A culpa é do Fidel

Acabei de assistir ao belo filme que é “A culpa é do Fidel”. O filme me fez pensar em várias coisas e quero compartilhá-las com vocês.

Primeiro pensei que às vezes eu fico assistindo a muitos filmes holywoodianos, mas não me lembro de ver temas como o desse filme em holywood. Outro dia eu vi Toy Story 3. É um filme pra crianças, óbvio, mas adultos vão resgatar sua nostalgia da época me que birncava com seus brinquedos e se emocionar. Mas basta ver “A culpa é do Fidel” para se emcionar muito mais e melhor, além de dar risadas mais e melhor também.

A segunda coisa que pensei é que tem coisas que verdadeiramente é melhor pela arte que pela razão. O filme aborda o aborto, educação religiosa, o amadurecimento pelas pequenas perdas, educação sexual infantil, e como às vezes o que nos falta é um olhar não viciado, quase como de uma criança que acaba de descobrir as coisas. Uma cena em particular é maravilhosa nesse sentido. A menininha, Anna, ouviu dos pais que tinha que aprender a ser solidária. Depois, num evento não relacionado, aprendeu com o Avô que os Gregos vieram antes dos romanos. Por fim, com a nova babá, vietnamita, aprendeu um desses contos em que a liçã ode moral é basicamente, a união faz a força. E então, na escola, a professora pergunta à classe quem veio primeiro, os romanos ou gregos. Todas as alunas levantam a mão indicando os romanos. Anna hesite, mas acaba seguindo a maioria, e erra. E obviamente fica confusa. Ao contar aos pais os espiódios, eles sorriem e dizem que ela confundiu ser solidária com seguir a maioria. Ela então retruca: “como você sabe se está seguindo a maioria ou sendo solidário”?

Os pais dão uma resposta pronta pra ela, claro, mas essa é uma pergunta que eu verdadeiramente já me vi enfrentando várias vezes e, sinceramente, não sei  se segui a maioria ou se fui solidário.

Por fim, o filme discute também uma questão que me é muita cara, que é a do sofrimento e mudança. Hegel dizia mais ou menos que é preciso, de tempos em tempos, que cada sociedade entre numa guerra, de forma a abalar os particularismos que vão se neraizando com o tempo e inviabilizam uma vida para o Universal. Sem entrar nos méritos das brechas totalitárias dsse tipo de pensamento, nem muito menos fazer apologia pura e simples de uma espécie de “agora que inês é morta…” há uma questão muito importante aí, que vale inclusive para o indivíduo, que é a de que muitas vezes resistimos às mudanças porque estamos presos a particularismos, mas que após a mudança, olhamos para trás e reconhecemos que tivemos ganhos (assim como perdas) mas que valeram a pena. Isso é obviamente muito presente na vida de todos e duvido que alguém nunca tenha passado por uma situação desse tipo. E isso é, para mim, o calcanhar de aquiles do liberalismo. O Liberalismo não reconhece que a mudança traz soforimento e que esses sofrimento pode às vezes ser necessário. Ao colocar a autonomia do indivíduo como sacrosanta, ele praticamente inviabiliza qualquer grande mudança que envolva justamente esses grande sofrimento, pois a tendência de todo o indivíduo será o conservadorismo de recusar a mudança.

Por outro lado, é justamente o calcanhar de aquiles do liberalismo que faz sua força, pois não abre brecha para o totalitarismo. De fato, o calcanhar de aquiles de boa parte da esquerda, que acredita nessa mudança com sofrimento imposto, mas que a posteriori será justificado, é a brecha para o totalitarismo. Não foi exatamente esse pensamento que viabilizou o Stalinismo?

Para mim, falta à esquerda justamente aceitar que no seu pensamento há um risco inerente ao totalitarismo e que, portanto, é fundamental o bom combate dos liberais. Do mesmo modo, falta aos liberais reconhecer que a mudança necessária, sem aceitar o real como resignação, só virá por esse pensamento e luta da esquerda. Infelizmente, um quer governar o mundo sem o outro.

ps.: Sei que vou apanhar da esquerda e da direita com esse discurso. Mas faz parte da vida =)

ps.2: pra entender o que eu disse, talvez seja necessário ver o filme. Na resenha no IMDB, diz-se: “la faute à Fidel is a smart film that takes on the role of exposing the ways in which children may be victimized by the ideas of their parents, even when those ideas are well- meaning and progressive”. Ora, mas ao final do filme, a menina está melhor que no começo e, portanto, tudo o que sofreu acabou ajudando ela. É justo (em todos os sentidos da palavras justo) dizer apenas que ela foi vítima?

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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3 respostas para A culpa é do Fidel

  1. Só um adendo: Mas não queremos encontrar culpados. O que queremos é transformar, construir e se possível conquistar a felicidade social.

    Ternura sempre! Razek

  2. Maria Angela Abduch disse:

    Caro Manoel, suas considerações me deram vontade de rever o filme. Gostei muito!

  3. Que bom! Fico feliz Ângela.

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