Crítica ao post anterior – ou em defesa da paixões – ou ainda, do sensualismo

Esse texto é um esclarecimento sobre uma possível interpretação errada da minha posição sobre um aspecto específico: o lugar das paixões e relação com a razão.

No texto anterior, sobre superstição, acabei sendo levado pela minha lógica a concluir pela restrição das paixões, causadoras do medo e esperança e, portanto, da superstição, por sua vez levando à dominação.

Desnecessário dizer que não concordo nem um pouco com a solução para o problema. Só mesmo lendo Kant e Espinosa pra concluir algo assim. Mas como não consigo modificar a lógica para preservar a crítica – que me parece acertada – faço aqui a defesa das paixões, ou mais precisamente do sensualismo, e o que tiver de contradição fica para ser resolvido depois.

O argumento é na verdade bem simples. O que é da ordem do sensual produz coisas muito diferente do que é da ordem do intelecto. Já dizia Pascal que as provas só convencem a mente, mas não o corpo, e com razão. Porque são de ordens diferentes. Nesse sentido, seria uma tolice pretender abandonar o sensualismo e ficar com a razão. Não vejo que nos leve a lugar algum almeijar um meio homem, pouco afeito às paixões. Gosto do ser humano por inteiro, imperfeito.

Não verdade isso me parece tão óbvio que nem sei como alguém pode acreditar numa besteira dessas. Não há prazer causado por uma boa idéia que supere um beijo da mulher desejada – embora também o reverso seja verdadeiro.

Espero então ter esclarecido. Quanto à inconsistência manifesta, ela é real. Se alguém souber de alguma forma de resolvê-la, sou todo ouvidos.

ps.: esses dois últimos posts ajudam a resgatar o sentido original do Blog, que era menos oferecer respostas pros problemas que via no mundo e mais como um canal pra escrever minhas inquietações. Se os textos colocam mais problemas que resposta, talvez seja pior pro leitor, mas é melhor pra mim. Mal aê se não era o que você procurava, mas era o que eu precisava. Às vezes é preciso romper um pouco com o leitor para não ficar refém dele. Você pode acabar escrevendo o que você imagina que ele quer ouvir e no final vai acabar escrevendo só platitude.

ps.2: explicando o ps acima: Eu tava me sentindo meio obrigado a só falar de estatística e política aqui, mas não queria sentir essa obrigação não. Daí o sentido do primeiro ps.

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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