Sobre a leitura

Quando da minha participação no encontro da Associação Brasileira de Ciência Política em recife, em agosto último, tive a oportunidade de presenciar uma excelente aula do prof. Limongi, que foi inclusive foi comentada por mim aqui no Blog. Mas para além da palestra, interessante foi observar a reação de alguns alunos de graduação que estavam por lá. Ficaram muito decepcionados, disseram vários deles, que o “famoso” professor Limongi teve de ler um texto. A cara de descontentamento deles ao falar disso era realmente impressionante.

Eu fiquei me perguntando de quem é a culpa por tamanha incompreensão do que é uma leitura. Certamente esses pessoal nunca foi a um sarau em que se leram textos com a maior das eloquências e o maior dos impactos. Talvez isso seja culpa dos cursinhos que abundam por aí, e que tornam bom o professor que é uma especie de palhaço a recitar fórmulas e memes para os alunos decorarem e passarem no vestibular.

Vivêssemos nós nos tempos de Aristóteles, vá lá. A língua era outra, não havia muito papel disponível e desde cedo os estudantes aprendiam a memorizar muitos versos (Recitar a Odisséia completa era uma das provas na escola). Mas os tempos são outros e tirando aulas de matemática, em que reinam os símbolos e equações, aula boa mesmo é aquela em que o professor lê um texto preparado com esmero e em que cada palavra tem o seu lugar definido com exatidão. A reflexão profunda requer precisão conceitual e encadeamento lógico do argumento que o improviso dificilmente pode conseguir produzir. É melhor, sempre, ler um texto bem escrito, com toda a eloquência que é possível na escrita.

Que os alunos de graduação de ciências sociais sejam incapazes de ver isso é algo realmente espantoso. Fossem alunos da engenharia, eu entenderia. Nada contra a engenharia, mas é que a praticidade típica do curso e a oresença da matemática tornam efetivamente estranho a eles uma aula universitária lida. Mas alunos de ciências sociais? Realmente tem coisas incomprrensíveis para mim nesse mundo.

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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