Quem é um bom líder?

Enquanto eu não pago minha promessa de fazer os posts sobre o socialismo, comento sobre um artigo que li bem interessante: o que faz de alguém um bom líder? Há pencas de livros de auto-ajuda por aí, cheio de caso plausíveis ilustrando teorias. Mas nada como a boa e velha ciência experimental para iluminar um tema tão propenso à abrobinha.

No artigo, Gachter et. al. argumentam que o exemplo do líder é importante para os seguidores tomarem suas deciões quando há incentivo para serem caronas (ou free-rider em inglês). Porém, o líder pode dar o exemplo porque é altruísta (cooperativo) ou porque, mesmo sendo egoísta, calcula que é melhor dar um bom exemplo e estimular os outros a seguirem seu comprotamento pois acredita que os outros irão segui-lo. Ou seja, é um otimista. Assim, o artigo de Gachter et. al. tenta justamente detectar o que é mais eficiente: um líder otimista ou altruísta.

Além dos achados curiosos (líderes que estudam economia contribuem menos que líderes não-economistas), eles mostram que líderes mais “maquiavélicos”, isto é, com uma visão mais cínica e oportunista do mundo, contribuem menos, e que como os indivíduos se auto classificam quanto ao desejo de tomar risco não é relevante para quanto vai contribuit como líder. Por fim, líderes mais cooperativos levam seguidores e contribuírem mais, indicando a importância do grau de cooperação do líder.

Após esse achaso, os autores buscam determinar se os líderes mais cooperativos são assim por altruísmo ou por otimismo. Os autores estão preocupados com o que se chama de “efeito do falso consenso”, isto é, quando alguém acha (erradamente) que o seu próprio comportamento é o comportamento mais comum para os demais.

O que eles mostram, primeiramente, é que as pessoas tendem a achar que os demais vão se comportamr como eles mesmo, isto é, há o efeito do falso consesno. Líderes não-cooperativos acham que os outros são não-cooperativos e assim por diante. Porém, mesmo se controlado pelo grau de otimismo, líderes mais cooperativos contribuem mais, indicando que há um grau de altruísmo/egoísmo na determinação da decisão de quanto o líder deve contribuir.

Assim, como o grau de cooperação do líder é importante para influenciar os seguidores, o estudo indica que líderes altruístas e (erradamente) otimistas levam os seguidores a contribuírem mais. Assim, se você é um seguidor, mais vale um líder otimista do que um líder pessimista!

O artigo não discute, porém, quando o excesso de otimismo acumula no tempo e leva os seguidores a acabarem perdendo. Por exemplo, um bom líder pode ser útil numa guerra, pois vai aumentar o número de voluntários a guerrearem. Porém, se o otimismo dele estiver presente não só sobre o comportamento dos outros, mas também sobre as chances da guerra, ele pode produzir resultados mais desastrosos para os seguidores. Para mim, pelo menos, essa é por exemplo a discussão sobre a política econômica em tempos de crisies recomendada pelo Keynes: seja um líder otimista, para os seguidores (empresários) investirem. Porém, se os empresários investirem e isso os levar à ruína, o otimismo pode ser danoso. Esse, parece-me, foi e é a discussão sobre a política econômica do governo Geisel no Brasil.

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
Esse post foi publicado em ciência, Política e Economia e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

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