Nota: Taxa Selic em agosto de 2003 era de 22%. Atualmente a taxa é de 13%. Se a taxa de juros depende da Selic (não exclusivamente mas depende), por que o juro bancário aumenta tanto? Todos os demais fatores que influenciam no juro bancário são contrários?
Juro do cheque especial é o mais alto em cinco anos

(Jornal Destak, 26/08/2008)

Taxa do cheque especial, por exemplo, é a maior desde agosto de 2003, mas a participação dos empréstimos no PIB é histórica: 37%

Os juros dos empréstimos estão batendo recordes, mas isso não está tirando o apetite dos brasileiros pelas compras a prazo.
É o que mostram os dados do Banco Central, segundo os quais, os juros cobrados no cheque especial, por exemplo, estão no maior patamar desde agosto de 2003, chegando a 162,7% ao ano na medição feita em julho. No mesmo mês, segundo o BC, as operações de crédito no Brasil atingiram R$ 1,086 trilhão, o equivalente a 37% do Produto Interno Bruto (PIB) do país (R$ 2,7 trilhões). A porcentagem é a maior da história.

Segundo o BC, os juros colaram na alta da Selic, a taxa básica da economia brasileira. Ela começou 2008 em 11,25% ao ano e agora está em 13%.

O aumento da participação do crédito na economia reflete o aquecimento do mercado, a melhora na renda e o crescimento no número de parcelas no carnê. Para o BC, o crédito deve bater em 40% do PIB no fim deste ano.

Cheguei de Londres. Uma viagem muito boa. Excelente na verdade.         Mais  por motivos pessoais, mas os não-pessoais (existe isso?) também  foram legais. E pra não dizerem que não falei de flores (em relação aos bancos), uma elogio aos bancos brasileiros: Em londres, até onde vi, não é possível depositar (em dinheiro) nos caixas eletrônicos, sendo necessário enfrentar as filas da agência! Ponto pros bancos brasileiros, que oferecem esssa facilidade para nós!

Mas, como diz o título, se é uma no cravo, a outra é na ferradura. Infelizmente, a ferradura é muito pior que o cravo. Pois as taxas de juros dos Banco ingleses são, como mostram o anúncio da foto, muito mais baixas que as brasileiras. Um empréstimo num banco comum em Londres tem uma taxa anual de 7,9% de juros (APR ou Annual Percentage Rate). Detalhe: a APR inclui já as taxas envolvidas no empréstimo!

Ou seja, trocaria correndo uns minutinhos na fila pra depositar em dinheiro (pois em cheque dá pra depositar nos caixas eletrônicos) por uma taxa de juros anual de um dígito, incluido aí todas as taxas! Enquanto isso, os eficientes bancos brasileiros cobram taxas mensais (com juros compostos) maiores que as taxas anuais dos bancos londrinos!

E o famoso cheque especial? Bom, lá na inglaterra o termo é overdraft. Mas é basicamente a mesma coisa. E qual a taxa que eles cobram? Um pouco mais é verdade. No exemplo da foto (abaixo), assustadores 17,9% ao ano! Aqui é quase esse valor ao mês!

É, continuamos odiando bancos (em operação no Brasil especialmente)!

A notícia blogada é do começo do ano, quando o Brasil ainda não era considerado “investment grade” pela consultoria americana. Tornou-se em abril.

Reparem no segundo parágrafo, o comentário feito pelo diretor do Banco Santander sobre o fato do Governo ter aumentado a CSLL apenas sobre Bancos e não sobre as demais empresas.

Isso me lembra toques de recolher organizados pelas facções criminosas em favelas no Rio de Janeiro: “se não fecharem a porta, abrimos fogo!”. Os Bancos fazem o mesmo com um pouco mais de glamour, claro.

Santander diz que aumento de alíquotas “é ruim” para o setor bancário e para a economia do país

SÃO PAULO – Além de ser ruim para o setor financeiro, a decisão de elevar as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) é prejudicial também para a economia, diz o presidente do Santander, Gabriel Jaramillo, para quem a decisão elevará o custo do crédito.

Em nota oficial o dirigente acrescentou ainda que esse é o tipo de atitude que “gera temor” em investidores estrangeiros eleva o risco Brasil. “É uma alteração de regra típica de países que ainda não atingiram o tão desejado investment grade (grau de investimento)”, diz.

Na avaliação do executivo, além de “violar a eqüidade” na aplicação e na incidência dos impostos, a decisão vai elevar o custo do crédito “como um todo”. Ele lembra que a medida afeta justamente a oferta de crédito, que tem sido responsável pelo crescimento econômico do país nos últimos anos

Em relação à equidade, o Santander já contesta na justiça a alíquota diferenciada da CSLL entre bancos e as demais empresas, que vigorou durante alguns anos da década de 1990. O valor provisionado para tal contingência era de R$ 1,238 bilhão ao final de setembro deste ano.

Em sua nota, Jaramillo mencionou ainda outra decisão do governo contra o setor bancário anunciada em dezembro, que estabeleceu mudanças nas tarifas bancárias. “Primeiro foi a intervenção nas tarifas e agora este incremento na taxa impositiva de forma arbitrária, o que joga contra a facilitação do crédito.”

No último 6 de dezembro O Conselho Monetário Nacional (CMN) reduziu de 55 para 20 o número de tarifas básicas que podem ser cobradas pelos bancos de seus clientes pessoa física e estabeleceu que a partir de 30 de abril de 2008, as tarifas bancárias só poderão ser reajustadas a cada 180 dias.