O que ando lendo

O Amor nos Tempos do Cólera, Gabriel Garcia Marquez. Terminei de ler o livro e é realmente muito bom. Mas eu fiquei com a impressão de que às vezes os personagens são um pouco inconsistentes. O narrador onisciente diz uma coisa na página 20, e lá na página 100 descobrimos que não era exatamente assim. Se fossem contradições do próprio personagem, tudo bem, mas do narrador onisciente? Pode ser que eu não tenha prestado atenção suficiente ao livro, na minha vontade de devorá-lo e tenha ficado com essa impressão. Até porque, o autor é o Garcia Marquez, e ele escreveu Cem Anos de Solidão magistralmente. Mas fiquei com essa impressão.

Orgulho e Preconceito. Jane Austen. Ainda estou lendo. É um livro admirável e muito agradável de ler. Eu já sei o final, pois vi o filme, mas isso não tira a beleza do livro nem as peripécias de uma história bem contada. Elizabeth é realmente admirável, pelo seu caráter e presença de espírito. Mas o livro é claramente uma história romântica, e é interessante fazer um paralelo entre Elizabeth e Eugênia, em Brás Cubas. Eugênia, vocês hão de lembrar, também (como Elizabeth) demonstra uma altivez e inteligência superiores, contra os preconceitos de classe que suporiam que em classes inferiores (sic) tais moças não deveriam existir.  Mas o desfecho, como sabemos, é completamente diferente. E é justamente o fato dela não se submeter ao capricho de Brás Cubas que sela o seu destino desfavoravelmente. Já Elizabeth conquista Mr. Darcy justamente pela sua altivez e impertinência. Que a história machadiana seja mais rica e interessante que o romance de Jane Austen não me surpreende e nem tampouco diminui o prazer de ler Orgulho e Preconceito.

 

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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3 respostas para O que ando lendo

  1. Maria Tereza disse:

    Cem anos de solidão é o meu livro preferido! Acho que vale a pena dar mais uma lida pra ver se a inconsistência está lá mesmo… Tenho um preconceito (rá!) enorme de Orgulho e Preconceito, justamente por ter visto o filme, achei tão sem salzinho que nunca tive vontade de ler o livro. Vale a pena? ou é mais ou menos aquilo mesmo?

  2. Ah, Cem Anos de Solidão está entre os meus preferidos, top 10 com certeza. Orgulho e Preconceito é meio como o filme mesmo, mas alguns personagens que pra mim foram meio enigmáticos no filme (como o pai de Elizabeth) são mais bem desenvolvidos no livro. É um leitura fácil e agradável, mas para mim o filem foi bem file ao livro (até agora pelo menos, pois li 3/4 do livro). Ah, gostei do seu blog.

  3. Paula disse:

    Não achei inconsistente O amor nos tempos do cólera. Senti que o livro é bem racional, mostra a realidade bem como ela é, sem fantasias, sem enigmas. Até consegui sentir o “cheiro das amêndoas amargas”. Quanto ao Orgulho e Preconceito, concordo que é agradável e romanceado, mas se pensarmos que àquela época um escritor retratava algo pouco usual para a rotina da sociedade, faz maior sentido. E foi esta mensagem que tirei do livro, sem contar a leveza da escrita para retratar os tabus e preconceitos da época.

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