Manifesto em Defesa da Civilização

Eu nõa tinha visto esse manifesto em defesa da civilização, aparentemente do pessoal da economia da Unicamp.

Eu queria ter muito a dizer, mas achei o texto confuso. Vou me concentrar onde acho que está um dos pontos fundamentais do texto, e que não me convenceu nem um pouco:

no capitalismo, o inexorável progresso tecnológico torna o trabalho redundante. O exponencial aumento da produtividade e da produção industrial é acompanhado pela constante redução da necessidade de trabalhadores diretos. Uma vez excluídos, reincorporam-se – aqueles que o conseguem – como serviçais baratos dentro de um circuito de renda comandado pelos detentores da maior parcela da riqueza disponível

A começar pela premissa (o progreesso tecnológico é inexorável) que destoa com a conclusão (o trabalho se torna redundante). Vou explicar porque acho destoante. A premissa é claramente baseada em empiria sem teoria. Todos nós sabemos que historicamente houve muito progresso tecnológico no capitalismo. Mas houve também regresso, e seria importante definir conceitualmente o que é progresso e o que é regresso.  Além disso, não houve progresso tecnológico antes do capitalismo? Qual a peculiaridade do capitalismo (a veolicidade ou intensidade, talvez)? Em suma, falta teoria aí.

Mas isso não seria em si um problema, se a premisssa empiricista casual não redundasse numa conclusão teórica sem base empírica casual. Se é fato (supõe-se) que houve progresso tecnológicos nos últimos séculos de capitalismo, é fato também que: a população mundial aumentou enormemente, a taxa de desemprego se manteve mais ou menso estável com flutuações periódicas e/ou cíclicas, e a massa salarial aumentou absolutamente bastante.

Ora, é claro que se pode qualificar esses fatos estilizados e oferecer uma explicação de porque a tendência a tornar o trabalho redundante não se mostra facilmente empiricamente (aumento do mercado mundial, estado do bem-estar social etc. etc.). Mas o fato é que similarmente podemos criticar teoricamente a noção de progresso e mostrar porque o progresso é ilusório (o controle da natureza resulta em desastre ecológico, guerras com maior poder de matança, criação de novas drogas e alimentos danosos ao corpo humano etc. etc.). O curioso é que o manifesto coloque no mesmo argumento uma noção empiricista ingênua como premissa junto com uma noção teórica não-empírica para concluir que o capitalismo neoliberal não tem salvação.

Me parece que o objetivo é simplesmente defender o capitalismo desenvolvimentista. Mas como disse, o texto é confuso, e as coisas não são muito claras. Mas se for isso mesmo, achei pouco convincente – para ser polido – como eles tentam fazer isso.

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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