Ainda sobre pesquisas de opinião

Parece que meu post sobre pesquisas de opinião causaram alguma confusão em pessoas que entendem de estatística mais do que eu. Ergo, tinha alguma coisa errada com ele.

Como dizem os americanos (mas será que eles dizem isso mesmo ou tô inventando sem saber? Ou ainda, estou empregando erroneamente?): Let me get this straight.

Como já falou o Jairo, os institutos utilizam a técnica de quotas para coletar a amostra e, portanto, a margem de erro não tem um significado preciso. Ou tem um significado preciso, mas errado, o que dá na mesma (acho).

Eu entendo teoricamente pouco de amostragem, e menos ainda da prática. E se lembrarmos ainda que Na Prática a Teoria é Outra, vê-se que realmente entendo pouco do assunto (embora se tudo der certo em breve terei um experiência prática!).

Mas digamos que eu me julgo um leitor competente de algumas técnicas estatísticas (eu larguei prob. I na pós, é verdade, mas consegui completar Introdução a Processos Estocásticos e Inferências Bayesiana, ambas na pós da estatística! Além disso, tenho trabalhdo com métodos quantitativos há algum tempo), embora certamente eu saiba menos que a Bel e o Leoni que comentaram no meu post anterior!

Como dizia, me julgo um leitor competente. Dêem uma olhada nessa discussão aqui (só procurar no blog sobre death Iraq param mais posts) sobre um survey realizado no Iraque para estimar mortes lá. Tá certo que os caras estão sendo criticados porque a amostra não é de todo aleatória, mas pelo menos eles tentaram e, hey, é o Iraque!

E não estou dizendo que a técnica utilizada no estudo citado acima (cluster sample) é a solução, pois embora eu entenda o que é o cluster sample, não tenho conhecimento detalhado da técnica. Mas simplesmente não me convenço das desculpas usadas pelos institutos para fazerem suas estimativas.

Em resumo, margem de erro nessas pesquisas do Brasil não tem significado para mim, mesmo que elas tenham sido definidas previamente à realização da amostra. Elas teriam significado se a amostragem fosse aleatória simples ou alguma outra técnica probabilítica (como o cluster sample), mas como a amostragem é por quotas…

Isso não significa que as pesquisas sejam inúteis. Prefiro ter essa informação do que não ter. Aliás, se nós tivéssemos um modelo bom de previsão do voto, daria para checar a previsão dos modelos baseados nos fundamentos com as pesquisas de opinião e, quando convergissem, seriam mais confiáveis. Mas ainda não chegamos lá…

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
Esse post foi publicado em estatística, Manoel Galdino e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

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