Qual o significado da reforma de saúde dos EUA?

Diante das notícias de que a reforma de saúde proposta por Obama foi aprovada pelo congresso americano, muitos devem estar se perguntando: porque isso é tão importante? Qual o significado dessa aprovação.

Em primeiro lugar, eu diria que para um brasileiro a proposta aprovada tem pequeno impacto. O SUS não é um ponto de discordância na disputa eleitoral brasileira e, portanto, a aprovação deve ter pouco ou nenhum impacto simbólico aqui.

Outro possível impacto, sobre os imigrantes ilegais – alguns deles brasileiros -, também é pequeno, já que ficaram de fora da reforma e, portanto, não terão cobertura de saúde garantida.

Assim, impactos mais diretos são pouco ou nenhum. Impactos indiretos podem vir na medida em que o Obama pode se concentrar agora em tentar aprovar outras reformas, como a ambiental.

O que nos traz a outro ponto: qual o futuro do Obama. Não é fácil diminuir a importância da legislação aprovada, já que o último presidente democrata (Clinton) fracassou justamente em aprovar uma reforma de saúde. Muitos estão comparando essa mudança no sistema de bem-estar social americano aos civil rights dos anos 60 e as políticas de Roosevelt. Eu reconheço que não tenho condições de fazer essa avaliação, mas com certeza é uma peça importante para o futuro dos EUA.

Mas, independentemente da avaliação do grau de radicalidade da reforma de saúde, uma coisa deve ficar clara: todos os prognósticos são de que os democratas vão perder cadeiras legislativas nas eleições de novembro. Assim, quando novembro chegar e Obama vir seu partido sofrer uma derrota legislativa (que pode até acabar com a maioria democrata) muitos jornalistas irão se perguntar como um Obama vitorioso na reforma de saúde pode ter sido derrotado nas eleições legislativas.

A resposta é (praticamente) uma só: a popularidade do presidente é função do desempenho da economia. E, claro, o desempenho da economia também influencia no desempenho dos legisladores do partido no poder.

Em resumo, eu diria que a reforma de saúde deve ser saudada pela esquerda progressista do mundo na medida em que reduz as injustiças daquele país. Mas isso não deve alterar o fato de que Obama ainda corre risco de perder a maioria legislativa e, portanto, atrapalhar a aprovação de reformas mais importantes para o resto do mundo, como a mudança ambiental. Ou seja, bom para eles, mas não parece mudar muito para nosotros.

ps.: Há quem defenda que a aprovação da reforma pode prejudicar o desempenho dos democratas em novembro. Assim, a reforma poderia na verdade aumentar as chances dos republicanos virarem maioria e emperrar a aprovação da legislação ambiental. Eu não acredito muito nisso, mas é difícil ter certeza nesse aspecto.

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
Esse post foi publicado em Política e Economia e marcado , , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s