Dê livros no semáforo

O Marcel me disse que nunca tinha me visto chorar. Me surpreendi um pouco, pois choro fácil. Talvez sozinho. A Fernanda, amiga, disse que acha estranho expor a intimidade na internet num blog. Deve achar estranho eu falar de choro.

Mas é que eu fiquei com lágrimas nos olhos quando li essa reportagem. Uma pessoa resolveu dar livros quando pedem dinheiro pra ela no semáforo. E conta a experiência. É muito tocante.

221-retrato

Com relação à intimidade, obviamente gosto de tê-la preservada. Mas é que eu acho que a gente precisa mesmo se mostrar um pouquinho na hora de fazer uma intervenção no mundo. Se não estamos dispostos a compartilhar um pouco de nós mesmos com estranhos, acho que aí estamos perdidos. Todo estranho é um pouco de nós, pois também é humano.

Ah, a foto é de Rogério Albuquerque.

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Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
Esse post foi publicado em Arte e Cultura e marcado , , . Guardar link permanente.

4 respostas para Dê livros no semáforo

  1. Marcel K disse:

    Essa idéia de livros sempre me passou pela cabeça, mas fico na dúvida… Por um pequeno tempo resolvi distribuir pacotes de bolacha aos pequenos que me abordavam.
    Mas parei, essa matéria me revigorou a continuar com a iniciativa. Talvez deixe alguns livros no carro mas acho que ainda prefiro dar bolachas, o olhar de fome é matador.

  2. Marcel K disse:

    Quanto à questão de expor a intimidade pela internet via blog, eu não acho em nada estranho, principalmente pelo caráter desse blog (mais ou menos como colunas) sem fotos pessoais e nem nada, que tem um caráter digamos jornalistico.
    Se achar estranho compartilhar algumas intimidades via blog, seria da mesma forma estranho compartilhar intimidades e opiniões via colunas de jornal, revistas e até mesmo livro como fazem muitos colunistas e escritores.
    Difere-se apenas pela forma de divulgação dos pensamentos, que não tem a forma física de um papel.

  3. Manoel Galdino disse:

    Eu não acho estranho não. Tanto é que escrevo com você.
    E também vou experimentar doar uns livros. Até pouco tempo, quando vinha um menino me pedir dinheiro, eu perguntava em que série ele tava na escola. E aí fazia uma pergunta de matemática (7 x 3, quanto é?). Se ele acertasse, dava o dinheiro. A idéia era ele aprender que precisaria ir na escola.
    Mas ainda é um pouco perverso isso, pois menino não escolhe ir pra escola. são os pais.
    O livro é melhor.

  4. Humberto disse:

    é bom dar lápis, borracha, régua, cola, apontador, caderno, porque é material escolar, e se assumirmos que as familias tiram seus filhos da escola em parte pelo custo desse material, o presente dado vai representar um incentivo à escolaridade.

    O que nunca devemos dar é dinheiro, NUNCA. o troco no semáforo representa um incentivo à evasão escolar. Aumenta o custo de oportunidade de mandar um filho pra escola. E ainda incentiva os pais a tirarem o filho cada vez mais cedo da escola para ir pro semáforo. NUNCA dinheiro.

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