Democracia Cognitiva, por Farrell e Shalizi

Leitores usuais do meu blog sabem que eu gosto bastante do que o Cosma shalizi escreve no blog dele. Talvez não saibam que gosto também do que o Henry Farrell escreve no the Crooked timber (gosto menos o que ele escreve no The Monkey Cage). Eis que Farrell e Shalizi escreverem um drat argumentando que democracia são superiores ao mercado e hierarquias para resolver problemas complexos. desnecessário dizer, é o que eu penso.

Ainda não tive tempo de ler tudo e com cuidado o texto deles, mas de pronto já o recomendo aqui para os meus leitores. Está em inglês, mas assim que tiver um tempo (pode demorar) eu tento fazer um resumo do argumento deles. Abaixo coloco um trecho do texto:

In this essay, we outline a cognitive approach to democracy. Specifically, we argue that democracy has unique benefits as a form of collective problem solving in that it potentially allows people with highly diverse perspectives to come together in order collectively to solve problems. Democracy can do this better than either markets and hierarchies, because it brings these diverse perceptions into direct contact with each other, allowing forms of learning that are unlikely either through the price mechanism of markets or the hierarchical arrangements of bureaucracy. Furthermore, democracy can, by experimenting, take advantage of novel forms of collective cognition that are facilitated by new media.

(…)

Lu Hong and Scott Page (2004) use mathematical models to argue that diversity of viewpoints helps groups find better solutions (higher peaks on the landscape). The intuition is that different individuals, when confronting a problem, “see” different landscapes — they organize the set of possible solutions in different ways, some of which are useful in identifying good peaks, some of which less so. Very smart individuals (those with many mental tools) have better organized landscapes than less smart individuals, and so are less likely to get trapped at inferior local optima. However, at the group level, diversity of viewpoints matters a lot. Page and Hong find that “diversity trumps ability”. Groups with high diversity of internal viewpoints are better able to identify optima than groups composed of much smarter individuals with more homogenous viewpoints. By putting their diverse views together, the former are able to map out more of the landscape and identify possible solutions that would be invisible to groups of individuals with more similar perspectives.

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O absurdo que é o direito autoral

Leitores antigos sabem que eu sou contra as patentes. Mas talvez vocês não saiabm que sou contra também o direito autoral. E deveria qualificar essas afirmações, para que vocês possam entender exatamente em que sentido sou contra o direito autoral – para muitos, é o direito autoral que permite licenças Creative Commons, GPL e afins.

Mas eu não tenho tempo pra entrar em nuances agora. O que quero mesmo é linkar para esse absudo, que encontrei no site de perguntas e respostas programmers statexchange. Pra resumir, alguém encontrou um código na internet com uma função que computa o mínimo de dois números, e está na dúvida se, ao copiar verbatim o código da função, estaria infringindo os direitos autorais do código.

Leiam as respostas e vejam a história (não sei se verdadeira, pois é absurda, mas como o mundo é absurdo…) de que programadores da Microsoft são proibidos de olharem em códigos open source para evitar problemas legais de violação de direito autoral de licenças GPL.

Eu só fico aqui pensando com os meus botões: será que as pessoas não conseguem ver que um sistema legal que gera tais incentivos está completamente errado.

Update: As cores de bits. Texto maravilhoso sobre as cores dos bits (sim, tem a ver com direito autoral). De interesse, presumivelmente, se você se interessa ou por direito autoral ou por programação.

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Marx

Foi aniversário do Barbudo, e temos dois excelentes textos no Amálgama sobre ele. Um é uma resenha do Celso Barros, do falecido (interinamente?) blog NPTO, de um livro organizado pelo José Paulo Neto, e um texto de um tal Lanchester, traduzido pro português, que achei um dos melhores texto que li relacionado ao Marx nos últimos tempos.

Então, fica aqui a recomendação de leitura de ambos os textos. E parabéns para o Barbudo.

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No ônibus

Um micro conto…

Aperto tão grande, mas tão grande, que ele descobriu, apesar do clichê, como uma sardinha deve se sentir na lata de sardinha.

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Power-law distribution and the right question

I really didn’t like this article at Forbes. I agree with the main line of the article, but not with one of the reasons to support the main argument. The central thesis is that it’s not enough to know math and statistics. You need to have contextual knowledge, sou you make the right questions. Fair enough.

However, one evidence that the article brings is that most of stuff measured by humans are power-law distributed, a realm where Central Limit Theorem doesn’t apply. The funny thing is, he’s technically correct, but probably asked the wrong question (which is the whole point of the article). Take a look at a paper linked on this blog post, if you’re interested about when power-law distribution do occur. But if you want to skip the details, I’ll summarize for you, and it’s pretty simple.

Roughly speaking, the Central Limit Theorem says that, if you add up several (independent) measures, the mean of this measures is Normally distributed (the Bell curve). Now, if some phenomenon is the result not of the sum of several components, but say, the multiplication of several components, the Central Limit Theorem will fail. However, in cases like that, we always have the logarithm. Remember that log (x*y) = log x + log y. So, using log, you get additivity out of multiplication! And we get back to the Central Limit Theorem.

And that’s the reason why some distributions, which seem to be a power-law distribution, are in fact log-normally distributed (yep, the log here is due to the logarithm, and the normal here is due to the central limit theorem).

So, the take-home point is: ask the right question, but sometimes, to ask the right question, you first need to know the technical details (aka, in this case, math and statistics).

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Ciência, com C maiúsculo

Outro dia, conversando com dois jovens pesquisadores (pós-graduandos), eles disseram que ainda querem mudar o mundo. E eu recomendei a eles superarem isso logo.

Não é que eu seja cínico. Pelo contrário, acho o cinismo algo detestável e mesmo perigoso. Também conheço todo aquele papo de teoria crítica (em oposição à teoria tradicional). Meu ponto não era, e não é, que a gente não deve querer mudar o mundo. Mas é que, em geral, quando a gente quer mudar o mundo, a gente mais atrapalha do que ajuda, pelo menos no caso da ciência, ou melhor, em se tratando de pós-graduandos.

Como disse o Cosma Shalizi em um contexto completamente diferente, mas que é mais ou menos apropriado aqui, esse tipo de expectativa:

It is going to set the field back by years. On the one hand, scientists in other fields are going to think we’re all crackpots [...]. On the other hand, we’re going to be deluged, again, with people who fall for this kind of nonsense. I expect to have to waste a lot of time in the next few years de-programming students who’ll have read [...] before knowing any better.

A primeira e maior característica que um cientista não pode perder é o espírito crítico e a busca pelo rigor. Muitos dos trabalhos feitos por pessoas que querem mudar o mundo, infelizmente, é cheio justamente de espírito acrítico e falta de rigor. E os pós-graduandos que embarcam nessa canoa furada de mudar o mundo acabam justamente não aprendendo a serem rigorosos ou terem o espírito crítico.

Para não ficar na abstração completa, vou dar um exemplo. Em minhas pesquisas eu estudei legislação de patentes. Os leitores do meu blog sabem que eu sou completamente contrário às patentes. Porém, eu evitei em meus trabalhos gastar meu tempo tentando provar que as patentes eram erradas. Porque, embora eu acredite nisso, eu sabia que eu perderia o espírito crítico e o rigor na busca por condenar as patentes. Eu não examinaria as evidências com a criticidade necessária. E mesmo assim, todos aqueles que concordam comigo louvariam meu trabalho por argumentar na “direção certa”. E no meu doutorado, eu precisava aprender a fazer pesquisa com rigor e com espírito crítico.

Como acadêmico, eu terei muito tempo para estudar e defender argumentos que eu acredito que podem melhorar o mundo. Mas como pós-graduando, que estava aprendendo a aprender a pesquisar, eu precisava antes de tudo adquirir o treinamento de analisar rigorosamente e criticamente argumentos e evidências.

Há é claro um risco de seguir esse caminho, que é terminar onde a Economia terminou, na maior parte dos casos. Aquilo que Sheldon Wolin, num artigo muito bom, mas pouco lido por “metodologistas”, chamou de metodismo. Como ele nota,

This is but to say that there are inherent limits to the kinds of questions which the methodist deems appropriate. The kind of world hospitable to method invites a search for those regularities that reflect the main patterns of behavior which society is seeking to promote and mantain.

Então, não é que eu defenda algo como o metodismo criticado por Wolin. Eu sei bem onde vai dar esse metodismo, e eu saí da economia (e nunca quis voltar) fundamentalmente por causa desse metodismo. Mas é preciso ter ciência do risco oposto, que eu delinei acima, e que a maior parte dos pós-graduandos entra precisando ser de-programado. Ele precisa saber mais, e escolher seu próprio caminho após a pós-graduação. Mas certamente não é nem conhecendo um único caminho que ele atingirá o que o um cientista normalmente busca (ou deveria buscar) um conhecimento maior do mundo.

 

 

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Jogos Bayesianos e análise Bayesiana

Eu já vi várias vezes algumas pessoas argumentarem que economistas usam jogos Bayesianos, mas analisam os dados de forma frequentista, e que isso seria uma contradição, dissonância cognitiva, ou algo assim. Eu sempre torci o nariz para esse tipo de crítica. Sou Bayesiano, mas não acho que esse tipo de argumentação é muito válida.

Eis então que o Gelman comentou sobre isso e eu concordo 100% com ele no assunto. Como  eu não diria melhor do que ele disse nesse assunto, apenas repasso o link para quem quiser saber porque não concordo com esse tipo de crítica aos economistas.

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