Crap

Em Teresina, vento frio e pálido
Tremelique, pileque, pastiche
Silêncio, gritava Antônio, calado
Condenado, murmurava cabisbaixa Alice
A que deu o azo?

shhhhhhhhh shhhhhhhhhh



Mais um minuto de silêncio
Cores, cores, mil cores
Quem ousa deixar de ser penso?

Pedes razão? Entendimento? Clareza?
Já vi que não entendeste nada deste mundo
Não há metafísicas. Não há Clarices
O significado não significa o que tu pensas
Este é o problema. Pensas demais.
Pensas que pensando o pensamento inteligirá o mundo
Mas não há pensamento no mundo.

Abraça a loucura
Não invente sentido para as coisas
Elas detestam sentidos. Gostam de partidos
Parte, quebra, toma e chuta. Faz.
Mentira! Como podem detestar se nem mesmo sentem?

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“Só muita torcida contra pode impedir uma pessoa racional de perceber como Dilma é favorita”

A Thaís Zara, uma colega dos tempos de faculdade (graduação), aparentemente escreveu um relatório, pela consultoria em que trabalha, em que faz algumas previsões sobre as eleições vindouras. Eu não li o relatório, então é difícil falar sobre o que não li, mas algumas passagens foram destacadas que me surpreendem um pouco. Eles dizem que

o cenário mais provável é a continuidade da mediocridade, do descompromisso com a lógica, do mau humor prepotente do poste que se transformou em porrete contra o senso comum.

Não me parece exatamente uma análise isenta. Falar de política ruim, equivocada, errada ou mesmo inconsistente acho ok. Mas que análise objetiva fala de “mau humor prepotente do poste que se transformou em porrete contra o senso comum”. Sério? Isso tem algum significado, além de mostrar uma raiva com a presidenta?

Mas o que me incomodou mesmo foi outro trecho destacado na reportagem. “Só muita torcida contra pode impedir uma pessoa racional de perceber como Dilma é favorita”. Será que eu não sou racional então? Ou talvez seja um problema de vocabulário apenas.

Novamente, não sei o que o relatório contém, mas acho que algumas perguntas são de ordem para falar dessas coisas. Em primeiro lugar, o que significa ser favorito? 60% de chance faz a Dilma Favorita? 70% de chance de vitória? 80% de chance? Talvez o relatório contenha esses números e o destaque foi dado apenas para o uso informal do termo favorito. Mas seria bom que a gente fosse um pouco mais rigoroso no uso de vocábulos, para definir melhor o que significa favorito. E seria bom também parar de acusar quem discorda dessas análises de irracional ou fazer torcida contra. Ora, nem torço contra a Dilma (minha inclinação atual é o nulo, mas acho que dificilmente posso ser qualificado como alguém que torce contra), nem pretendo aceitar que eles são racionais, e eu não.

Nas últimas eleições presidenciais americanas, houve um momento em que Nate Silver previu que Obama tinha 70% de chance de ganhar a eleição. E, no entanto, Andrew Gelman argumentou que, mesmo com esse nível de chance de vitória, a eleição era “too close to call“. Tanto quanto eu sei, nossos melhores modelos preditivos de eleições brasileiras estão, ainda, a anos luz da assertividade dos modelos americanos. Logo, nossas previsões devem conter muito mais incerteza que as previsões sobre eleições americanas, tudo o mais constante. E se com 70% de chance de ser eleito o Andrew Gelman ainda acha que ela seria too close to call, eu realmente quero saber o que significa ser favorito ou porque uma pessoal racional não acharia a Dilma favorita.

Eles dizem ainda sobre a eleição estadual em São Paulo que “[é] muito profunda a admiração do povo pelo seu governador discreto, muito enraizada a rejeição ao petismo para este quadro se alterar”. Eu confesso que gostaria de ler o relatório para saber quais são os dados e evidências empíricas que permitem um analista dizer que “é muito profunda a admiração do povo pelo seu governador discreto”. Fico imaginando uma pesquisa de opinião sendo feita: A sua admiração pelo governador de São Paulo é: Muito profunda, pouco profunda ou nada profunda? Deve ser uma revolução nos modos de fazer survey eleitoral. Eu nunca vi nenhum pergunta parecida que permitisse esse tipo de afirmação em análise de intenção de voto.

Novamente, se nós entendemos pouco sobre os determinantes do voto em nível presidencial, entendemos menos do nível estadual. Isso não quer dizer que não possamos fazer nossas análise, ter nossas opiniões nem fazer nossas apostas. Acho até natural achar que vai dar Alckmin. Mas contrastem esse tipo de afirmação com a análise do site Plano Político sobre as eleições estaduais. Nem digo que estão certos. Mas gostaria que quem faz análise política reconhecesse o caráter especulativo das análises e a incerteza que nós temos atualmente em nossas previsões. Algumas coisas parecem mais óbvias e são mais fáceis de se preverem, mas acho que podíamos prestar um pouquinho de atenção no que a ciência política tem a nos ensinar para termos um pouco mais de humildade em nossas previsões.

Eu, de minha parte, ainda acho as eleições de Dilma e Aclkmin too close to call. O que a ciência política tem nos ensinado, tanto no caso americano quanto em termos comparados é que, com tempo suficiente, o resultado eleitoral tende a convergir para os fundamentos.  Eu já falei sobre esse tema anteriormente, nas eleições presidenciais de 2010. Mas me parece que os fundamentos são ruins para a Dilma e também ruins para o Aclkmin*. Isso não quer dizer que acredito em determinismos econômicos. Mas é de se esperar que o mal desempenho em questões importantes como a economia e a água em SP tenham algum impacto no resultado eleitoral. Se serão suficientes para mudar os resultados, eu não sei. Ainda acho too close to call.

* eu tenho dúvidas, no caso do Brasil, qual o impacto do crescimento econômico medíocre mas com desemprego baixo.

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Esteira

“Você é cheinho!” Aquela frase ressoava em sua cabeça. Não é que fosse uma grande coisa, um drama mexicano. Não, nada disso. Era outra coisa.

Sempre se imaginou como uma pessoa magra. Desde sua infância sempre foi magrinho, e aquela frase foi como uma revelação, um desvelamento de uma nova realidade para ele. Quando criança, seu irmão arengava com ele dizendo que se um vento forte batesse o levaria. Uma vez, andando na rua, quis chutar um papelão no chão. Mas sem perceber com a perna esquerda pisou no papelão, enquanto a perna direita tinha sido levantada para trás com todo gosto para o impulso de um chute que faria o papelão voar longe. Seria um triunfo da força do seu chute. Já até vislumbrava o papelão voando pelo ar, quase como uma pipa bem empinada. Mas como o pé esquerdo pisara no papelão, o efeito foi que ele tropeçou no papelão estático e caiu no chão. Ralou-se, cortou-se e chorou como o menino chorão que era. Seu irmão, mais velho, não perdoou e mangou dele: “o vento derrubou ele, o vento derrubou ele” repetia, e quanto mais o seu irmão repetia, mais ele chorava.

Quando era adolescente, tinha vergonha de ficar sem camisa por ser muito magrinho. Sempre foi magrinho e meio fraquinho. As feições atléticas e coordenação motora não eram o seu forte, sabia disso. Era um magrinho meio desajeitado e seria um magrinho desajeitado pelo resto da vida. Quando por acaso foi chamado para o time de pólo aquático da escola, é verdade que se surpreendeu com isso. Fazer parte do time? Ele? Mas logo foi designado para goleiro, pois não nadava rápido nem tinha muito fôlego. Como era magrinho e tinha os braços longos, o técnico viu ali uma boa chance dele ser goleiro. Aceitou de bom grado, pois assim participaria do time. Um dia fez um treinamento na piscina usando peso de um quilo amarrado na cintura. Era muito mais difícil nadar e dar pernada. Porém, quando tirou o peso, sentia-se muito mais leve e conseguia jogar muito melhor. Até vislumbrou treinar todos os dias com o peso, para que na hora do jogo, sem o peso, seu desempenho fosse melhor. Poderia até virar goleiro titular do time desse modo. Mas rapidamente desistiu da ideia. Refletindo a respeito, concluiu que faltou uma orientação de alguém para lhe dizer a importância do esforço, dedicação e disciplina para conseguir atingir aquele objetivo.

Sim, sempre fora magro e se via como magro. Não tinha nada contra pessoas mais gordas. Só tinha uma auto-identidade de magro. Mas depois daquela frase, questionou-se sobre isso. A verdade é que  havia conhecido há poucos anos a maior parte das pessoas com quem convivia. Elas nunca o conheceram magro. Para elas, o natural é que ele fosse cheinho. Não era apenas uma fase passageira. Já eram quase 10 anos dessa fase passageira!

Por isso tinha começado a correr na esteira todos os dias. Trinta minutos todos os dias pela manhã. Trinta dolorosos minutos em que ele só pensava em desistir. Mas lembrava da frase, e xingava mentalmente quem a havia dito. E aquilo lhe dava forças, e assim conseguia completar os trinta minutos correndo na esteira. Estava feliz com aquele esforço e disciplina. Se perguntava como ainda não tinham  inventado uma pílula do emagrecimento melhor que o xenical. Aquilo era penoso e demorado. Mas a dor disciplina, pensou. É pela dor e pelo trabalho que adquirimos fibra e disciplina para alcançarmos nosso objetivos. Sermos melhor. Estava aprendendo isso, sem sombra de dúvida. Dava até para fazer um ensaio sobre isso. Sim, um ensaio. Podia até, quem sabe, publicar na Piauí. Bastava colocar umas referências filosóficas no meio, talvez alguma coisa do Daniel Khaneman, florear aqui e ali, e pronto. Teria um artigo publicável na Piauí. Não seria um artigo de auto-ajuda do nível da Men’s Health ou VIP. Não, seria um artigo do nível da Piauí.

Secretamente ele se perguntava porque a Piauí ainda não tinha convidado ele para escrever lá de vez em quando. Será que ele tinha que se convidar? Como será que o Alejandro tinha conseguido escrever na Paiuí? Alejandro, brasileiro radicado em Buenos Aires. tinha que usar umas palavras como “radicado” no artigo dele para publicar na Piauí. É óbvio que nenhum artigo na VIP tem a palavra “radicado”. Até já via seu mini-currículo: recifense, radicado em São Paulo.

Diante de tantos pensamentos prazerosos deitado na cama, o sono veio. Ainda teve tempo de um último pensamento grandioso: “a corrida na esteira faz a pessoa dormir melhor. Mais um benefício. Vou incluir isso no meu ensaio. Será um puta ensaio”.

Acordou no dia seguinte animado para correr na esteira. Decidiu ouvir apenas uma música no seu computador antes de correr. Ficou ouvindo Adriana Calcanhoto cantar “assim sem você”, de Claudinho e Bochecha. Depois ouviu de novo, e de novo e de novo. A preguiça só aumentava. Lembrou-se da necessidade de disciplina e dedicação… E resolveu ouvir a música só mais uma vez. Não correu na esteira aquele dia. Nunca mais correu na esteira em sua vida. Tempos depois publicou um artigo na VIP. Sem a palavra “radicado” nele.

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No. Try not. Do… or do not. There is no try

“Não. Não tente. Faça… ou não faça. Não há tentar”. Eis o que mestre Yoda disse a Luke em seu treinamento Jedi. A princípio parece não fazer sentido o que Yoda disse, afinal, para conseguir algo é preciso primeiramente tentar.

Mas eu creio que o que Yoda disse deve ser interpretado numa chave… agostiniana. Para Agostinho, não se tratava de entender para crer, mas crer para entender. O famoso (?) “credo ut intelligam” de Santo Anselmo, ou crer para entender (inteligir). Na filosofia da religião católica, uma questão sempre presente é o que fazer com os ateus. Dar provas a eles da existência de Deus? Convencê-los por meio de provas? Para Agostinho, é partindo da Fé que se entende, e não entendendo (vendo provas) que se acreditará. Partindo dessa chave, creio que Yoda pensa mais ou menos desse jeito. É preciso primeiro ter fé de que é possível se fazer algo, e não fazê-lo primeiro para só então acreditar que é possível.

Três outros filmes, creio, podem nos ajudar a entender ainda mais essa “filosofia”. No filme Gattaca, há uma cena (abaixo) em que o personagem do Ethan Hawke vence a disputa a nado com seu irmão, atleticamente superior, Anton. Ele então pergunta a Vincent (Ethan Hawke) como ele consegue. E ele responde: “eu nunca poupei energeia para voltar”.

Em Batman, Dark Night Returns, Bruce Wayne está no poço e não consegue sair de lá. Um outro prisioneiro então diz para ele:

- How can you move faster than possible, fight longer than possible without the most powerful impulse of the spirit: the fear of death.

(…)

- [make the climb] As the child did. Without the rope. Then fear will find you again.

Bruce poderia ou não conseguir fazer o salto. Mas sem a corda, não havia tentativa. Com a corda como proteção, era uma tentativa. Sem a corda, ou ele conseguiria, ou não conseguiria. Do… or do not. There is no try. Ele precisava dar um salto de fé (leap of faith), como no filme Indiana Jones.

Acredite para entender, acredite para fazer. Essa era a filosofia agostiniana, essa é a filosofia de Yoda. Não é de provas que a mente precisa para crer. É o fazer do corpo que trará a crença para a mente. Do or do not. There is no try.

 

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Música do dia

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Escopo Léxico e Lazy-evaluation no R

Como já falei aqui, vou dar um curso de R, e começa na semana que vem. Estou analisando o material que já tenho pronto e percebi que não tenho nada muito estruturado sobre escopo e lazy-evaluation no R. Acho que isso é importante e estou inclinado a gastar algumas horas do curso falando sobre o tema. Então, o que segue são algumas anotações não estruturadas, para mim mesmo, mas que eventualmente podem ser úteis para outras pessoas.

Segundo a wikipedia, o escopo é “um contexto delimitante aos quais valores e expressões estão associados”. Em outras palavras, quando fazemos um programa, o escopo determina o que faz parte daquele contexto e o que não faz parte. Por exemplo, quando pedimos para o computados avaliar x + 5, precisamos de regras que definam onde acharmos o valor de x. Essas regras definem como é formado o escopo da linguagem. Na prática, isso é importante para evitar, por exemplo, que variáveis com o mesmo nome em contextos diferentes gerem conflitos na execução do programa da parte do computador. E por isso é importante que o programador conheça como funciona o escopo da linguagem em que ele está trabalhando. Aqui nós temos um paper dos criadores do R sobre o escopo da linguagem.

Algumas definições devem ser introduzidas, para que possamos entender como funciona o escopo no R. Vou introduzir as definições a partir de um exemplo do paper citado acima. Considerem a função abaixo.

f <- function(x) {
y <- 2 * x 
print(x)
print(y)
print(z)
}

Na função acima, x é um argumento da função ou parâmetro formal da função, y é uma variável local (pois é criada e definida no interior da função) e z é uma variável livre (não é criada no interior da função). Quando formos rodar (avaliar) essa função, precisamos passar o argumento da função, por exemplo, f(10). A função então sabe que y é 20 e pode imprimir o valor de x e de y, mas não de z. O que as regras de escopo devem determinar é onde a função deve olhar para determinar quanto é x, y e z.  Se z não tiver sido definido fora da função no ambiente global, o R não conseguirá determinar o seu valor e, portanto, retornará o erro. Se vocês rodarem f(10), verão que o R imprime o valor de x, de y e retorna um erro para z. Se, por outro lado, criarmos uma outra função, g, definida abaixo, e rodarmos g(10), o R retornará apenas um erro.

g <- function(x) {
y <- 2 * x 
print(z)
print(y)
print(x)
}

Em computação, nós dizemos que o R tem lazy-evaluation, e não strict evaluation. Ou seja, o R só tenta executar um comando no momento em que ele é chamado. Ele vai executando a função sequencialmente e checando se encontra os valores necessários enquanto executa o código.  Assim, uma função como a do código abaixo pode funcionar perfeitamente em R:

h <- function (x) {
  y <- 3*abs(x) + 1
  if (y < x) {
    z <- minha_funcao_nao_definida_em_lugar_algum()  
  }
  return(y)
}

Como y nunca será menor do que x, o que está dentro do if nunca é avaliado, e a função não retorna um erro. Essa é uma lição importante, porque se o que queremos executar dentro de um if estiver errado, mas a condição do if for verdadeira apenas em algumas condições, podemos testar nossa função e nunca ver um erro, e no entanto encontrarmos algum erro numa utilização em produção.

Retornando ao escopo. Esse post discute as diferenças conceituais entre escopo dinâmico e escopo léxico (que é o default do R). Eu não vou entrar aqui nas minúcias conceituais das definições, mas vocês podem ler o post se tiverem interesse no tema. Mais interessante para entender a diferença entre os dois tipos de escopo é o exemplo do post, que reproduzo abaixo.

a=1
b=2
f<-function(x)
{
  a*x + b
}
g<-function(x)
{
  a=2
  b=1
  f(x)
}
g(2)

Leia o código e me diga, qual a resposta para g(2)? A resposta eu dou logo abaixo, mas deve ser óbvio (se você entendeu o código minimamente) que g(2) deve retornar 4 ou 5. No escopo dinâmico, g(2) retornaria 5, num escopo léxico, retornaria 4 (que é o do R). A razão para tal é que no escopo léxico, o escopo de uma função é definido pelo ambiente em que ela foi criada. A função f foi criada no ambiente global e, portanto, as variáveis livres ‘a’ e ‘b’ terão seus valores determinados globalmente (que é o ambiente onde f foi criada). Numa linguagem de escopo dinâmico, o que importa é onde a função está sendo chamada. Nesse caso, as variáveis livres teriam seus valores determinados primeiramente localmente, dentro de g e, apenas caso não existissem esses valores em g, procuraríamos no ambiente global. Vale notar, ainda, que se a f tivesse sido criada localmente em g, então g(2) retornaria 5.

As coisas começam, porém, a complicar quando temos uma f definida globalmente e uma f definida localmente. Vejam o código abaixo:

f<-function(x)
{
  a*x + b
}
 
g<-function(x)
{
  a=1
  b=2
  f<-function(x)
  {
    b*x + a
  }
  f(x)
}
g(2)

Nós temos uma f definida globalmente e uma f definida localmente. Quando chamarmos g, qual função ‘f’ o R executará? Meu entendimento é que, do mesmo jeito que definimos variáveis locais e livres, podemos pensar nas funções como sendo locais ou livres (também podem ser argumentos, mas deixemos isso de lado por ora). No exemplo acima, a f é definida localmente, e portanto não há necessidade de procurar em outro ambiente a f. No exemplo anterior, a f era uma função livre e, portanto, o R procurava no ambiente global pela função f.

Se é verdade que nós conseguimos entender como o R opera seguindo suas regras de escopo, nem sempre isso funciona. Os problemas de escopo no R foram ilustrados muito bem, eu acho, pelo Christian Robert no blog dele há algum tempo. Considere o código abaixo:

f <- function() {
if (runif(1) > .5)
x <-  10
x
}

O valor de x é aleatoriamente local e global! Se a condição do if for verdadeira, x recebe 10, se não, x é o que quer que esteja definido globalmente! Se x não estiver definido globalmente, é possível tanto obter um erro “error in f() : object ‘x’ not found” como o valor 10.

Pra terminar esse post. Se você realmente entendeu o que eu escrevi, então deveria ser capaz de responder às perguntas 2 e 5 desse quiz feito pelo Hadley (do pacotge ggplo2).

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Declaração de posição

Plagiando a galera, eis algumas posições minhas:

Maradona maior (mas não melhor) que Pelé.
Foi a Copa das Copas
Um dos principais problemas do futebol brasileiro é o gramado (a bola corre muito mais lenta)
Detesto jogador burro
A verdade é mais importante que a felicidade
O Império contra-ataca é o melhor episódio
O que o Bill Maurray diz pra Scarlet Johansson em lost in translation é o mistério mais importante do Cinema recente.
Caetano >>>>> Chico
Eu ouço e gosto muito mais de Chico
Eu juro que não acho o Philip Roth misógino
O pessoal deveria ler (e entender) o Rorty
O pessoal deveria ler (e entender) o Andrew Gelman
O Ikki >>>>> o Seya
O Batman humilha o Superman
O brasileiro é simpático, mas tenho dúvida se é generoso.
Com certeza, não pensa muito nos outros.
Não voto no PSDB nem fudendo.

 

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