A Crise da USP

O Confronto dos manifestantes com a PM, que ocorreu na USP há pouco mais de uma semana deu ensejo paramuitos comentários da comunidade uspiana e fora dela. Mas o que realmente me irritou é que as mesmas pessoas que exaltaram a importância do diálogo, do uso da palavra e da razão, esqueçam de usar a ciência que estudam e ensinam e usem a ideologia para analisar o caso.

Primeiro, há a questão de saber quem começou o confronto. A Polícia disse que foram os estudantes, os estudante disseram que foi a polícia. E aí, as pessoas da direita acreditam na polícia e as pessoas da esquerda acreditam nos estudantes. É irritante isso, principalmente, porque ambos teriam incentivos para mentir. Portanto, o que eles izia mera puro babbling. Ou seja, a fala da polícia e dos manifestante não acrescentava nenhuma informação e acreditar em um ou outro era nada mais nada menos que sua opinião (ideologia) a priori. Então, o mínimo que se esperaria de cientistas adeptos da racionalidade é que fossem precavidos em tirar conclusões baseados em premissas pouco fundamentadas. Além disso, com o you tube, era óbvio que em algum momento teríamos acesso a vídeos que trariam alguma informação sobre quem começou o conflito. Pelo que vi dos vídeos, tudo indica que foi a polícia (não os estudantes) que começaram o confronto.

Outro aspecto da discussão que me chama a atenção é a incapacidade de entender: 1. porque temos tantas greves na USP; 2. porque temos pela segunda vez em 3 anos ocupação da reitoria; 3. porque temos agora a repressão da polícia.

Um dos problemas centrais da ciência política é explicar a ação coletiva. Desde o livro clássico de Olson, sabemos que a ação coletiva é difícil. Portanto, ver afirmação de cientistas políticos de que a baixa participação nas greve, nas assembléias e nas manifestaçãoindica de que as pessoas não concordam com as ações é simplesmente ridículo. Porque não indicar que o problema da ação coletiva entre os esutdantes é alto? Afianl, o próprio fato dos supostos incomodados (se a maioria não concorda) não conseguri fazer nada não é um indicativo de que a ação coletiva é difícil?

Chegamos então ao ponto de entender porque temos tantas greves na USP. A verdade é que a USP é uma insituição muito hierarquizada, com muito poder concentrado nas mãos dos professores titulares.  As demandas estudantis e de funcionários (independentemente se corretas ou não) não serão atendidas em geral se elas não tiverem alinhadas com os interesses de quem manda na universidade: os professores, em especial os titulares. Sobra a eles então manifestações por fora da insitucionalidade como forma de tentar ver suas demandas atendidas (parcialmente pelo menos).

Ora, mas a ação coletibva é difícil. Segundo os estudos do assunto, uma questão importante é a sinalização dos manifestantes para os demais membros de uma coletividade que compartilham objetivos (bens públicos) comuns. Quanto mais forte uma manifestação, mais informação é passada de que: 1. dessa vez pode valer a pena se engajar na luta, pois a força é maior e; 2: se muitos estão protestando é um sinal de que a causa deve ser coerreta ou pelo menos aumenta a probabilidade dela ser correta. Mas se isso é verdade, todos os líderes têm incentivos para aumentar suas manifestações como forma de passar esses dois sinais, sejam suas causas justas ou não. Daí porque temos greve ano sim, ano não, e após a ocupação da reitoria, ocupação de novo, pois isso “fortalece o movimento”. Vejam que não é coisa de radical, baderneiro, quem é contra o diálogo etc. Trata-se simplesmente de atores racionais respondendo aos incntivos das instituições uspianas atuais.

Do mesmo modo, a reitoria, sabendo disso tanto quanto eu (ela e eu somos racionais), decidiu enviar a polícia como forma de reprimir os manifestantes e aumentar o custo para eles, tanto de ocupar a reitoria, como de protestar na USP. Tendo sucesso, diminui a força da ação coletiva e, portanto, a força das demandas dos manifestantes.

Em resumo, como as insituições da USP não processam os conflitos dentor das insituições, tanto a reitoria como os estudantes e funcionários apelam, racionalmente, para os instrumentos que têm à mão.

E como resolver o problema: Ou se mudam as preferências dos agentes (alinhando os interesses de professores titulares com as demais categorias) ou se mudam as insituições. Usualmente, um cientista político falaria para se mudar as insituições. Talvez por ideologia ou por interesses corporativistas, não é o que vemos da parte dos professores (titualres especialmente) em geral.

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Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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Uma resposta para A Crise da USP

  1. Neli Lima Pereira disse:

    PODEMOS TRAZER ESSA TEORIA PARA OUTRAS CRISES/GREVES? vC SABE, TEM ALGUMAS GREVES QUE SÃO FORTES, NÃO HÁ DIÁLOGO, MAS HÁ O USO DA FORÇA, COM A POLICIA. E AÍ, PODEMOS POR ANALOGIA, TRAZER A IDÉIA PARA OUTRAS SITUAÇÕES SIMILARES?

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