Universidades Públicas assinam jornais com erros factuais, de ortografia e definições de conceitos errados

Pela lógica da Folha de São Paulo, essa podia ser uma manchete do próprio Jornal. Eis outra manchete, essa real:

MEC distribui livro com erro de matemática a 37 mil escolas.

Meldels! É óbvio que um livro texto tem erros, muitos deles básicos e banais. Praticamente toda produção escrita tem erros. O próprio jornal é cheio de erros. Daí a manchetar um fato normal e esperado como uma novidade e algo ruim vai uma distância gigantesca. Mas eles tem que vender jornal, né? Então, tome abobrinha…

Pode-se pensar que um livro (como um jornal, btw) é bom se não tem erro. Contudo, erro sempre haverá. O que se tem que olhar é se a taxa de erro é pequena e se os erros são sistemáticos ou não. Taxa de erro pequena significa que revisão é bem feita, bem como o conteúdo é produzido por quem entende do assunto.

Erros sistemáticos são ruims porque viesam o conteúdo. Erros aleatórios não geram viés. Um livro com poucos erros, mas sistemáticos, será bom apenas naquela parte em que contém erro. Já um livro com mais erros, porém não-sistemáticos, tende a ser melhor, desde que o número de erros não seja muito grande, claro.

No exemplo da matéria da folha, ela apresenta erros como: 10-7=4 e 16-8=6. São dois erros de subtração. Se a maior parte dos erros do livro forem concentrados nesse assunto e o número for muito grande, então é um erro sistemático que pode dificultar o aprendizado do aluno. Se porém o erro está no meio de 100 exemplos corretos, o aluno com orientação do professor não será tão prejudicado.

Mas mesmo isso não é o cerne da questão.Segundo a Matéria, o MEC vai recomendar a suspensão do material nas escolas em que o livro foi distribuído. Ora, isso tem um custo. É preciso contatar as escolas, enviar novo material etc. Será que o custo disso tudo compensa o benefício?

É claro que não estou simplesmente sendo leniente com o erro. Mas apenas quero chamar a atenção que esperar taxa de erro zero, em qualquer atividade humana, é ridículo. O custo de ter erro zero é muito maior do que não ter erro zero.

Uma bora reportagem deveria primeiro levantar a proporção de erros no livro. Depois, comparar com uma taxa média ou considerada razoável de erros em livros dessa natureza. Por fim, avaliar se o custo de reduzir os erros compensam os benefícios. Claro que isso dá muito trabalho, mesmo se feito de forma qualitativa e com base em impressão de especialistas. Mas para um jornal que pretende se diferenciar pela qualidade do conteúdo, era o mínimo que se esperaria.

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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