Steve Jobs

Como vocês sabem, Steve Jobs faleceu. E muitos estão revendo e repropagando o discurso que ele deu para a turma de graduandos de Stanford de 2005.

Eu particularmente gosto do discurso dele. Há quem diga que não é um bom conselho, pois fazer o que você ama não é para qualquer um. Mas eu acho que essa crítica “misses the point”.

A parte mais importante do discurso, para mim, está relacionado a quando ele fala em “ligar os pontos”, e que tem a ver com um livro que acabei de ler: Everything is obvious: once you know the answer.

Você só consegue atribuir significado para as coisas da sua vida em retrospecto. O que religiosamente – na tradição cristã – é aquela frase de que Deus escreve certo por linhas tortas. Eu gosto dessa frase, ainda que não acredite em Deus. Aquilo que parecia uma decisão ruim, pode se revelar no futuro uma boa decisão. E vice-versa. Isso não significa que, no momento em que você tomou a decisão, ela não valesse pelo que parecia lhe valer. Nós só podemos decidir com base no que sabemos agora, e seria tolice tentar prever todas as consequências de nossas decisões para então escolher o que fazer. Só os indivíduos em modelos de economistas são pueris assim.

Tem uma história, a propósito isso, que é simples mas ilustrativa. Um homem vende a casa, vai no cassino, aposta todo dinheiro no 27, e ganha e fica muito rico. Parecia ser uma decisão ruim, mas em retrospecto parece ter sido uma decisão boa. Mas é um erro. Foi uma decisão ruim e continua sendo uma decisão ruim, a despeito dele ter ganho no cassino. Ligar os pontos e atribuir um significado em retrospecto não significa – para mim – julgar as ações apenas pelas consequências delas. Mas significa entender que nossa identidade hoje depende tanto das nossas intenções quanto das discrepâncias entre intenção e ato, entre ato e consequências dos atos. Nesse sentido, a mensagem de Steve Jobs é muito boa: Só depois poderemos ligar os pontos de nossas decisões, e muitas vezes não sabemos aonde a vida vai nos levar. Portanto, não se desespere, e confie nas suas boas decisões. Mesmo que em retrospecto elas não lhes pareçam boa, ninguém sabe o que o mar trará para você na próxima onda.

 

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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