Polarstern

No final de janeiro, fiz um post sobre geo-engenharia e comentei sobre um experimento à bordo do navio Polastern, aqui nos mares do Atlântico Sul.

O experimento consistia em estimular a produção de plânctos para absorver CO2 da atmosfera. Para tanto, os cientistas fertilizaram 300 km do oceano com ferro dissolvido.

Com base nesse site de ntícias alemão, trago os resultados preliminares. Como esperado, o ferro estimulou o crescimento dos plânctons, dobrando a biomassa deles nas duas primeiras semanas por meio da absorção de CO2 da água. Entretanto, a pressão da cadeia alimentar (a fertilização atraiu predadores) impediu um maior crescimento dos plânctons e, no fim das contas, a absorção de CO2 da atmosfera foi mínima.

Em experimentos anteriores de maior sucesso, os plânctos fertilizados tinha ma capacidade de fazerem espécies de conhcas que os protegiam de predadores. Porém, nos mares do sul inexistem as condições apropriadas para essa produção de “conchas”, segundo os pesquisadores.

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Como sempre, há quem acredite que a tecnologia irá nos salvar. E como nesse time também há cientistas, muitos estão estudando soluções tecnológicas para deter o aquecimento global.

Entre as idéias, há algumas que são verdadeiramente estúpidas – no máximo caberiam em filmes de ficção científica -, como colocar gigantescos espelhos no espaço para refletir a luz do sol e esfriar a terra! Outras estão sendo investigadas.

Uma delas estava sendo investigada a bordo de um navio alemão, o Polastern, na costa da Argentina, aqui no Atlântico Sul. A idéia era liberar 20 toneladas de sulfato de ferro numa área de 115 milhar quadradas.

Estudos anteriores tinham mostrado que o sulfato de ferro, liberado por vulcões em algumas regiões, estava associado a uma maior quantidade de planktons. E, como se sabe, os planktons são um dos maiores absorvedores de CO2 que temos. Assim, o objetivo do estudo era ver se a liberaçã o de sulfato de ferro pelo homem poderia estimular o surgimento de planktons que aborvessem o nosso CO2 em excesso.

O Estudo havia sindo embargado por causa de problemas ambientais, mas foi liberado essa semana. Eles vão analisar os resultados durante seis semanas.

Nesse meio tempo, um outro artigo (para assinantes) foi publicado na Nature sobre o mesmo assunto. O projeto Crozex realizou um estudo que observava um experimento natural, qual seja, lançamento de sulfato de ferro no mar periodicamente, na região das Ilhas Crozet, ao sul da África do Sul.

O estudo concluiu que de fato o lançamento do sulfato de ferro aumentou a geração de plankton e a quantidade de carbono retido. Porém, a quantidade de carbono sequestrado a 200 m de profundidade, ainda que 18 vezes maior que num experimento artificial como o do Polastern, é 77 vezes menor que o previamente estimado. E, não só isso, a 3.000 m de profundidade, onde o carbono ficaria seguro por vários séculos, o sequestro é 3% da quantidade a 200m.

Como relata o pod cast da nature e esses posts (aqui e aqui), é a pá de cal quase definitiva sobre a idéia de que um pouco de sulfato de ferro aqui e ali podiam permitir que poluíssemos o quanto quiséssemos. Faltam os resultados do experimento aqui na costa da Argentina. Esse sim deve ser a pá de cal definitiva. Mas era bom demais pra ser verdade!

Excelente post da Nature sobre o que aprendemos em 2008 sobre o aquecimento global. E também sobre o que ainda não sabemos.

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Não irei traduzir o post completo, pois é algo longo. Vou apenas fazer um bevíssimo resumo:

O que aprendemos:

1.  Outros gases do efeito estufa também são relevantes, além do CO2.

2.  O derretimento do gelo ártico no verão está ocorrendo muito rápido.

3. O aquecimento global já está causando impactos. O exemplo mais ilustrativo é do urso polar, considerado com  risco de extinção em virtude da mudança climática causada pelo homem.

4. O gráfico do taco de hockey (hockey stick), que dizia que a década de 90 tnha sido a mais quente dos últimos mil anos e que 98 fora o ano mais quente do período, está correto. Houve bastante controvérsia a respeito, mas agora parece que as conclusão eram essencialmente corretas.

O que não sabemos ainda:

1. A velocidade do aquecimento global e variação de curto prazo ainda são incertas. Há quem diga que pode haver esfriamento no curto prazo devido à variações naturais do clima, ainda que a tendência de longo prazo de aquecimento seja quase consenso.

2.  Onde estabilizar as emissões de CO2 . Como já postado anteriormente, há quem defenda que nós devemos estabilizar as emissões em 350 ppm (atualmente estamos por volta de 384 ppm na atmosfera). Mas há também quem defenda estabilizar em 550 ppm, devido aos custos econômicos e políticos de atingir uma meta mais arrojada (é a tese da “meta realista”).

3. Quem absorve o carbono emitido. Embora saibamos que os oceanos absorvam boa parte do CO2, é difícil dizer quanto se deve aos oceanos e às florestas, reflorestamento etc.  Em parte por dificuldades de medida de CO2, em parte por falta de entendimento teórico da questão.

4. Quão rápido o gelo da groenlândia está derretendo? Sabemos que se o gelo da groenlândia derreter completamente, os níveis do mar podem subir 7 metros. Porém, acreditava-se que isso se daria em milênios. Agora, já há quem fale em séculos e que em até 100 anos podemos observar elevação dos níveis do mar em cerca de 1 metro.

quadrinhos: Marc roberts

Leio no Blog do Jonathon Porrit, da comissão de mudança climática do Reino Unido, que é hora de apertar o botão pânico. Pra resumir a história:  como se sabe, o IPCC recomendou que as emissões e CO2 não ultrapassem 450 ppm (partes por milhão) na atmosfera, para garantir que o clima não subisse mais de 2 graus celcius e provocasse conseqüências mais graves. Pois bem, há uma crescente escola de pensamento que diz que mais realista é uma meta de 350 ppm. O problema é que atualmente já estamos com 384 ppm!!!

Eu estou próximo do desespero. As metas do Lula para emissões com desmatamento, que seriam boas e razoáveis 3, 4, 5 anos atrás, hoje são ridículas. Nós precisamos descarbonizar completamente nossa economia para ontem. Não bastam apenas os países desenvolvidos. Precisamos do mundo todo. Assim, quem sabe, nesse cenário possível mas totalmente improvável, a temperatura subiria, sei lá, 3 graus célcius!

Insisto em algo que já tinha falado. A crise financeira não é tão importante quanto a crise ambiental. É muito menos importante! É fichinha. Devíamos aproveitar a crise e acabar com a indústria automobilística e substituí-la, num esforço típico de época de guerra, por outra coisa mais sustentável (por exemplo painéis solares, energia éolica e algo assim).

Atualização: o site 350.org tem informações e campanhas para atingirmos a meta de 350 ppm. Temos ainda o que fazer. então, ao invés de só entrarmos em pânico, façamos!

Acabei de ler um artigo do Monbiot. Não tenho tempo pra traduzir, mas o gelo do ártico, que ia se derreter completamente no verão, e que só veríamos em 100 anos, provavelmente acontercerá nos próximos 3-7 anos.

Isso não significa que os mares vão subir mais de um metro. Porém, significa que nesse ritmo (mesmo num ritmo bem menor) as temperaturas vão subir mais de 2 graus celcius. E viram o que aconteceu em Santa Catarina? Bem, pode acontecer muito pior e com mais freqüência no mundo, ao mesmo tempo que secas maiores e mais severas em outros lugares. Isso é só um exemplo. É, um caos. Eu sei. Esse é o problema.

Ainda desconhecemos as conseqüências do aquecimento global. Mas é tempo de fazer mudanças radicais em nossas vidas. depois eu traduzo o artigo, quando tiver tempo.

Os relatórios do IPCC sobre o aquecimento global continham alguns cenários, desde o otimista até o mais pessimista. Pois bem, leio aqui que as emissões de CO2 no mundo ultrapassaram o pior cenário previsto pelo painel do IPCC. Isso mesmo. Não somente as emissões de poluentes estão aumentando, como estão bem acima do pior cenário projetado. Isso significa que as projeções e análises feitas precisam ser refeitas para termos uma idéia melhor do perigo real. O novo pior cenário, naturalmente, será muito pior do que o atual, o que significa que os perigos podem ser maiores do que pensávamos. É, não são boas notícias.

Saiu esses dias, na Folha de São Paulo, na página 3, artigo de um físico (clique aqui para lê-lo), prof. José Carlos Azevedo, doutor pelo MIT, descendo o cacete na tese do aquecimento global antropogênico (para mais sobre essa tese, clique aqui e aqui). Eu, que não sou doutor em nada, nem sou da área de climatologia e afins – relacionadas aos estudos do aquecimento global – queria discutir o artigo. Para tanto, vou buscar elementos nos pesquisadores da área tal como eles conseguem divulgar conhecimento científico especializado para o público leigo.

Há algumas teses no texto que merecem ser desmentidas. A primeira tese é que os que acreditam que o aquecimento global é causado pelos humanos sofre descrédito crescente.  Ele dá evidências anedóticas e virtualmente não verificáveis em apoio a tese. Triste para um cientista, mas é isso mesmo. Senão, vejamos:

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