Tratados de Patentes

Na minha tese de Doutorado eu procuro investigar as razões eplas quais países aderem a tratados de patentes. Mais especificamente, estudo a Convenção de Paris e o Tratado de Cooperação de Patentes. O gráfico abaixo é um dos resultados chave que tenho de interpretar e checar se é robusto.


Clicando na imagem dá pra ver melhor. Os dados estaõ organizados por ordem de renda per capita (média do período). Assim, no gráfico superior à esquerda temos os países mais pobres, em ordem ascendente de baixo pra cima (os mai spobres embaixo). O gráfico superior à direita mostra o segundo quartil mais rico, o gráfico inferior esquerda o terceiro quartil e o gráfico inferior direita o último quartil. Em vermelho significa que o tratado (Convenção de Paris) estava em vigor no país naquele ano, em amarelo que não estava em vigor e em branco que o dado não existe (missing). Como se pode observar, há uma tendência de todos os países aderirem ao tratado ao longo do tempo. De 90 pra trás, o primeiro (mais pobres) e último gráfico (mais ricos) são os que tem maior adesão. Dizendo de outro modo, países muito ricos e muito pobres tendem a aderir ao tratado, enquanto que os intermediários tem menos probabilidade.

A questão então é, como explicar esse fato? A minha teoria inicial é que havia uma interação entre renda e democracia. Porém, agora estou achando que a interação mais relevante é entre renda e educação. Estou testando e vendo qual modelo se ajusta melhor aos dados. Depois é preciso pensar numa teoria que explique os dados. Se alguém tiver alguma idéia…

os.: O que acharam do gráfico? Dá pra entender?

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Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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6 respostas para Tratados de Patentes

  1. Gabriel Cepaluni disse:

    As barras entre cada país deveriam ter uma divisão.

    Explicação: Talvez os países intermediários sejam aqueles que almejam entrar no grupo dos países ricos. Assim, utilizam a entrada nos acordos de propriedade intelectual como uma moeda de troca. Eles dizem para os ricos: “só entro se obtiver uma determinada concessão”. Assim, postergam suas entradas. Os países mais fracos são mais facilmente objetos de pressão de tratados patrocinados basicamente por países ricos.

  2. Rodolpho Bernabel disse:

    Os gráficos são interessantes, mas não vejo rapidamente padrões muito distintos, talvez seja mais fácil mostrar a relação com 4 box-plots; usando notch=TRUE.
    Quanto à teoria, a única coisa que me vem à cabeça nessa época é uma metáfora com o imposto de renda. Imagine a situação daqueles que têm um rendimento no limiar da contribuição. Se tiverem um aumento salarial terão que pagar imposto e acabarão numa situação pior que o status quo. Bom, o que eu quero dizer é que os países intermediários podem estar a enfrentar alguma situação crítica, de incerteza sobre os custos e benefícios de assinar o tratado. Talvez essa relação seja mais clara para os extremos de riqueza e pobreza (muito a ganhar, nada a perder, sei lá). Estou dando um chute aqui, mas pode ser uma medida que vou testar na minha tese que inclui pib per capta e tamanho da classe média. Estou entendendo isso como uma proxy para desenvolvimento. Quem sabe isso não altera seus quartis.

  3. Rodolpho Bernabel disse:

    Ah, não sei se preciso de óculos novos, mas não vi brancos (missings) nos gráficos.

  4. Eduardo disse:

    Já que, aparentemente, nenhum país deixou a convenção após assina-la, não seria melhor um scatterplot de gdp p.c. vs ano da assinatura?

  5. Ticão disse:

    Considerando que a minha praia não é a estatística, diria que para poder “brincar” com os dados seria legal ter “ano a ano”. E não em marcos de 5 anos como acho que o gráfico está.
    Percebo que houve uma grande adesão em 1995.
    Se tivéssemos um “excel” facilitaria adicionar condições e “brincar” de ordenar.
    Continentes, línguas, regime político etc…

    Tem uma turma que aderiu logo no inicio. Europeus, ricos, desenvolvidos de um lado e pobres e miseráveis do outro. Dá a sensação de que os ricos “convenceram” os mais pobres. Parece fundação de partido. Só para aumentar a lista de adesão.

    A grande leva de 95 não consegui isolar para visualizar algo em comum.

    De qualquer forma sempre achei que o Brasil entrou na dança mais para se sentir “primeiro mundo”, “muderno”, e se vendeu barato. Talvez o FHC tenha influenciado. Essa coisa da “social democracia” re-emergindo, dividir mesa com o Clinton e o Primeiro Ministro Inglês, ser amigo dos caras. A tal da vaidade do Príncipe da Sociologia, Top Model da Política Latino Americana. Com todas as “Caras e Bocas”.

  6. Obrigado a todos pelos comentários. Vou ver as sugestões de gráficos e posto aqui se ficarem bons.

    Ah, Rodolpho, nesse gráfico aí tá sem missing mesmo. Mas é estranho!

    Por fim, os dados tão de 5 em 5 anos porque tô analisando assim, mas tenho pra todos os anos.

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