O Modelo do Vôo do Ganso (do SPFC)!

Image

Sou formado em Economia, mas nunca trabalhei na área. Após muitos anos longe da universidade e sem nunca ter exercido nada ligado à carreira, recentemente cheguei à conclusão que os anos que passei na USP estudando Economia me servem para uma única coisa hoje: fazer analogias com as coisas do meu dia-a-dia. Não sei se isso é ruim ou bom, mas sou indiferente a esse julgamento.

Durante a faculdade de Economia, estudei um modelo de crescimento econômico que tenta explicar a industrialização da economia japonesa: o Modelo do Vôo do Ganso (“Flying Geese Paradigm”). Não seria um modelo lógico propriamente dito, mas sim uma maneira como os japoneses explicam o crescimento da economia japonesa pós-guerra (após a década de 1930), baseada na forte industrialização. Em termos de botequim (e da longínqua lembrança dos meus estudos de faculdade), o modelo se desenvolvia da seguinte forma: uma indústria líder, com mais tecnologia, mais lucratividade, com maior mercado e mais capacidade de desenvolvimento, torna-se a líder da economia e vai “puxando” uma série de outras empresas do mesmo setor, ou mesmo de outros, num ciclo virtuoso. As demais empresas se “espelham” na empresa líder, seguindo métodos de trabalho, produtos e vão também se desenvolvendo. E há um certo momento em que outra empresa cresce e se desenvolve tanto que acaba ultrapassando a empresa mais forte e passa a se torna a líder, impulsionando e servindo de exemplo para as demais empresas, como um ciclo. Por isso o nome de Vôo do Ganso, pois no vôo desses animais há sempre um líder que dita o ritmo da viagem e é seguido pelos demais, até o momento em que um outro ganso assume esse papel e conduz todo o grupo, incluindo o ex-líder.

Refiz todo esse caminho para fazer uma analogia com o Ganso, mas outro Ganso, esse do futebol. Há muito tempo, os meias armadores clássicos pararam de ser referência no futebol brasileiro e principalmente no São Paulo Futebol Clube. Pra ser sincero, não vejo isso com maus olhos, pois um time pode muito bem jogar sem um camisa 10, como um time inglês clássico, por exemplo. Mas dada a falta de comprometimento tático dos jogadores brasileiros, aliado à cultura enraizada de que futebol se joga com meia armador central, acredito ser impossível sair dessa maneira de jogar por aqui. E dentro desse contexto, o Paulo Henrique Ganso tem um papel de liderança, seja dentro do São Paulo F.C., seja como jogador da seleção brasileira. Ele poderá ser a referência central, o caminho a ser seguido por todos os demais jogadores que optam por essa posição ou mesmo por outros de outras posições. Quem sabe o Paulo Henrique Ganso não sirva para alavancar mais jogadores com esse estilo de jogo (que inclusive possam ultrapassá-lo) como no modelo econômico que leva também o seu nome…

Esse post foi publicado em futebol, Marcel, Política e Economia e marcado , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s