anti-comunismo

Lendo o livro do Christohper Hitchens e alguns detalhes da vida nos países comunistas nos anos 60, começo a compreender o anti-comunismo de muitas pessoas que participaram da luta política por mais democracia e liberdade nesses países.

Também estou a refletir sobre a idéia de que, no fim das contas, talvez eu seja antes um liberal que um socialista, ou então um socialista liberal, com todas as contradições que essa posição carrega.

Não chego a gostar do liberalismo à la Von Mises propagado nos EUA hoje em dia, que acho bastante ridículo e muitas vezes nojento. Minha formação, em que rapidamente fui exposto a bons argumentos liberais-conservadores – Hayek, claro, mas também Tocqueville – me fez apreciar o que há de melhor nessas idéias sem precisar aceitar as besteiras que muitos liberais adotam. Besteiras que na verdade me parecem tão somente uma ingenuidade gritante.

Mas ainda assim tenho de acertar as contas com o liberalismo e meu socialismo em algum momento. O livro do Hitchens acentua a necessidade de enfrentar essa contradição.

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Não posso deixar de citar o que o governo argentino, em plena ditadura do Videla, dizia um um “desparecido” por meio dos carcereiros, segundo Hitchens:

A Argentina tem três inimigos principais: Karl Marx, porque tentou destruir o conceito cristão de sociedade; Sigmund freud, porque tentou destruir o conceito cristão de família; e Albert Einstein, porque tentou destruir o conceito cristão de tempo e espaço.

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Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
Esse post foi publicado em Manoel Galdino, orquídeas selvagens, Política e Economia. Bookmark o link permanente.

6 respostas para anti-comunismo

  1. Transeunte disse:

    Correndo o risco de estar lhe interpretando errado, mas a lampada acendeu aqui sobre a cabeça e não resisti. Bem, você leu a entrevista com Antonio Candido? Em um certo ponto ele diz: “Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças.”

    Também nunca fui fã do “liberalismo à la Von Mises”, porque no fim sempre vinculei a maioria, se não todas, as grandes conquistas sociais ao pessoal que saiu na rua e levou porrada da polícia, a esquerda pra ficar mais bonito, não estou conseguindo me expressar muito bem mas acho q deu pra captar a idéia. É por ai que você esta caminhando também? E porque não social democrata?

    Abraço!

  2. Não li a entrevista não. Tem link?
    Sobre pq não social-democracia. Poderia ser social-democracia, mas ela tem sido muito conservadora e reacionária em alguns pontos importantes para mim, como a questão da propriedade intelectual, combate aos monopólios e cartéis e ambientalismo.
    E sim, acho que estou bem parecido com você, embora eu não ache a igualdade tão importante assim. Quer dizer, acho igualdade eem direitos civis importantes e acho que desigualdade econômica, especialmente se de classe, algo a se combater. Mas falta no socialismo que você fala uma menção mais forte à liberdade. Liberdade contra o julgo do capital, sem dúvida, mas liberdades democráticas, de consumo e de expressão.

  3. daniel lopes disse:

    O que aprendi lendo Orwell, Hitchens e outros é que o importante é manter a cabeça o mais afastada possível de dogmas, seja de esquerda ou direita. Assim, às vezes tua posição sobre um determinado tema ou evento será considerada de “direita”, noutras, de “esquerda”. Não há porque um indivíduo minimamente instruído vestir a farda da ‘Esquerda’ e se policiar para nunca sair da linha.

    A propósito, leia ‘Reflexões sobre um século esquecido’, do Judt. Deve ter bem barato na Estante Virtual. É um conjunto de ensaios e resenhas. Há inclusive um mostrando por que o anticomunismo não foi uma corrente de todo abominável.

    Abs.

  4. Transeunte disse:

    Segue o link para a entrevista: http://migre.me/5g7q4

    Pois então, a igualdade e a liberdade são o cerne da coisa não? A defesa por direitos fundamentais a todos, tenho identificado isso na social democracia. Mas ainda me falta uma base mais robusta para poder argumentar melhor… Bem, se fosse fácil não precisava de blogs como o seu…

    =)

    Abraço!

  5. Vou procurar o livro. Valeu pela dica.

  6. adriano1985 disse:

    Olha, legendei uma reportagem sobre um tema muito interessante: A Farsa do Crescimento Chinês.

    Lá mostra algumas “mentiras” e formas que o governo da China tem para manipular os números de sua economia, aumentar o PIB entre outros índices que demonstram um falso crescimento do país que se diz emergente, mas que na verdade está prestes a explodir.

    Dá uma olhada se gostar, divulgue. Muito Obrigado:

    Segue o link: http://www.colunasdehercules.com.br/2012/01/farsa-do-sucesso-chines.html

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