Nulo ou Marina Silva?

Li a entrevista do Eduardo Giannetti, novo apoioador da candidatura Marina.

Em que pese minhas discordâncias ideológicas com o Giannetti, ele falou uma coisa que achei um trmendo avanço:
“[o] Brasil não precisa ser uma cópia imperfeita do padrão americano, precisa encontrar qual é a sua identidade, o seu caminho, incorporando do mundo ocidental tudo de maravilhoso que ele tem para nos oferecer, mas também não entrando nas armadilhas e nos limites que esse padrão ocidental mostrou, que são basicamente dois: ele não é sustentável, ambiente, não é generalizável, universalizável, e depois ele promete uma felicidade que ele nunca consegue entregar, nunca materializa. Essa promessa de que o consumo e a afluência material vão resolver o problema do bem-estar e da felicidade humana era uma promessa iluminista que o tempo mostrou que não se completa. Além disso, tem um tremendo limite material de destruição das condições biológicas da vida, do sistema biológico dentro do qual a natureza existe”

Ao que me parece, tanto a Dilma quanto o Serra nunca vão assumir esse discurso. Eles são presos ao passado nesse aspecto.

Infelizmente, não se questionou na entrevista aspectos importantes para a esquerda, como o aborto, criacionismo x evolucionismo, entre outras matérias. Mas a questão central, ao meu ver, para decidir entre votar na Marina ou não, a julgar pelo que se está desenhando passa por dois aspectos
1: A crise climática é o principal desafio dos próximos anos?
2: Reseolveremos isso quando incluirmos no preço das coisas o custo ambiental (uma solução de mercado)?

Uma resposta afirmativa às duas questões levará naturalmente a se apoia a candidatura Marina, ainda que se discorde de todo o resto. O problema é quando se responde afirmativamente à primeira questão, mas não à segunda. Aí, além das discordâncias de como resolver o problema, vão se somar o descontentamento com discordâncias em outras searas, desde política econômica até políticas sociais na área de saúde (aborto) e educação (criacionismo e papel da religião).

Por fim, um rápido comentário sobre o Giannetti. Ele é um cara inteligente e bem formado, mas creio que ele não entende de muita coisa sobre a qual ele fala. Ele não é especialista em Macroeconomia e duvido que estude a fundo os avanços científicos da economia na área de macroeconomia e em economia do desenvolvimento (seé que há algum). Ele fala de capital humano por ideologia, não por conhecimento baseado em teoria e (principalmente) empiria. E isso é algo que não me agrada.

Outro dia vi um debate na globo news que ilustra esse aspecto. Ele (Giannetti) defendia que tinha que descentralizar politicamente, pois isso seria mais eficiente. Mas a professora Maria Hemínia contra-argumentou que não havia evidências empíricas desse argumento. E ele não contestou. Ou seja, falou por ideologia, não por conhecimento de causa. E isso pode ser prejudicial ao país.

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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Uma resposta para Nulo ou Marina Silva?

  1. Radimir disse:

    Devemos começar a despoluir logo o Brasil, reduzir as emissões e aguadar as temperaturas voltarem lentamente ao normal.
    Para isso devemos ter um candidato que entenda de meio ambiente tanto quanto um Donald Trump entenda de mercados…

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