O desafio de ser professor

Estava lendo o Blog do Marcelo Coelho e o seu post sobre ensino na escola. Lembrei dos meus tempos de colégio, em Maceió. E lembrei também dos meus tempos atuais, como professor universitário.

Quando estudava no colégio, e depois na faculdade, na USP, formei algumas certezas. Odiava – e ainda odeio – provas decorebas. Queria provas inteligentes. Como o Marcelo Coelho nota, não gostava de atitudes que premiavam a covardia, o elitismo, a dupliciddade de regras para os endinheirados e para os que eram apenas de classe média. Também sentia a dificuldade em levar a sério os estudos e o pouco incentivo recebido.

Como professor, achei desde o começo que seria razoavelmente fácil implementar essas certezas. Em geral eu sou bem otimista antes de começar empreitadas novas. É bom para ter coragem de inovar, acho. Mas, por outro lado, fico bastante impactado com as descobertas que faço. Me marcam muito.

Uma das coisas que me angustia, por exemplo, é a questão de não se restringir a modelos bitolados. O próprio Marcelo Coelho comentou sobre isso há alguns dias. Numartigo, lembrava de quando aprendeu sobre genética, e o fato de que lhe ensinavam que olhos negros eram dominantes e azuis recessivos. Mas e os verdes? O tipo de coisa que se deixa passar batido em sala de aula, segndo ele, pela prioridade em aprender o modelo, o básico do raciocínio (transmissão de caracteres via combinação genética).

Em geral concordaria, mas o problema que eu percebi é que os alunos, na média, têm muita dificuldade em entender o básico, o tal do modelo. E se você permite que alguma discussão mais complicada apareça, aqueles que não entenderam o básico apenas se confundem mais e não vão aprender o básico. Então, o professor acaba – ou eu acabo, pelo menos – privilegiando o modelo em vez do entendimento mais amplo. Com a esperança de que, se o modelo for de fato bem aprendido, o estudante interessado conseguirá, com algum esforço,  fazer as pontes que escolhi não fazer em aula.

É claro que não fico contente e fico sempre me questionando se a decisão correta é essa mesma. E muitos outros dilemas que aparecem constantemente. Não sei se há resposta para esses dilemas, nem se há estudos científicos que digam qual a melhor forma de tratar desses e outros dilemas. Gostaria de saber se há. Mas desconfio que só a maturidade poder dar… não uma resposta, mas como saber lidar com isso.

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Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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