Belo Monte

Na minha time line do Facebook, o debate sobre Belo Monte tava quente umas semanas atrás. Teve aquele vídeo cheio de globais, que eu não vi. E depois teve uma crítica, que eu também não vi. Mas pelo que percebi, tudo parecia meio fora de lugar.

Eu sei que no debate eu estou atrasado, mas às vezes o atraso é bom. As paixões Às vezes nos cegam. E eu queria compartilhar com vocês essa entrevista, com o professor da USP Célio Bermann, sobre Belo Monte. Eu gostei muito, porque coloca as coisas como acho que tem que ser colocadas. Às vezes se cria uma falsa dicotomia, falsas questões, e o debate vai girando em torno dessas falsas questões. Para ilustrar, vi no Facebook alguém falando que iam gastar 3 bilhões em mitigações. Como alguém podia ainda reclamar? Mas é justamente isso. A coisa toda está errada. Deixa eu dar um exemplo. Aqui em São Paulo, o Serra, ainda governador, fez a expansão das marginais. E desmatou um monte de árvore. Aí, pra mitigar o impacto, ele plantou as árvores em outro lugar. E aí já começa o erro, mas tudo bem. Esqueçamos por enquanto. MAs sabe o que acontece? Onde ele plantou as novas árvores era onde havia vegetação. Então, a própria mitigação teve impacto ambiental! Mas é claro que a solução não é mitigar a mitigação. Só que as pessoas às vezes achama que é só uma questão de mitigar a mitigação.

Eu já me alonguei demais. Leiam a entrevista. É longa mas vale a pena. Eu deixo aqui uns aperitivos pra animarem vocês.

– Quando o senhor se desfiliou do PT?
Bermann –
Ah, quando o bigode do Sarney estava aparecendo muito nas fotos.

 

– Além de ser um modelo de desenvolvimento que prioriza a exportação de bens primários, sem valor agregado, é também um modelo de desenvolvimento que ignora o esgotamento de recursos. Enquanto tem, explora e lucra. Alguns poucos ganham. O custo socioambiental, agora e no futuro, será dividido por todos…
Bermann – Isso. Os recursos naturais são limitados. Por isso, no meu ponto de vista, a discussão do aquecimento global obscurece o entendimento da hidroeletricidade em particular. Ficamos às cegas. Para transformar o barro da bauxita naquele pó branco do alumínio, que depois é fundido através de uma corrente elétrica, é uma quantidade de energia enorme, absurda. Essa possibilidade você não vai conseguir com energia solar, com energia eólica. São processos produtivos que exigem a manutenção do suprimento de energia elétrica 24 por 24 horas. A solar não consegue fazer isso na escala necessária. Uma tonelada de alumínio consome 15 a 16 mil kilowatts/hora. Para se ter uma ideia, na média, o consumidor brasileiro consome, por domicílio, 180 kilowatts/hora por mês, o que é baixo. Nós ainda estamos vivendo uma situação muito próxima da miserabilidade em termos energéticos para a população. Nós temos uma demanda a ser satisfeita com equipamentos eletrodomésticos. Satisfeita não construindo grandes usinas hidrelétricas para as empresas eletrointensivas, mas para conseguirmos equilibrar a qualidade de vida, que se deve fundamentalmente a uma herança histórica: a de sermos um dos países com a pior distribuição de renda do mundo.

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
Esse post foi publicado em Manoel Galdino, meio ambiente, Política e Economia e marcado , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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