As Frases do Frasista

Autodenominava-se um frasista. Quase um José Dias liberado das amarras sociais do agregarismo. Agregarismo que bem podia ser um termo novo cunhado pelo frasista. Não era propriamente uma frase – uma única palavra – mas delineia bem seu auto-epíteto frasista.

Uma que gostava não cunhada por ele era a do pudim, como dizia.  A prova do pudim é comê-lo, diz-se. Não sei até que ponto é uma filosofia da práxis ou da limitação do conhecer teórico – razão construtivista nos dizeres de Hayek- mas, desfilosofando, a prova do pudim é mesmo comê-lo.

Outra frase que gostava era na verdade um título de um artigo de Pauo Arantes sobre a interpretação heeliana do Kojeve – o mesmo Kojeve que serviu pro Fukuyama barbarizar Hegel e Marx e inventar o fim da história. “Um hegel errado, mas vivo” ou “vivo, mas errado”. Algo assim. Um crítico maldoso disse que o título era melhor que o artigo. Verdade ou não, adorou essa frase também. O título é melhor do que o artigo. O que no fim das contas é um elogio, porque a escolha do título é uma arte e nesse título há tanta coisa dita que mesmo se o artigo é mal-desenvolvido, a idéia é tão forte que o título a representa bem. Além do que, é provável que esse crítico tenha muitos artigos ruins sem nem um título bom. Donde se poderia dizer que o artigo é tão ruim quanto o título. Menos mal então pro Paulo Arantes.

Talvez por isso admirasse tanto José Dias, apesar de culpá-lo pelo ciúme de Bentinho. Foi ele quem falou em olhos de ressaca e foi ele quem contou sobre uns moiçolos que teriam pajeado Capitu, enquanto Bentinho ficava no seminário. Sonha em ir para a Europa o José dias, e por isso estragou aquele amor. Mas gostava dos superlativos do José Dias: “amabilíssimo”. Certamente concordaria em que José Dias era um frasista.

Morreu de frase, pode-se dizer do nosso amigo frasista. Disse uma frase a um sujeito ignorante, e tudo saiu errado. Faltou-lhe talvez lembrar de outro frasista, Guimarães Rosa. Tivesse lembrado, teria explicado que famigerado é famoso.

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Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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