Direitos Humanos em Cuba

Seguindo tendência recente de aumentar a audiência citando blogs mais famosos tendo lido bastante sobre esse negócio dos direitos humanos em Cuba, a posição do Lula lá em Cuba, resolvi dar uns pitacos. Mas é pitaco mesmo, não é coisa de especialista ,apesar do objeto de meu mestrado ser na área de Relações Internacionais e o Doutorado (ainda em curso) também. Eu entendo muito pouco de política externa.

Mas voltemos ao assunto do post. Uma discussão começou após um texto do Idelber na revista fórum, que foi repercutido pelo NPTO, e depois em outros lugares (aqui, aqui e aqui). A questão básica, parece-me, gira em torno de dois pontos:

1. Os que criticam os direitos humanos em Cuba e cobram atitudes do presidente Lula são hipócritas, porque fazem críticas seletivas (ninguém critica a China, Arábia Saudita etc.)

2. A política externa deve ser guiada por interesses e não por princípios morais. Então, seria tolice esperar que Estados agissem de acordo com princípios morais.

Sobre esses pontos, tenho o seguinte a dizer:

1, Não é à toa ou por mera seletividade hipócrita que se exige dos esquerdistas e de Lula nesse caso em particular a crítica ao regime cubano e às violações de direitos humanos. Há, além da questão ideológica, polarização política e hipocrisia de muitos, um quarto componente: Cuba inspirou e ainda inspira muitas coisas na esquerda, em especial a tentativa de auto-determinação, criação de uma sociedade justa e igualitária. Então, é claro que Cuba é diferente da Arábia Saudita. Ninguém em sã consciência vai defender que devemos adotar o modelo da Arábia Saudita. Falar em direitos humanos nesse caso é chutar galinha morta. Muito mais importante simoblicamente é dizer que há sim violação de direito humanos em Cuba, que há supressão de liberdades básicas na Ilha e que nós não queremos isso para nós nem para os cubanos.

Com relação ao ponto 2, nada a obstar, exceto que a conseqüência lógica de pensar a política externa como realpolitk é que quando a direita tiver fazendo suas barbaridades por interesse nacional, o Idelber não vai pode falar nada. Quando Israel ataca a Palestina, não dá para condená-lo com base em argumentos morais.

Além do mais, e talvez mais importante ainda, o interesse nacional é uma ficção que inexiste. Não existe algo como o interesse nacional, o que existe são interesses diferentes que prevalecem uns sobre os outros em determinados momentos. Se é assim, pode ser do interesse nacional criticar a violação dos direitos humanso em Cuba se o que se pretende é educar domesticamente os cidadãos sobre os problemas da via Cubana.

E dizer que isso (criticar outros países por violações de direitos humanos) não faz parte da tradição do Itamaraty é fugir do assunto. Na melhor das hipóteses é um bom argumento conservador, que apela às tradições do passado como evidência de que conservar o passado é a melhor coisa a se fazer. Não é lá algo muito condizente com quem se imagina estar do lado das forças progressistas.

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
Esse post foi publicado em Política e Economia e marcado , , . Guardar link permanente.

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