Democracia Líquida

Nunca tinha ouvido falar da democracia líquida, até o momento. O nome não me agradou, pois faz referência aos tais “amores líquidos” e outras pós-modernidades que tem por aí.

Para os que querem saber uma poucos mais antes de clicar no link, eis um trecho do Blog onde vi o termo pela primeira vez:

“Como na democracia direta, a pergunta pode ser respondida por todo mundo mas, no caso da Democracia Líquida, a resposta pode ser “eu voto o que o fulano votar”. Cada pessoa pode escolher “assessores” para determinados assuntos, como os deputados fazem hoje.

Por exemplo, você não sabe nada sobre a matriz energética do Brasil e suas necessidades, mas tem um amigo engenheiro elétrico que sabe muito disso e que tem opiniões parecidas com as suas, então ele vira seu “assessor” em matérias de Energia: a não ser que você vote diretamente, o voto dele passa a valer um a mais. Ele, em determinadas questões, pode não estar completamente seguro sobre o assunto específico: ele é engenheiro elétrico, estão votando exploração do petróleo. Mas ele conhece um geólogo que entende e tem os mesmos valores que ele, então delega seu voto. O voto do geólogo passa a valer dois a mais (o seu e o do engenheiro elétrico).

Nos assuntos que te interessam mais e sobre os quais você entende melhor, você vota diretamente.

Se você simplesmente não se interessa por nada e não quer gastar seu tempo com isso, é só delegar tudo. Fica igual a nós todos hoje, com alguém votando tudo por nós sem nossa intervenção, com a exceção que, neste caso, quem vai votar por você serão pessoas que você conhece e com quem pode conversar pessoalmente se precisar, e você não precisa esperar 4 anos se quiser trocá-las.”

Agora você deve tá esperando meu comentário (possivelmente crítico), já que eu sou um cientista político! Acontece que teoria de democracia não é exatamente minha área. Vou pensar no assunto um pouco e faço um comentário mais detalhado depois.

Lembro apenas que todos os sistemas de agregação de preferências ou de escolha de alternativas, são imperfeitos em pelo menos dois sentidos:

1. Sempre é possível que alguém fique melhor não apresentando suas verdadeiras preferências (o famoso voto útil)  (teorema Gibbard-Satterthwaite)

2. Uma questao fundamental na democracia é quem escolhe a agenda, tanto do ponto de vista da distribuição de poder, omo também para que o sistema seja eficiente, isto é, que as decisões vencedoras sejam estáveis ao longo do tempo.

3. Segundo esse texto, a democracia líquida usaria o método do approval votting. Me agrada o método do approval votting, pois de fato me parece melhor que os atuais (como o do Brasil, que tem segundo turno).

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
Esse post foi publicado em Política e Economia e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Democracia Líquida

  1. Helder disse:

    Legal o esquema de approval voting. Não sabia dele antes. A proposta original era de usar democracia líquida no legislativo, o que não comportaria múltiplas escolhas (até onde eu sei, as votações são sim/não/abstenção/ausência). A idéia de usá-lo para eleições do executivo (com múltiplas escolhas) é realmente muito boa! Vou manter isso em mente pra tentar deixar o sistema mais genérico, de modo que o mecanismo de DL possa ser usado para outras coisas.

    Estou ansioso pela sua crítica🙂

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