It seems that Chicago isn’t better than San Francisco after all

Attention Notice: O que segue é uma looonga crônica dos meus dias em São Francisco, pontuadas por interrupções da narrativa com meus pensamentos. De interesse para ninguém, provavelmente.

I arrived in San Francisco early in the morning. Às vezes eu acho que algumas frases têm de ser ditas em outro idioma. Pode ter um pouco de pedantismo nisso, confesso. Mas é mais uma questão de expressar com exatidão um pensamento. Ou mesmo como a palavra soa em português ou no outro idioma. Às vezes o inglês é melhor pra isso, às vezes não.

Mas como eu dizia, cheguei cedo pela manhã em São Francisco. Durante toda a viagem volte e meia me acometia um sentimento de solidão. Mas não foi uma viagem triste. Não sei descrever exatamente como me senti. Suponho que essa escrita seja também uma forma de me ajudar a entender meus próprios sentimentos, to make sense of the world. Deve haver uma maneira de dizer isso em português, to make sense of the world. Mas agora não me vem nada à cabeça. Suponho que essa inserção de palavras ou frases em inglês no meio do texto dizem mais da minha incapacidade de expressar em bom portugês o que quero transmitir do que qualquer novo estilo literário refreshing. Outra alternativa seria escrever tudo em inglês. Mas não apenas alienaria uma parte dos meus leitores do blog, como também impediria de empregar palavras e frases que ficam melhor em português do que em inglês. Mas creio que desviamos demais do caminho original desse texto e é hora de voltarmos a ele.

Antes de chegar em São Francisco eu passei pelo aeroporto de Houston. É difícil que um aeroporto seja um lugar marcante. Afinal, foi feito para que as pessoas passem e que nada fique. Mas me surpreendi ao ver uma loja da Fox News. Eu fiquei imaginando a aberração que seria, no Brasil, uma loja da Globo, SBT, Record… Já imaginaram isso? Caneca da globo, camisa da globo, caneta da globo! Fiquei imaginando uma camiseta com aquela frase comemorativa dos 25 anos da Globo, “25 primaveras juntos, junto com você“… no, thanks. It made me wonder though about what that meant about Americans… Mas como dizia, um aerorporto é hardly remarkable e isso foi tudo que levei de Houston.

Em São Fransico fiquei com as palavras de um amigo na cabeça, dizendo que Chicago era uma cidade melhor que São Francisco. E por mais que meu espírito contrarianista me fizesse discordar a priori, aquelas palavras ressoavam em minha cabeça e, não fosse pelo sábado, creio que teria sido essa a minha opinião. Mas não adiantemos as coisas.

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Cheguei na cidade, peguei o Bart – um trem que leva do aeroporto para downtown e outras cidades próximas. Dependendo do seu destino, você paga um valor maior ou menor num máquina que emite seu ticket. Ou seja, você escolhe quanto quer pagar, podendo mentir pra máquina – faz sentido isso, mentir pra uma máquina? – e pegar um bilhete que custe menos do que seu destino efeitvo supostamente deveria custar. Eu paguei o valor certo, esperei o trem chegar e embarquei para o Hostel. Na saída da estação Powell, onde desci, vi que tinha de inserir o bilhete na catraca de saída para poder sair. Ou seja, não se confia tanto assim na honestidade humana. E eu não sei o que aconteceria comigo se eu tivesse escolhido um valor errado. Mas paguei o valor devido e sai normalmente. Fui para o Hostel, me perdendo um pouco no caminho, mas logo cheguei. Meu check in era apenas às 2 pm e havia chegado por volta das 10 am, então deixei minhas malas no Hostel e fui passear.

Primeiro procurei o hotel da conferência que vim participar. Depois andei nas ruas próximas para conseguir andar por lá sem me perder. Quando chego numa cidade nova, eu gosto de o mais rapidamente possível ter uma sensação – ilusória – de que sei andar nela, de que consigo me localizar. Assim, eu andei até a Market street, uma das principais ruas de San Francisco – leva você ao centro financeiro da cidade, bem como à baía e ao ferry boat, fui até à baía, tirei umas fotos com meu tablet – meu celular, que era onde eu planejava tirar minhas fotos estava com a bateria descarregada e ficaria assim toda a viagem – e voltei pro Hostel, após um almoço rápido e ruim no Burger King. Eu realmente gostei da Market street. Talvez porque foi a primeira rua que encontrei quando saí da Powell station assim que cheguei à cidade, talvez porque andamos nela de bicicleta -sobre isso mais daqui a pouco -, mas eu gosto de acreditar que foi por causa do sotaque British com que uma atendente numa livraria que fui falou “Market street”. Eu não gostava muito de sotaque British, mas passei a gostar depos que a Paula morou na Inglaterra. Hoje, tudo que é British sempre me lembra os momentos adoráveis que passamos lá. Então, longe de casa, Market street com sotaque British soava como algo familar, ainda que inusitado de ouvir aquele sotaque em San Francisco, que parece tão longe da Inglaterra. Eis, talvez, porque eu vim a adorar andar pela Market street. Em minha cabeça, Market street se pronuncia com sotaque British.

Anyway, fiz meu check in, e pedi uma informação na recepção onde teria uma livraria com livros de matemática e ciência.  Eu estava atrás na verdade do novo livro do Nathan Yau sobre visualização gráfica, mas achei específico demais falar isso em meu pedido de orientação para achar uma livraria. A recepcionista me mandou para uma rua chamada Broadway com a Columbus avenue, e tive que subir umas ladeiras para chegar lá, passando por Chinatown antes. A livraria era really lovely, daquelas do tipo small business de quem gosta de livros. Infelizmente, porém, não havia a mais remota chance daquela livraria ter o livro que procurava. Foi quando perguntei à atendente onde poderia encontrar o livrto que estava procurando e ela me recomendou ir à Alexander Bookstore, na Market street. Com sotaque British. Talvea por isso tenha comprado um livro do George Orwell, um dos autores mais British que conheço, para dar pra Paula. Afinal, como mostram os psicólogos, nosso inconsciente é quem toma a maior parte das decisões em nossa vida.

Fui para a Market, mas não achei logo a livraria. Cheguei a perguntar a algumas pessoas que andavam por lá, mas obviamente ninguém sabia onde ficava essa livraria. But it’s a no wonder, afinal, eu estava no centro financeiro, e as pessoas do centro financeiro não saberiam onde ficava um livraria indicada por uma atendente de outra loja que tinha sotaque British. Finalmente achei a livraria após consultar o google maps. Ficava na second st. com a Market. Cheguei momentos antes da loja fechar e infelizmente não tinha o livro que procurava. Mas tinham outro do Nathan Yau e comprei memo assim, pois deve ser útil também.

Nos dias seguintes, quinta e sexta, passei a maior parte do tempo na conferência. No fim da tarde e à noite, comemos, bebemos, conversamos e fizemos algumas compras. O Alexandre era uma excelente companhia.

Mas foi no sábado que realmente mudei minha opinião sobre San Francisco. Eu estava achando a cidade cara e menos charmosa do que eu esperava em minha imaginação. As palavras do meu amigo pareciam se confirmar. Chicago era melhor que São Francisco. Mas nós tínhamos combinado de alugar uma bicicleta cada um para fazer um passeio até a famosa Golden Gate Bridge, aquela ponte vermelha com aqueles cabos de aço que vemos nos filmes e que é um dos cartões postais da cidade, e que São Paulo copiou porcamente com o estilingão em frente à Rede Globo.

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O Alê havia tentado fazer o passeio anos antes, mas não tinha dado certo. É um percurso longo e cansativo. As pernas doem e, principalemente, sua bunda e coxas ficam doendo de ficar pedalando por horas. Mas a vista maravilhosa, combinada com a sensação de superação do desafio, fazem com que o passeio ser indescritível. Como a ponte fica no topo de um hill, é um pequeno desafio subir até la de bicicleta sem desmontar dela no meio do caminho e ir empurrando-a. No meio do caminho há algumas paradas estratégicas, como o forte no pé da ponte e o Presidio, que não é um presídio no sentido de prisão não. Depois é chegar na ponte, pegando mais umas subidas íngrimes, e curtir a travessia. Minha sensação é que de carro não teria tido a mesma graça. Além de poder olhar com calma a vista, o tempo para cruzar a ponte é uma combinação ótima entre vagarosidade para apreciar a vista e velocidade para não ter impaciência pela demorar em cruzar a ponte. E você ainda pode controlar esse tempo com mais facilidade que à pé ou de carro, pois o ajuste na velocidade de locomoção é adequadíssimo à bicicleta. De um lado não tem carros atrás de você pushing you to be faster. De outro não é preciso correr como louco para aumentar o ritmo quando necessário.

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Depois de cruzar a ponte ainda há uma descida em que você deixa a bicicleta levar você à alta velocidade, só controlando com os freios. E então chegamos a Sausalito, uma bela cidade, aparentemente um balneário para ricos, mas também cheia de turistas que fizeram o mesmo passeio que você.  Extenuados, atracamos nossas bicicletas num bicicletário e sentamos num restaurante de frente para o pacífico, onde comemos um swordfish. Foi o Alê quem me alertou que havíamos acabado de comer um peixe-espada, algo que não tinha atinado, apesar do nome deixar evidente, swordfish.

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Pegamos depois um ferry boat de volta pra San Francisco, até o Fishermans Warfs, evitando assim muitas subidas no caminho de volta. Mas ainda tínhamos de pedalar uns 4 km para devolver as bikes. A loja a qual alugamos as bikes fechava às seis, e embora não tivesse problema deixar as bikes depois desse horário, queria entregá-las antes da loja fechar. Assim pedalamos um pouco mais rápido do que na ida, passando pela baía de San Francisco, depois pela Market até Mason street, onde ficavam o Hostel e a loja. Chegamos às 6 pm, just in time.

No final da noite estava novamente sozinho. Tomei um banho, arrumei minha mala para viajar de volta na manhã seguinte sai para jantar. Acabei num restaurante que tinha Jazz ao vivo e que eu estava namorando de entrar nele desde o primeiro dia. Creio que é redundante dizer Jazz ao vivo. Seria estranho um bar com Jazz gravado. Mas era assim que estava escrito, live jazz.

Há muito tempo que eu queria ouvir Jazz nos EUA. Sounds like the real America to me. Sounds like me, I guess. Meio intelectual, meio de esquerda. Enquanto eu estava lá, sentado, tomando uma coca-cola e ouvindo Jazz, fiquei a observar as pessoas. Um casal de meia-idade tiveram a ousadia de dançar. Foi bonitinho vê-los dançando. Parecia amor de verdade. Havia ainda outra mulher, de meia-idade, que chegou um pouco depois, sozinha. Sentou numa mesa perto de mim, virou a cadeira em direção aos músicos, não se sentiu bem acomodada, se levantou e foi pro outro lado, onde havia um sofá azul. Estava empolgada e arriscava ums remelexos com os ombros e até uns passos de dança. Mas ela estava sozinha. E, por alguma razão misteriosa desse mundo, se não é balada, se é um restaurante com música ao vivo, mulheres de meia-idade não dançam sozinhas. Eu pensei em chamá-la pra dançar. Às vezes é preciso coragem para nos libertarmos de algumas amarras invisíveis que nos impdem de sermos felizes. Pensei, pensei… e nada fiz. Me faltou a coragem. São essas coisas que eu acho que me acompanharam duranter a viagem e que falei no começo desse relato. Às vezes é preciso ter a coragem pra dançar num live jazz. Não é nada, não é nada, mas já é alguma coisa. E vivemos cheios desse “não é nada”. Mas eu fiquei apenas ali, sentado, curtindo a música no meu canto. Até que decidi ir embora. Precisava arrumar minhas coisas pra voltar pra casa no dia seguinte.

Agora estou no aeroporto de Washington, DC, esperando meu vôo de volta para São Paulo. Aqui também, como em Houston, há uma loja de rede de tv. Da CBS. E também uma loja com souvenirs com temas políticos. Uma das canecas mais engraçadas tinha os dizeres: “don’t blame me, I voted for Romney”. Nada mais justo. It’s Washington after all.

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Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
Esse post foi publicado em english, literatura, Manoel Galdino, orquídeas selvagens e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

5 respostas para It seems that Chicago isn’t better than San Francisco after all

  1. Rafael disse:

    Cara, quem quer saber de andar de bicicleta? Chicago all the way.

    Bacana o texto, parabéns.

  2. Pedro disse:

    Maceio, assim como “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, cada cidade tem seu charme. Mas aqui nos EUA SF e New Orleans talvez sejam as mais sigulares das cidades – e SF com certeza é DUCA. Não só a cidade em si, mas toda a história dos direito civis, a atmosfera e as pessoas da Bay Area. Entre Berkeley e Stanford, entre Google e Facebook, essa cidade vai marcando o nosso tempo além muito além de suas fronteiras. Agora pra vc, next stop: Seattle 🙂
    Abração

  3. Psico disse:

    Gosto muito do que escreve. E acho estranho o modo como aparece nas fotos. Mais Orwell que Campbell! 😉

  4. Tomas Bueno disse:

    Eu ia dar duas broncas. Uma pela coca-cola e outra pela dança. Mas se você tivesse tomado cerveja, não teria problemas pra dançar.
    De resto gostei do passeio de bicicleta. E do peixe-espada. Tem algum sabor diferente?

    “By the way” , comentar em blog é tão démodé. Rs.

  5. Neli Lima Pereira disse:

    Muito bom o texto, passa uma idéia da cidade e de seu passeio nela. Parabens.

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