Traduções Equivocadas e bases de dados internacionais

No Amálgama, Daniel Lopes, critica algumas traduções supostamente equivocadas de textos sobre os judeus. Eu não entendo nada de tradução, então não vou dar pitaco na controvérsia.

Mas eu entendo um pouquinho sobre base de dados internacionais, especialmente as citadas pelo Daniel Lopes, Freedom House, Transparência Internacional e Banco Mundial, sobre repressão e corrupção em países.

A primeira coisa que precisa ser dita é que os dados da Freedom house não são confiáveis. Não é que estejam errados, mas como a metodologia é obscura, dependem de experts escolhidos sabe-se lá como e geram dados não replicáveis, não podem ser considerados como dados dentro dos padrões científicos. Você pode até usá-los e em alguns contextos não causará uitos problemas. Mas a melhor é não usá-los.

Em segundo lugar, dados de corrupção em perspectiva comparada são extremamente problemáticos porque baseados na percepção. às vezes percepção da população, às vezes percepção de empresas multinacionais ou elites políticas. Nesses casos, nem é uma amostra representativa nem se consegue eliminar o viés desses grupos. Quando há interesse político e ideologia (explícita) no meio, aí é que esses dados valem menos ainda.

Então, falar que Iran tem mais casos de corrupção e repressão do que o Egito com base nesses dados é, provavelmente, mais problemático do que a tradução errada que o Daniel Lopes tava criticando. Não quero aqui pegar no pé do Daniel Lopes, mas apenas dizer que é bom ter cautela no uso dessas bases de dados internacionais, pois muitas vezes a mensuração não mede o conceito suposto pelo analista. Esses dados, muito provavelmente, servem para ter uma idéia da ordem de grandeza dos fenômenos, de forma a distinguir países nos extremos da distribuição. Mas dificilmente permitem uma análise fina capaz de dizer que o Irã é mais corrupto que o Egito, ou pratica mais repressão.

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Sobre Manoel Galdino

Conrthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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