Yohane Sanchez, Cuba e Democracia

Enquanto espero uma base de dados bem grande ser carregada no R, um rápido comentário sobre Yohane, Cuba e democracia.

Eu estou lendo um livro, chamado The Restoration Game. O título do livro (spoiler?) refere-se à ideia segundo a qual, desde a revolução Russa, o que os capitalistas têm jogado é o jogo da restauração (de reaver as empresas expropriadas, voltar a ter os lucros que tinham antes etc. etc. etc.). Eu particularmente gostei dessa chave, de que no fim tudo não passou de um grande jogo da restauração e de que é esse o jogo que os EUA jogam com Cuba. Um jogo da restauração. E quem ignora isso nessa história toda da Yohane corre o risco, parece-me, de avaliar mal o papel de um dissidente no regime cubano.

Dito isso, parece-me que é preciso dizer com todas as letras que Cuba é uma ditadura e que a regra geral nesses casos é, se é ditadura, soy contra. Mais ou menos do mesmo jeito que faço com a Veja: se saiu publicado lá, soy contra.

Anda circulando por aí uma lista de perguntas para os esquerdistas perguntarem a Yohane. Mas têm perguntas aviltantes (“¿Cómo pudo casarse con Karl G. si ya estaba casada con su actual esposo Reinaldo Escobar?”), tem coisas ridículas (“¿Sigue pensando que “muchos escritores latinoamericanos merecían el Premio Nobel de Literatura más que Gabriel García Márquez”?”) e algumas perguntas boas (“¿Está usted a favor de la devolución de la base naval de Guantánamo que ocupa Estados Unidos?”).

Mas o ponto central, que parecem perder de vistas os que querem atacar a Yohane, é que ela é uma dissidente numa ditadura. Pouco importa, a bem da verdade, se os EUA, em seu jogo da restauração, vêem em Yohane alguém útil. Yohane é um indivíduo contra um governo repressor que obviamente vai recorrer à ajuda de quem puder ajudar, inclusive os EUA. Eu recorreria sem o menor pudor. E me causa espécie que a esquerda, que deveria ficar à favor da liberdade, não veja isso. Novamente, isso não significa entender que no xadrez da política mundial, o jogo dos EUA sejam o jogo da restauração. Claro que é e eu não tenho nem um pouco de simpatia por esse jogo. Mas tenho menos simpatias ainda por uma ditadura.

Por fim, há quem prefira dizer que se Cuba é uma ditadura, o Brasil também seria, ou mesmo os EUA. Eu acho que nesse tipo de afirmação há mais confusão que clareza, e que uma discussão produtiva requereria primeiro limpar o meio de campo. Mas como não tenho tempo, digo apenas o seguinte. A Venezuela é uma democracia. O Brasil é uma democracia. Os EUA são uma democracia. Cuba não. Pela liberdade, prefiro viver em qulauqer dos três primeiros paíse à Cuba.

 

 

 

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Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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