Christopher Hitchens

Comprei o livro de memórias do Christopher Hitchens, Hitch-22, depois de ler uma excelente resenha no Amálgama. Eu confesso que nunca havia lido nada do jornalista e escritor antes. Mas me interessei pelo livro e estou gostando bastante da leitura.

Outro dia eu comentei com um amigo meu sobre o livro de Memórias do Pésio, a propósito do trecho publicado na Piauí, e que comentei aqui. Ele fez troça do Pérsio lançar memórias, pois, segundo ele, lança memórias quem é personagem importante da história. Não retruquei, porque na verdade nunca pensei a respeito nem aprendi em lugar  nenhum sobre como e porque alguém lança livros de memórias. Creio que personagens como Churchil lançaram livros de memórias. Mas não sei de cabeça de mais nenhum outro. Russeau escreveu, creio, uma autobiografia, ou algo assim. Então, pra ser sincero, sei lá eu se é ridículo ou não personagens menores da história lançar livros de memórias. Nesse caso, também não sei nem avaliar se o Hitchens seria um desses personagens menores. Mas na verdade isso nem importa, o que importa mesmo é o conteúdo livro. Se é bom, é bom. O trecho que li do Pérsio me pareceu bom e vou comprar o livro quando lançado. O livro doHitchens está ótimo por equanto, então pra mim vale a pena.

Tendo feito essa divagação, conto aqui um trecho que acho ótimo. Diz ele:

Para todos que tentam levar uma vida dupla,  um dia haverá “uma pequena, mas interessante vingança”, como James  Fenton mais tarde cunhou para mim. A minha se deu quando me dirigia a uma multido de estudantes furiosos nos degraus do prédio Clarendon, denunciando alguma violação oficial a nossos direitos de sexo livre, livre associação e livre expressão. Quando estava chegando ao  auge do meu discurso, vi acima da das cabeças da platéia os traços grisalhos e sombrios de “O Sentinela” [com quem Hitchens matinha relações pessoais], que à época, sem dúvida, era a figura mais execrada pela esquerda de  Oxford. (…). Tomando um caminho discreto, mas determinado em meio aos manifestantes atônitos, ele chegou quando eu concluía e disse: “Meu querido Christopher, lamento ter perdido a maior parte do seu discurso. Não tenho dúvidas de que foi admirável. Mas espero que não tenha se esquecido de que prometeu aparecer hoje depois do jantar”. Foi um momento para uma negação bíblica. Eu poderia ter fingido não entender, mas em vez disso respondi que estava ansioso por isso e – enquanto ele deslizava para longe com um brilhante ar de vitória – encarei os rostos ligeiramente chocados dos meus camaradas. Poderia ter me refugiado em uma formulação do tipo “conheça seu inimigo”, mas algo em mimdizia que isso seria ignóbil. Eu não queria uma vida politizada unidimensional (p. 152, grifos meus).

Ao meu modo eu levo minha vida dupla. Mas o fato é que realmente não quero uma vida unidimensional. Embora às vezes me espante como alguns amigos meus desejem ardentemente essa vida.

ps.: Aos meus amigos esquerdistas que ainda defendem Cuba, queria ver o que tem a dizer após ler o Capítulo sobre Havana (embora de certo modo eu imagine o que irão dizer: uma longa série de atenuantes e explicações)

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
Esse post foi publicado em literatura, Manoel Galdino, poesia, Política e Economia e marcado , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Christopher Hitchens

  1. Reineri☻ Ramírez Pereira disse:

    genio

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