As orelhas dos acadêmicos famosos (na academia)

Um dos blogs que eu acompanho e até comento bastante é o do Christian Robert, Xi’an’s Og. Às vezes é tecnicamente árido pra mim e não entendo tudo que está lá não. Mas aprendo bastante.

E eu sabia que ele era um estatístico famoso e bastante respeitado, mas de algum modo não tinha me tocado que ele é o Robert dos livros de Robert e Casella. Apenas esses dias eu me toquei que o Chirstian Robert desse blog é o Robert e Casella (são dois autores). Quando eu fiz disciplina na estatística, os livros textos que eu usava eram do Degroot e do Robert e Casella.

Então, quando eu descobri que ele era esse Robert, eu fiquei meio assim, sabe, chocado. É como se você tivesse falando com o Francisco Buarque [coloque alguém que você admira aqui), e só depois você se ligasse que é O Francisco Buarque. O de Holanda. E eu comentava no blog dele quase como quem comenta num blog qualquer do Brasil. Eu até recomendei uma resenha na Amazon sobre um livro do Keynes de probabilidade que ele leu e comentou de volta no Blog dele. Mas na época nem fiquei tão feliz, porque não sabia que era esse Robert.

E por uns momentos eu fiquei meio assim de comentar no blog dele… Sem a naturalidade de antes. Mas agora já voltei ao normal, o choque já passou e tô agindo como antes. Até já fiz um comentário no último post dele.

Isso me fez lembrar de uma conversa que tive hoje na USP. A gente (da academia) tá tão acostumado com umas personalidades intelectuais que nem dá muita bola pra muita gente importante que vai falar lá na USP. Eu tive aula com a Marilena Chaui (quando ela ainda era midiática, isto é, antes do Mensalão), recentemente assisti a uma palestra do Przerworski, conheci o Delfim Neto numa palestra na FEA (atiraram um bolo nele e nós, que éramos do CA, levamos ele pra sala do Centro Acadêmicos e batemos um papo), e até mesmo entrevistei o Celso Furtado pro Jornal dos estudantes da FEA-USP. Então, hoje em dia nem fico deslumbrado mais. Porque no fundo, o deslumbre depende de uma visão de que há uma distância intrasponível entre você e o sujeito, e hoje em dia praticamente não vejo mais ninguém assim. Mas de repente eu tomo esse susto e descubro que ainda tem algumas pessoas que me intimidam um pouco e produzem um profundo respeito em mim.

Mas já já eu parto pra cima e mordo um naco da orelha dele*.

* Essa é uma refrência cifrada a um texto de um jornaliznho de estudantes da ECA-USP, chamado redemoinho, se não me enagana a memória. Havia uma edição desse jornalzinho, que me foi mostrada por um amigo que infelizmente faleceu uns anos atrás, o Satoru, e que continha um texto muito bem escrito, que eu não lembro muito mais sobre o que era. Tentei procurar na internet, mas nunca achei uma referência ao texto. Quem sabe na própria ECA ele ainda exista. Enfim, o texto comentava, pelo que me lembro, da atitude acrítica e deslumbrada de muita gente com o Chico Buarque e afins, lembrando que naquele momento o Caetano veloso dava opinião de trânsito no fantástico (!?). Porque, afinal de contas, o que raios o Caetano Veloso tem de tão especial para dar opinião de trânsito no Fantástico e se pretender ser ouvido por muita gente? E aí, bem no espírito antropofágico, terminavam falando que tinham é que tirar um naco da orelha do Chico Buarque, em referência ao Mike Tyson, que sem saber, tava sendo mais antropofágico ao moder a orelha do Holyfield do que a esquerda da época que se julgava ultra crítica, antenada e avançada.

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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