Frustração; ou como eu me sinto com tanta abobrinha sentimentalóide com direito autoral

Se tem um ramo em que nada se cria, tudo se copia, esse ramo me parece ser a publicidade. Os publicitários que me corrijam, mas a minha impressão é que propaganda é a coisa mais copiada que existe. Vivem da cópia, do plágio. E olhe que eu não sou defensor do plágio em geral não, mas até acho que teria que pensar um pouco o que o Tom Zé tem a dizer sobre isso tudo e a tal Estética do Plágio. Mas deixemos de lado isso e fiquemos numa atitude bem conservadora: plágio é errado.

Pois é, aí vem um cara, que faz (ou fazia, sei lá) jingle para propaganda, contar essa história de como ele, coitado, foi explorado pelas agências de publicidade, que usaram um pedacinho do seu jingle para ganhar dinheiro e não compartilharam nem um pouquinho dessa grana. Aliás, batuta é o Washington Oliveto. E olhe que o cara nem mencionou que ele é corinthiano!

Você quer uma história legal sobre direito autoral? Então deixe-me dar os parabéns pra você e, como sou chique, em inglês.

“Happy birthday to you”, lembra-se dessa música? Pois é, essa podia ser uma propaganda. Mas Happy Birthday é na verdade derivada (a melodia) de uma música Good Morning to All, de 1893. Melodia e letra apareceram impresas pela primeira vez em 1912, segundo a wikipedia. E foram registradas para direito autoral em 1935. Guess what? A Warner hoje é dona desse direito e, segundo a empresa, até 2030 toda execução pública da canção requer o pagamento pelo uso dela. Aparentemente custa uns 700 dólares uma execução pública dessa música. Pois é, cante na sua festa de aniversário e fique devendo 700 dólares pra Warner.

São aberrações como essa que a lei de direito autoral nos EUA e por aqui cria. Não se deixem enganar por essas historinhas tristes de como os “criadores” estão sendo roubados.

ps.: minha frustração é porque, não importa o que eu escreva aqui, minha audiência é tão ridicularmente baixa comparada a um blog do Nassif, onde saiu a abobrinha que eu linkei, que é irrelevante o que eu tenho para falar. E como, além disso, lá não há trackback, isto é, não vai aparecer no site dele que eu linkei pra lá criticando o texto, ninugém de lá poderá ter a curiosidade de vir aqui ler o que eu escrevi.

pstu: Eu sei, eu sei, ninguém é obrigado a me ler e não tenho nenhum motivo para ser famoso e que as pessoas queiram ler o meu blog. Mas é que esse é um assunto que eu tenho estudo há tempos [na verdade, eu tenho estudo mais as patentes, mas o direito autoral eu estudei um pouquinho também) e realmente sinto que tenho algo a contribuir.

pstudoB: Sim, eu também sei que tem muita gente que sabe muito mais do que eu sobre o assunto e deve se sentir mais frustrado ainda. E que quem não estudou o assunto também tem direito a sua opinião. Mas isso não me impede de me sentir frustrado.

ppstudoB: Ainda vou escrever aqui qualificando minha posição sobre o plágio. Há plágios e plágios. Quer exemplo maior do que esse ‘pstu’ ao invés de ‘ps’? Foi o NPTO quem criou, mas não dá pra ficar dando crédito a toda hora. Já virou cultura popular. É da natureza da sociedade que as pessoas imitem, mimetizem, enfim, copiem e plagiem uns aos outros.

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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