Posições de Marina Silva

O clima é de Copa do Mundo, eu sei, mas a folha publicou um resumo bem resumido da Marina sobre questões “polêmicas” e que no Brasil não costumam decidir eleição, mas são importantes para quem é de esquerda. E só posso dizer uma coisa: fiquei decepcionado. Eis alguns exemplos:

1. Adoção de crianaçs por Gays: “não tenho opinião formada”. Além de inexperiente politicamente (todo político tem que ter opinião sobre tudo, mesmo que seja para falar, falar, e não dizer nada), fica a pergunta: como alguém progressista pode ser contra isso?

2.  Contra o casamento gay, mas defende os direitos civis. Ou seja, acha que casamento é para heterosexual, mas que gay pode ter união civil. Absurda essa posição, claro. Porque o Estado não pode casar duas pessoas do mesmo sexo? Qual é o argumento?

3. Descriminalização das drogas: “sou contra, mas não satanizo quem é a favor”.  Não sataniza quem é a favor, mas e daí? Isso é o mínimo que se deve fazer. Agora, tinha que saber os argumentos para ser contra a descriminalização. Eu, por exemplo, que gosto da idéia, sou contra apenas por uma questão prática: como é que vai implementar o Brasil sozinho? Eu sei que tem a Holanda e tal, mas é complicado, vira questão de saúde pública e precisa ter uma política específica bem desenhada. Mas do jeito que ela falou, parece que ela pensa que criminalizar o consumo de drogas (porque obviamente é disso que se trata, porte e consumo) é ou questão moral ou política eficiente no combate ao tráfico.

Em resumo, não parece se diferenciar positivamente dos demais candidatos. Nem pela esquerda, nem pela direita.

Anúncios

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
Esse post foi publicado em Política e Economia. Bookmark o link permanente.

5 respostas para Posições de Marina Silva

  1. Umberto disse:

    Bom, eu acho que o problema é que você tá pegando uma agenda da direita, uma agenda libertária, e falando que é uma agenda de esquerda.
    Eu por exemplo, salvo a adoção, que não consigo ter opinião formada (como ela), pois a criança pode não ter capacidade cognitiva para entender o que é melhor para ela mesma; quanto ao aborto e ao consumo de drogas, sou a favor porque tem a ver com a pessoa usar seu corpo da maneira que ela bem entender. Isso chama liberdade, liberdade civil, e é totalmente liberal! Ou seja, é uma agenda libertária que não faz sentido na esquerda. Como pode quem defende intervenção estatal defender liberdades? Parece meio contraditório…
    Quanto ao casamento, faz sentido porque eles querem ter sua liberdade incomodada pelo Estado. Aí sim temos algo de esquerda…

  2. Manoel Galdino disse:

    Vejo diferentemente de você. Em questões sociais, a esquerda enfatiza a liberdade. Direitos civis é uma luta da esquerda (dos Negros nos EUA e África do Sul, das mulheres no mundo todo e agora dos homossexuais etc.).
    Não vejo essa contradição que você aponta.

  3. Rodolpho disse:

    Tirando o aborto, essa agenda é mesmo libertária. Eu sou meio libertário, meio conservador. Acho que homosexuais devem ter direito à união civil (se é que já não têm), mas casamento é uma instituição que começou na Igreja. Isso é que pega. Querem uma coisa que a Igreja não aceita. Acho que ficam pregando casamento mais por provocação mesmo, se lutassem por união civil o problema já teria sido resolvido faz tempo. Em resumo, sou favorável à união civil e contra o casamento.
    Quanto às drogas, sou a favor da liberalização (digo lieralização porque a liberação já tem faz tempo também). Isso a priori, pois acho que cada um deve ter o direito de enfiar no próprio corpo o que quiser, desde que arque com as consequencias. Por isso, na prática sou contra, pois não temos um aparato policial e judicial para previnir e punir as cagadas que acontecerão com o uso irrestrito do pó.
    Por fim, quanto ao aborto, sou contra porque o primeiro direito humano é o direito à vida, que os abortados não têm garantido. Para mim aborto é assassinato e, por isso, não é uma questão de a mulher fazer o que quiser com o próprio corpo. Ela está fazendo o que quer com o corpo de outra pessoa.
    Só pra terminar, não nos esqueçamos que quem forçou o fim da escravidão nos EUA foi Lincoln, o primeiro presidente Republicano.

    Abraços.

  4. Começo pelo final. Sobre o Lincoln, é bom lembrar que até Roosselvet era bem claro a diferença democrata-republicano. Aí, com o Roosselvet, as coisas foram se complicando, até o Jonhson, com a questão dos direitos civis. Aí os Republicanos tomaram os distritos democratas no sul dos EUA, e hoje temos o que eu comentei acima. Então, não dá para comparar os Republicanos de 1860 com os democratas de 2000.

    Sobre o casamento ter começado na igreja, problema dela. Num estado laico, o casamento civil não tem nada a ver com a igreja e é direito de todos. Você como liberal devia ser favorável, ainda que se sentisse desconfortável.

    Sobre o aborto, não quero entrar na discussão interminável de quando começa ou acaba uma vida.

  5. Rodolpho disse:

    O que eu disse é que o problema é a apropriação do termo. Eu como liberal sou favorável que duas pessoas do mesmo sexo tenham o mesmo status legal de uma união civil que um casal normal. Se você quiser, sou favorável à distinção entre união feita pelo Estado e pela Igreja.

    O negócio do Lincoln é pra mostrar que o termo esquerda não capta bem quem defende os direitos civis. Hoje até no Estadão Lincoln seria considerado de extrema direita.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s