As abobrinhas da biografia não-autorizada e censura

O tema da moda, agora, é a defesa da biografia não-autorizada. Quem é contra, defende práticas de regimes totalitários. Segundo alguns, só não temos o milagre da multiplicações das biografias não-autorizadas do maior quilate porque a lei proíbe. Sim, porque a gente sabe que a produção editorial brasileira é da maior qualidade e consumida aos montes, naquilo que a lei não proíbe. E quem sequer ousar questionar um pouco que seja esse consenso é um idiota.

Eu gostaria de colocar aqui, apenas, os vídeos abaixo, que contém entrevistas com o ator Pedro Cardoso. Nas entrevistas ele não fala de biografias. Mas fala sobre a indústria da fofoca, da celebridade, que quer ganhar dinheiro à custa de expor, sem autorização, a vida íntima das pessoas. A Princesa Diana, não nos esquecemos, morreu por causa dos ditos paparazis.

Eu lembro uma vez, que estava na FEA-USP, ainda estudante, e numa reportagem de algum veículo, tiram uma foto minha, sem eu saber, e colocam num jornal. Sem minha autorização. Pelo sagrado direito de liberdade de expressão, hão de dizer, esse veículo tinha todo o direito de usar minha imagem. Ao que eu respondo: não, não tem. Não estava em ato público, estava na minha vida de estudante, transitando pelos corredores. E eles não deveriam ter o direito de usar minha imagem sem minha autorização. “Ah, mas você é a favor da censura”. A censura é relevante na questão de se noticiar ou comunicar fatos públicos, ou para expressões artísticas. Se a NSA invade meu computador e quer publicar isso pro mundo, e eu ser contra isso é ser a favor da censura, então a gente tem definições muito diferentes do que é censura.

Isso não quer dizer que eu seja contra biografia não autorizada. Mas sou contra sim a exposição da vida privada de quem quer preservar a vida íntima e não a expõe ao público, não torna pública sua vida íntima.

Seguem os vídeos:

http://canalbrasil.globo.com/programas/espelho/videos/1272150.html

 

 

 

 

 

 

 

 

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Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
Esse post foi publicado em Arte e Cultura, Manoel Galdino, Política e Economia e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para As abobrinhas da biografia não-autorizada e censura

  1. Até que enfim… Texto sereno sobre algo que estão tentando transformar em tempestade. E mais: aqui é um espaço onde pude comentar sem precisar informar meu telefone, endereço e sem outras exigências. Muitos que estão publicando textos sobre “biografias não autorizadas” e falando em censura e em liberdade de expressão, impedem, tornam difícil ou moderam os comentários. Uai, esse procedimento não é censura? Hein?

    Cumprimento o autor do “blog” e deixo três frases-comentários para avaliação:
    1. Alguns defendem, com veemência, que pessoas públicas devem, sim, ser alvo de biografias não autorizadas. Por que, então, os biógrafos não escrevem sobre eles próprios ou sobre outros biógrafos? Afinal, qualquer um, mesmo os mequetrefes, tornam-se pessoas públicas tão logo “biografam” famosos. É ou não é? | 00656
    2. Se “biografias não autorizadas” rendessem apenas medalhas (e nenhum dinheiro ou fama) haveria certos tipos de biógrafos? Haveria? | 00649
    3. Depois de tudo o que li, vi e ouvi… Concluí: “biografia não autorizada” lembra aquele caso da pimenta. No “dos outros” parece apenas refresco, docinho, docinho! | 00646

    Abraços,
    Hh.

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