Humanidade

Entrevista com o Fiúza, que perdeu o filho com 1 ano de idade e foi suspeito de tê-lo assassinado. Achei interessante por falar como o mundo que vivemos é louco.

FOLHA – Você se identificou com o Alexandre e a Anna quando eles foram considerados suspeitos?
GUILHERME FIUZA – Me identifiquei porque o que aconteceu foi que em meia hora eu estava preso, em casa, com policiais militares barrando a minha saída, e o advogado chegou e me disse que tinha uma série de depoimentos de vizinhos, síndico etc. dando conta de uma coisa completamente fantasiosa.

FOLHA – Como aconteceu?
FIUZA – Ele [Pedro] caiu da janela às 8h e morreu imediatamente. Estava no colo da minha ex-mulher, mãe dele, na varanda, ela tropeçou e ele caiu. Foi uma ocorrência infeliz e nós, enfim, tínhamos uma vida muito bacana, era o nosso primeiro filho… E, não mais do que em duas horas, havia uma versão de que nós brigávamos terrivelmente, de que tinha havido na noite anterior ruídos de porta batendo, gritaria… Coisa que surgiu da mente de vizinhos delirantes. O fato é que existiu uma versão que nos colocava como suspeitos. Você está no nível mais baixo a que alguém pode chegar. E nós estávamos na posição mais hostil possível, que era a de suspeitos.

FOLHA – Você viu seus ex-vizinhos depois?
FIUZA – Não. Me mandei de lá. Quando um filho seu morre, dessa maneira, tem um monte de coisas que você não faz. Você fica um tempo decidindo se vai viver ou se não vai.

FOLHA – O que mais o chocou no caso da Isabella?
FIUZA – Quando eu vi a mãe dela chegando na delegacia e quase sendo derrubada por jornalistas, que são meus colegas. Acho que as pessoas enlouqueceram ao tratar uma mãe que perde uma filha dessa maneira. Falo da combinação perigosa de vizinhos fofoqueiros, delegados precipitados e a imprensa ávida por notícia. Falta respeito. É possível que o Alexandre seja culpado. Agora, a gente não sabe. Pode ser que não seja.

FOLHA – Como a polícia deve agir?
FIUZA – Tem que haver o inquérito, mas, nessa situação, tem que ter um pouco de humanidade para ver que aquelas pessoas são inocentes até que prove o contrário. Você tem que procurar poupar essas pessoas, porque pode estar causando um dano irreversível a elas.

FOLHA – Por que falar sobre isso 18 anos depois?
FIUZA – Me sinto dirigindo o dedo a essas pessoas [delegado, vizinhos e imprensa], porque elas sabem o que fizeram.

FOLHA – Está apontando também para o delegado, os vizinhos e a imprensa no caso da Isabella?
FIUZA – Exatamente. Se você não tem respeito pela dor humana, você não tem nada.

FOLHA – Se você encontrasse os pais de Isabella, diria alguma coisa?
FIUZA – Acho que a única coisa que você pode nessas horas é “Eu também passei por isso”

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
Esse post foi publicado em Manoel Galdino e marcado , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s