Violência…

APós passar quase o dia inteiro ontem sem energia, não tive chance de carrgar meu celular, de modo que ele estava desligado hoje de manhã. Quando acordei e vi meus e-mails, minha mãe havia pedido para eu ligar urgente pra ela. Fiquei imediatamente preocupado e fiz a ligação, apenas para receber uma triste notícia. Ontem à noite um primo meu de segundo grau, que mora aqui em São Paulo, foi vítima de um assalto e morto pelos assaltantes.

Nem tenho muito o que falar, exceto que tirar a vida de outra pessoa, pra mim, é prova cabal de que de fato vivemos num mundo absurdo. Eu não sei se sou filósifo demais, mas sempre fico a pensar na minha própria morte, no que isso significa, no significado da existência de um indivíduo, um ser vivo que tem consciência. Qual a diferença da existência minha para uma pedra? Minha consciência de mim mesmo, claro. Mas sabendo que é assim para todos, como alguém pode querer suprimir uma outra existência? Como alguém pode ter a coragem de simplesmente fazê-lo atravessar a porta que é a morte?

Desde a primeira vez que li aquelas palavras de Pascal, creio que elas sempre haverão de ecoar dentro de mim.

Ante a cegueira e a miséria do homem, diante do universo mudo, do homem sem luz, abandonado a si mesmo e como que perdido nesse rincão do universo, sem consciência de quem o colocou aí, nem do que veio fazer, nem do que lhe acontecerá depois da morte, ante o homem incapaz de qualquer conhecimento, invade-me o terror e sinto-me como alguém que levassem, durante o sono, para uma ilha deserta, e espantosa, e aí despertasse ignorante de seu paradeiro e impossibilitado de evadir-se.

É um desespero tão grande e também um temor que única solução que encontrei pra mim foi tentar não pensar muito nisso e a certeza de que a conclusão lógica que todas as pessoas deveriam tirar é que não faz nenhum sentido tirar a vida de alguém.

É claro que nós temos dentro de nós impulsos de sobrevivência e sei também de todo esse blablablá de estado de Natureza do Hobbes, mas há diferenças qualitativas, arrisco a dizer infinitas, desproporcionais entre uma coisa e outra. Um homocídio assim, sem mais nem menos, é um absurdo, uma coisa ilógica, desprovida de razão, de sentido.

Enfim creio que tá confuso isso aqui. Mas precisava escrever. Menos pr mundo, mais pra mim.

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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2 respostas para Violência…

  1. Deini Porto disse:

    Olá, Manoel,
    É pena que estas palavras de Pascal serviram de consolo em tão triste hora… Sinto-me triste por ler este trágico relato, de fato ocorrido tão repentino, agressivo, sem retorno. Desejo muita força a você, nesta impossibilidade de consolo, destes momentos. Junte forças e continue a seguir, nesta nossa vida, pois é tudo que nos resta.
    Um abraço confortante. Fique bem.

  2. Obrigado pelas palavras Deini…

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