Superlativíssimo

Já disse que sou um cara que adora superlativos. Em tempos de crise final apocalíptica, nada mais apropriado que um espírito superlativístico, superlativíssimo. Acho que o problema do mundo, hoje em dia, não é de falta de crises. É crise ambiental, financeira, da economia real, crise política, crise das instituições, crise moral. Falta é superlativos para tanta crise. Ou, pelo menos, falta quem os use, pois há tempos estão à espera, jogados num canto, de serem reabilitados.

Eu mesmo, ando ansiosíssimo para chegar domingo e pousar em Londres, essa cidade cosmopolitíssima mas que anda preocupadíssima com o terrorismo. Outro dia abordaram minha namorada. Ela tava na entrada da biblioteca, aonde vai todos os dias. Imagino o diálogo:

– Excuse-me

– Pois não?

– We are police officers fighting terrorism and we have just routine questions.

– Ah, que bom. Vão perguntar primeiro e atirar depois dessa vez?

– Your name, born date and your adress, please!

– Pois não seu guarda.

– Now, could you point in this paper your ethinic group?

– Ah, sou japa, mas brasileira legítima.

– Ah, are you from hawaii?

– Não, não havaiana, mas brasileira.

E eles foram embora. Quando ela me contou eu fiquei putíssimo e com vontade de matar todos os polícias ingleses. Essa estória de combater o terrorismo é pra inglês ver. Tenho certezíssima disso. Mas no fim não podia fazer nada e quando chegar lá só me restará gritar, em bom português: vocês inventaram o futebol, mas nós que somos penta, seus filho da putíssimas! E o Felipão é nosso!

Bom, mas como dizia, o problema do mundo são os superlativos. Os brasileiros deveríamos saber que superlativo é que nem saudade. Só existe no brasil. Na Inglaterra eles missam alguém. É como os dados nos meus bancos de dados: estão sempre missing. Então devíamos ter orgulho e falar mais superlativos.

Por isso que gosto do José Dias. Há quem o critique por representar o parasita que vive de favor e intrigas. O que é verdade, mas se esquecem que ele usava superlativos. Era um homem superlativíssimo. Sufientíssimo para absolvê-lo e absorvê-lo.

Fimníssimo

Anúncios

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
Esse post foi publicado em Arte e Cultura, Manoel Galdino e marcado , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para Superlativíssimo

  1. Psico disse:

    Desde que eu nasci, às portas da década perdida (quando ainda podia se referir a uma década perdida no singular), vivemos em crise – e sempre amedrontadíssimos pra evitar a próxima!

    Gostei.

  2. Andrea disse:

    Aproveite e leia a reportagem que saiu no Le Monde Diplomatique Brasil, edição de setembro, “Controle Social: câmeras de vigilância”. Aborda justamente essa neurose, informando que os britânicos são os mais vigiados, e que tudo isso não garante a diminuição da criminalidade, colocada como a razão para existirem tantas câmeras. Ainda, mostra quem são os mais abordados, em geral, negros, homens…

  3. Pingback: frases | Blog Pra falar de coisas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s