Macroeconomia

Na minha cabeça, eu entendo de macroeconomia o suficiente para saber que eu não entendo de macroeconomia. Pensei nisso quando li, nesse tal de Pileusblog, um vídeo que em essência reproduz um argumento do economista francês Bastiat. O pessoal critica o Krugman – ardoroso defensor do gasto governamental para estimular a economia americana – com base no argumento do crowding-out. O argumento do crowding-out diz, basicamente, que gastos adicionais do governo são compensados por redução proporcional no consumo e/ou investimento privado, o que deixa a demanda agregada inalterada.

O problema é que macroeconomia trata de agregados e de uma entidade chamada governo. Além disso, depende de uma coisa difícil chamada expectativa dos agentes, tanto com relação ao consumo quanto ao investimento. Além disso, tem tantos efeitos de feedbacks(existe o efeito Keynes, efeito Pigou, multiplicador, equivalência ricardiana etc.), e aquela famosa distinção (ou dualidade) entre variáveis nominais e reais, que a mim me parece que a sério mesmo não existe ninguém que entenda realmente de macroeconomia no mundo.

Mas o meu principal problema com a macroeconomia me foi dado por um insight de um amigo ao lermos Prices and Production, de Hayek. No livro, Hayek mostra que uma política monetária expansionista poderia levar a crises de superprodução e tal. Mas a questão é que entre um momento e outro há uma dinâmica de ajustamento ou um caminho fora do equilíbrio que pode alterar o próprio equilíbrio da economia, de forma a justificar ex-post facto a política adotada. Então, enquanto toda a macroeconomia é construída sobre a idéia de equilíbrio, essa questão do desequilíbrio e como isso altera o própripo equilíbrio é deixada de fora. Realmente não vejo, então, como confiar numa ciência tão rudimentar para algo tão complicado.

Mas eu não estou advogando simplesmente agir como se os economistas não houvessem estudado a matéria por decadas. Sabemos talvez alguma coisa sobre inflação (em geral, mais moeda, mais inflação. Mas também isso é complicado). Mas saiu do ramo estritamente monetário e quando nos perguntamos sobre a interação entre variáveis monetárias e reais, aí as coisas só complicam. Então eu sou cético das certezas dos economistas quando avaliam política econômica dos governos, embora realmente não acho que o senso comum aqui vá ser necessariamente melhor.

 

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Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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