu eu fizer o meu texto “personalizado” com a ajuda de todos vcs, peço a permissão para postá-lo aqui tb.
    Muito obrigada pela ajuda e inspiração.
    Abçs,
    Patricia.

  15. Gostei muito do texto,vou aproveitar para a realização de um matrimônio em nossa comunidade esta semana.Resumido e bem completo.Um grande abraço na paz\ do senhor Jesus.My comuniadade católica (Santissima Trindade)-Ouro Preto de Rondônia-Brasil.

  16. Pingback: Os números de 2010 | Blog Pra falar de coisas

  17. jordao ameida cruz disse:

    adooooooooooooorei

  18. carla daniele sousa disse:

    costeia das sujestois

  19. Leonardo Cavichiollo disse:

    vou usar essas ideias no dia 19/05/2012 no casamento de meus amigos ROSE E WLADIMIR
    mto obrigado pela ajuda!

  20. COMO É BOM COLABORAR COM VCS!!!

  21. Camila Caixeta disse:

    Olá, estou organizando as entradas do casamento de meu primo e não faço idéia do que escrever como comentário para as entradas, gostaria de uma ajuda. Desde já obrigada.

  22. clailton disse:

    eu preciso urgente de saber como se dirigi um casamento religioso

  23. CARMEN mirian da silva porto disse:

    como colocar os dizeres no convite do meu casamento se nossos pais são falecidos

  24. Elisangela disse:

    ola presiso urgente de um cerimonial para casamento evangelico pois não sei o que falar na entrada do porta biblia, florista porta botão noivo etc. ser pode me ajudar ficaria muito agradecida meu casamento e dia 24/11/2012.

    obrigada desde ja

  25. Marcel K. disse:

    Não tenho idéia de como seja o cerimonial em um casamento evangélico. Acho q vc deveria procurar informações na própria igreja.

  26. Marcel K. disse:

    As pessoas geralmente coloca “in memorian” ou em portuguÊs : “em lembrança”

  27. Pingback: Post mais vistos em 2012 e feliz ano novo | Blog Pra falar de coisas

  28. sirlei disse:

    Gostaria de um cometario para entrada das alianças, mas gostaria de salientar que minha filha vai fazer esta entrada.
    Grata

  29. Casamento disse:

    Adorei esse texto sobre casamento e amor, muito verdadeiro!

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