Educação no Brasil, Feynman e a Coréia do Norte

Lendo o artigo do Rufatto no El Pais sobre a educação no Brasil, me veio à cabeça um texto do Nobel de Física Richard Feynman sobre o ensino de física no Brasil nos anos 40 ou 50 (em inglês), e um artigo sobre o ensino de redação na Coréia do Norte (também em inglês). Estou sem muito tempo para elaborar, mas deixo aqui trechos dos três textos que pelo menos sugerem a relação entre eles.

Do Rufatto,

Este momento que vivemos no Brasil, de intolerância, de sectarismo, de fanatismo, deve-se à ausência de aprendizado do debate. Somos fruto de uma sociedade hipocritamente consensual, pouco afeita à discussão, com um viés autoritário. Ao invés de impedir a circulação de ideias no ambiente escolar devemos é promovê-la, ampliá-la, incentivá-la, pois a educação válida é aquela que nos capacita para o exercício da cidadania, única garantia para uma sociedade democrática.

Do Feynman,

I discovered a very strange phenomenon: I could ask a question, which the students would answer immediately. But the next time I would ask the question – the same subject, and the same question, as far as I could tell – they couldn’t answer it at all! For instance, one time I was talking about polarized light, and I gave them all some strips of polaroid.

(…)

After a lot of investigation, I finally figured out that the students had memorized everything, but they didn’t know what anything meant. When they heard “light that is reflected from a medium with an index,” they didn’t know that it meant a material such as water. They didn’t know that the “direction of the light” is the direction in which you see something when you’re looking at it, and so on. Everything was entirely memorized, yet nothing had been translated into meaningful words. So if I asked, “What is Brewster’s Angle?” I’m going into the computer with the right keywords. But if I say, “Look at the water,” nothing happens – they don’t have anything under “Look at the water”!

Do artigo sobre a Coréia do Norte:

I emphasized the importance of essays since, as scientists, they would one day have to write papers to prove their theories. But in reality, nothing was ever proven in their world, since everything was at the whim of the Great Leader. Their writing skills were as stunted as their research skills. Writing inevitably consisted of an endless repetition of his achievements, none of which was ever verified, since they lacked the concept of backing up a claim with evidence. A quick look at the articles in the daily newspaper revealed the exact same tone from start to finish, with neither progression nor pacing. There was no beginning and no end.

Como falei, não tenho muito tempo de elaborar a relação entre os três textos, mas imagino que a ideia está meio óbvia: querem piorar nossa educação, que é bem ruim tendo essa tradição muitíssimo bem descrita pelo Feynman, adicionando a tradição da Coréia do Norte, de acabar com o pluralismo e a ideia de fundamentar opiniões divergentes com argumentos e evidências.

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
Esse post foi publicado em Arte e Cultura, ciência, Manoel Galdino, Política e Economia e marcado , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Educação no Brasil, Feynman e a Coréia do Norte

  1. Gabriel Cepaluni disse:

    Grande Mané, não poderia concordar mais🙂

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