UMA CRITICA QUE FALTA AO TROPA DE ELITE 2

Muito provavelmente depois da grande maioria do público, fui assistir Tropa de Elite 2. Realmente o filme cumpre o prometido e aprofunda as discussões do Tropa de Elite 1, inclusive, a meu ver, o Tropa de Elite 1 já trazia essas discussões mas o Padilha precisou aprofundar e escancarar essas questões para que o público entrasse nelas. Acho que no Tropa 1, muita gente pode ter saído do cinema com a idéia que o BOPE era a solução para a polícia, enquanto a proposta era claramente mostrar o contrário.

Seguindo esse roteiro de aprofundar as discussões, o filme propõe o debate sobre o Sistema e como apenas o aparato policial é incapaz de combatê-lo. Inclui ao aparato policial o sistema politico como responsável pela violência gerada nas grandes cidades brasileiras. O filme inclui politicos como parceiros das milicias urbanas em troca de votos.

Em termos de aprofundamento da discussão é um grande avanço. Porém, por que o filme esquece de mencionar a influência de grandes empresas privadas junto ao sistema politico? A influência das empresas não é pequena junto aos políticos, e nem é escondida, uma vez que elas aportam grandes quantias em campanhas políticas. Apesar do mercado ser fundamental para as grandes empresas privadas, o Estado é um grande parceiro direto ou indireto para várias empresas. Então por que não incluí-las nesse contexto do corpo chamado pelo filme de Sistema?

Tropa de Elite 2 é, em última instância, um filme comercial e isso cria embaraços para que ele possa tocar sem restrições em muitas questões.

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6 respostas para UMA CRITICA QUE FALTA AO TROPA DE ELITE 2

  1. Achei bom seu comentário. Você viu o que eu escrevi, aqui mesmo no Blog?

  2. Dawran Numida disse:

    Mas, ambos os filmes são obras de ficção. Não são documentários. Os fatos narrados nos filmes apenas lembram alguns fatos reais, dos quais os jornais e telejornais estão cheios. Sair do clima de filme de ficção, para tentar ver poder transformador neles, só se for na maneira de fazer cinema no Brasil , isso sim. E ambos os filmes, mostram isso muito bem.

  3. Alberto disse:

    acho importante falar não só da violência no RJ, mas mostrar o que vem ocorrendo aqui em SP tmb. Mencionando os vínculos que a clandestinidade e pirataria estabelecem com o poder público. Que regiões como 25 de março e Galeria Pajé, são áreas da cidade em que o Estado não entra. Que lá a comunidade chinesa e coreana achaca e ameaça de morte policiais. Mencionar que os ataques do PCc em 2006 tiveram como patrocinadores justamente esses barões da pirataria. E que gangsters da pirataria chinesa colocaram SP de joelhos, por seu direito de contiunarem operando o comércio de piratas na 25. E o Estado está impotente em sua luta para banir a 25 de março, a galeria pajé, e tantos outros focos de comércio pirata

  4. Marcel K. disse:

    Concordo com você. Há algumas “milicias” (usando a terminologia do filme) atuando em diversos sub-mundos onde o Estado não entra. Porém, o ponto principal que eu queria destacar é que mesmo em meios “oficiais” como grandes empresas, esse mundo de corrupção e roubo do público também inunda, mas é dessas grandes empresas que o filme se sustenta e por isso não convém ressaltá-las…

  5. Marcel K. disse:

    Concordo, o próprio filme traz essa alerta, porém, poderia ao menos servir de inspiração… Assim como o Manoel falou do Batman e do V em seu post sobre o Tropa de Elite…

  6. Marcel K. disse:

    Vi sim Manoel. Até comentei no seu próprio post…

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