Conhecimento e Prática

Angelus Novus de Paul Klee

Agir para conhecer ou conhecer par agir? Já se disse em algum lugar que Kant “inventou” a distinção entre teoria e prática. Mas não falemos de coisas complicadas, mas de coisas simples, como saber se é preciso pensar antes de agir.

Parece óbvio, ainda mais para um ser humano, que é preciso pensar antes de agir. Afinal, é a capacidade de raciocinar que nos distingue dos animais – aparentemente pelo menos – e é ela que nos permitiu contruir tantas coisas úteis a nossa vida. Quem poderia, portanto, discordar dessa asserção tão simples?

Porém, é também óbvio que não podemos conhecer tudo e se quiséssemos conhecer tudo antes de agir nunca agiríamos. Donde o que era simples se torna complicado, afinal, quando saber o momento de parar de tentar conhecer algo e começar agir, pois não dá para conhecer tudo?

Além disso, há uma diferença entre conhecimento técnico e não-técnico. Obviamente deve-se conhecer bem engenharia antes de tentar construir uma ponte. Do mesmo jeito que se deve conhecer bem a medicina antes de se tentar fazer uma cirurgia. Mas é besteira imaginar que se deve conhecer bem o amor antes de amar, ou então que se deve conhecer como viver antes de viver!

Então, se para dirgir um negócio há técnicas de administração que podem facilitá-lo, quem haverá de negar que na direção de um negócio há muitas coisas não-ensináveis, algo aliás ilustrado pelo sucesso de muitas e muitas empresas que desde o início do capitalismo tiveram muito sucesso sem planos de negócios e afins?

Em resumo, é uma ilusão da razão construtivista – como dizia Hayek – achar que a construção de uma sociedade ou qualquer outra ação política será feita mediante o conhecimento técnico que teoriza o agir. Claro que há a necessidade de alguma sorte de conhecimento – por exemplo, que imprimir moeda vai gerar inflação, não crescimento da riqueza. Ou saber que se você não falar com a pessoa que gosta, será difícil ser notado. Mas esperar conhecer como mudar a realidade seria o mesmo que esperar conhecer como amar e ser amado para amar. Deixem o amor para os que amam – e os poetas – e deixem a política para quem quer fazer política. O resto é ilusão e desculpa para a inação.

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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