Propostas – assitência infantil

O NPTO vem falar em debater idéias, o que é saudável. Então vamos fazê-lo. Ele gostou da proposta da Dilma de colocar creche para todas as mães. Argumentou que muitas vezes as diferenças entre uma criança rica e pobre começa já na pré-escola e isso fica para a vida toda.

Tem muito estudo nessa área, que não é a minha. Acho bacana, pois tem que misturar ciências sociais, saúde pública e um pouco de neuorociência. O problema é que essa interdisciplinariedade torna difícil pra um indivíduo só entender tudo.

Eu acho a idéia de universalizar creche boa em princípio, mas vejo alguns problemas e também tenho dúvidas se é a melhor coisa a fazer agora. A primeira coisa é que, como o Celso mesmo lembrou, dificilmente vai ter gente qualificada para colocar nas creches. Isso dificulta a massificação da proposta. O segundo problema é que não seria melhor investir na ampliação da licença maternidade?

Na Suécia a licença maternidade é algo como 15 meses e a mulher recebe 90% do salário! No Brasil foi ampliada de 4 para 6 meses e já causou polêmica a medida do governo Lula.

O Heckman, prêmio Nobel de economia, tem falado que tão importante quanto as habilidade cognitivas (isto é, habilidades verbais, quantiativas etc.) são as habilidades não-cognitivas – disciplina, pensar no longo prazo etc. Ele diz, por exemplo, que não adianta colocar um menino na escola se a ele falta a disciplina necessária para estudar, se o menino não consegue trocar um ganho pequeno no presente por um maior no futuro etc, se o menino fica se envolvendo em confusão. E é um argumento bom.

É claro que o “adianta” que eu usei acima é forte e o Heckman não fala isso, mas exagerando o argumento é isso. Diminui a eficácia.

Mas então, o que causa esses deficiências não-cognitivas? Diz ele que as evidências indicam para… o amor de mãe, carinho familiar etc. Agora, se a família é desestruturada, se a mãe não consegue ficar com a criança etc. como é que a criança vai ter esse desenvolvimento cognitivo? Se o Pai e a Mãe só sabem dar porrada na criança, não conhecem outra forma de educar, vamos chegar a algum lugar?

Então, às vezes eu acho que era melhor investir em melhoria das relações familiares. Eu sei que não é necessariamente uma coisa ou outra, as coisas caminham juntas, mas na prática a teoria é outra, não dá para fazer tudo.

Outra coisa que tem que ver é como conciliar essa ampliação nos gastos com o resto dos gastos do governo. Economista só fala em investimento em infra, que o governo tem cortar gasto corrente para investir em infra e tal. Mas esse tipo de proposta é considerado gasto corrente, não investimento. E embora o economista goste de falar em custo de oportunidade, quando chega nessas coisas eles são míopes. Cadê o custo de oportunidade de não fazer esse gasto?

Em resumo, o debate é mesmo complicado e precisa avançar. Seria melhor ler algo de alguém mais compente no assunto do que eu. Se alguém tiver sugestão, manda aí.

ps.: O Celso deu a entender que estava defendendo uma política universalista de crece, com base no princípio de redução de desigualdades no começo da vida, que eu acho ótimo. Mas no Brasil de hoje só vingam as propostas focalistas. Isso aí tem que ficar claro também.

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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