Estória Urbana

Gostei da história (real) que li aqui. Segue minha estória dos fatos. Se fosse o Oscar, iria pra categoria roteiro adaptado, hehe.

Dixie entrou no metrô para mais um dia de trabalho. Igual a todos os outros de sua vida. Olhou então para um rapaz que lia um livro “História da filosofia, vol. IX”. Imediatamente aquilo chamou sua atenção, pois não era qualquer um que lia filosofia nos dias de hoje.

Silenciosamente ela torceu para que ele olhasse para ela do mesmo modo que ela o fazia. Porém, ele estava concentrado em sua leitura e não percebeu que alguém o admirava.

Então, Dixie finalmente criou coragem, sentou ao seu lado e perguntou, de supetão, se ele havia lido os oito volumes anteriores, e se eram tão extensos quanto àquele. Fez essa pergunta tão espontaneamente que parecia uma criança curiosa. Aquilo agradou a Jeffrey, mas ela não sabia disso.

Soube apenas que percebeu o inusitado da coisa, a sem cerimônia com que interrompera a leitura dele e o rubor nas faces dela, que ela não viu, mas sentiu.

Envergonhada, esboçou levantar-se ao mesmo tempo em que se recriminava mentalmente pela besteira que fizera. Porém, Jeffrey sorriu e disse que havia lido a maior parte dos outros volumes, mas não tudo.

Não sabia como, mas sua interrupação produziraa um efeito diverso do esperado e, tão surpresa estava, que não conseguia falar nada. Aquilo apenas a enervou mais ainda, pois queria realmente conversar com aquele estranho que lia livros de filosofia. Queria falar que ela também gostava de filosofia, que ela relfetia sobre a vida que vivia e não aceitava as coisas pelo valor de face delas. Mas não conseguiu falar nada disso. Apenas olhava para ele, enquanto ele a fitava também. Ambos tinham um leve sorriso no rosto, quase tímido.

E Dixie ficou sem saber se o silêncio era constrangedor ou se palavras quebrariam aquela atmosfera mágica em que se encontravam. Enquanto pensava nisso,  sua estação chegou.

Dividida entre conversar – ou apenas olhar – com ele e ir para o trabalho, escolheu a última opção. Porém, teve a feliz idéia de dizer:

– Tenho que ir. Mas se você tiver algum livro pra me indicar, me avise. E disse seu e-mail enquanto a porta fechava e foi-se embora.

À noite, Jefrrey googou por aquela estranha, de nome Dixie, que interrompera sua leitura de tão docemente. Decobriu que ela tinha pássaros e enviou um e-mail, contando-lhe seus livros favoritos.

Em 29 de março eles se casaram. E é o que precisamos saber.

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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