Dreams, via XKCD

Sem mais…

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Adorno e o Carnaval

Dois links, o primeiro leva a um texto comentando um trabalho de Adorno sobre a astrologia, com reflexão muito interessante.

E um trabalho arqueológico já antigo do Diego, sobre marchinhas antigas de Carnaval.

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Observações rápidas sobre a política brasileira nas últimas horas

Algumas observações rápidas sobre o que está acontecendo no país:

  1. Hard-working é importante. Eduardo Cunha, que está destruindo o país e jogando a Câmara dos Deputados na lama, estudou o regimento e as leis e as utiliza habilmente para manobrar e obter algumas vitórias. Elas são no geral completamente sem ética e contrárias ao hábito da casa, mas são fruto de alguém que gastou o tempo se preparando. Cabe à esquerda fazer esse dever de casa para não ser mais surpreendida.
  2. O Cunha está enfraquecendo nossas instituições, desmoralizando-as e levando muita gente nessa espiral. É preciso evitar ser tragado pelo que Fernando Limongi chamou de método Cunha. Para isso a sociedade brasileira e as elites políticas precisam se mobilizar para retirá-lo o mais rapidamente possível do poder.
  3. A crise está meio rocambolesca e sempre tem uma novidade, mas para analisá-la é preciso respirar e saber que as coisas são provisórias e não dá para ter muitas certezas.
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“Rótulos”, racionalidade e heurística

Participei nesta semana de duas discussões diferentes, e no entanto em ambas criticaram nossa tendência a rotular as pessoas. O argumento é em geral mais ou menos assim: rótulos são reducionistas, categorizam as pessoas, impedem uma comunicação efeitva, dão margem a pré-conceitos etc. Por sorte ninguém da discussão citou Kahneman e cia., e os resultados dos estudos sobre nossos vieses cognitivos.

Mas eu me lembrei dessa citação, que vi no blog do Gelman uma vez:

The “half-empty” versus “half-full” explanation of the differences between Kahneman and us misses the essential point: the difference is about the nature of the glass of rationality, not the level of the water. For Kahneman, rationality is logical rationality, defined as some content-free law of logic or probability; for us, it is ecological rationality, loosely speaking, the match between a heuristic and its environment. For ecological rationality, taking into account contextual cues (the environment) is the very essence of rationality, for Kahneman it is a deviation from a logical norm and thus, a deviation from rationality. In Kahneman’s philosophy, simple heuristics could never predict better than rational models; in our research we have shown systematic less-is-more effects.

Pegando o gancho da citação, implícito nessa crítica “absolutista” aos “rótulos” está a ideia de racionalidade lógica, e a rotulagem é um desvio que levaria a resultados inferiores ao emprego de uma visão racional.

Porém, se pensarmos do ponto de vista da racionalidade ecológica, ou seja, como diz Gigerenzer, a racionalidade de match entre heurística e ambiente, o rótulo pode ser muito eficiente em permitir a comunicação das pessoas, facilitar a ação coletiva, estabelecer um commong ground etc.

Veja que, quando eu me identifico como de esquerda, isso permite estabelecer vários common grounds que facilitam a comunicação, pois vários pressupostos são (supostamente), compartilhados. Do mesmo jeito quando alguém se afirma negro, feminista, trans-gênero etc. É claro que os rótulos podem sim dar margem à confusão, quando há um mismatch entre a heurística e o ambiente. Mas solução não é almejar uma racionalidade impossível, sem heurística, mas adaptar a heurística ao ambiente. Quando Rorty dizia que é preciso redescrever o outro, para criar solidariedade, creio que funciona bem se interpretado nessa chave de racionalidade ecológica.

Aliás, a falha em entender a racionalidade ecológica é que leva muita gente a criticar as simplifações de discursos da política. Elas não entendem que a simplifação e o encaixe de rótulos é uma forma eficiente (cognitivamente, em termos computacionais) das pessoas absorverem informações complexas sobre políticos e partidos. Aliás, um dos problema de termos muitos partidos é que uma das funcões deles, qual seja, reduzir o esforço cognitivo na hora de escolher em quem votar, não é bem feita, pois é difícil diferenciar os partidos no espectro ideológico.

 

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Random Thoughts on Trust and Transparency

Secrets undermine trust. And yet, the demand for transparency comes from no other place than lack of trust. To trust is to accept the opacity, lack of transparency, of the other. Thus, it seems that there can be no trust without transparency, and yet trust implies acceptance of lack of transparency.

In personal relations, we need to start with trust, because the stranger is almost 100% opaque. As the stranger gets familiar, our trust increase, because we know more. The other is more transparent. But, then, we accept some opacity, because we trust.

In society, where relation is with many, there can’t be enough familiarity with everybody to ever trust. At least, not a trust based on knowing well the other. Then, the demand for transparency. So, relationships with the many start on transparency, not on trust.

That a lot of people mixes the public with the private is not a surprise.

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A altivez da subserviência

O episódio é conhecido. Brás Cubas, diante da altivez de Eugênia, fica incomodado. E, no capítulo das borboletas, busca se reassegurar que  é superior. “Pois um golpe de toalha rematou a aventura. Não lhe valeu a imensidade azul, nem a alegria das flores, nem a pompa das folhas verdes, contra uma toalha de rosto, dous palmos de linho cru. Vejam como é bom ser superior às borboletas”.

Lembramos do episódio a propósito de uma carta, de José Veríssimo, a Lima Barreto, sobre o livro “Recordações do escrivão Isaías Caminha”.

“Há nele [no livro], porém, um defeito grave, julgo-o ao menos, e para o qual chamo a sua atenção, o seu excessivo personalismo. É pessoalíssimo e, o que é pior, sente-se de mais que o é. (…) A sua amargura, legítima, sincera, respeitável, como todo nobre sentimento, ressumbra demais no seu livro, tendo-lhe faltado a arte de a esconder, quando talvez a arte o exija. E lhe seria mais altivo não a mostrar tanto”.

Sabe-se que Lima Barreto, negro, passou pelas agruras de o ser no Brasil do início do século XX — algo que lhe marcou a obra, sendo “Recordações” um de seus melhores exemplos.

Possivelmente exageramos, mas cremos ser uma chave boa para pensar o Brasil de hoje. No filme “Que Horas Ela Volta”, o problema nem é tanto a mobilidade social das Jéssicas. Mas a altivez delas. Altivez que se confunde com  “petulância”,  para usar palavra escolhida por um dos principais críticos de cinema do país para descrever a personagem. A única altivez suportada seria a de reconhecer o lugar de subserviência, como Val.

Pondo Machado de Assis, Lima Barreto e Anna Muylaert em cena, a conclusão é óbvia: dois séculos um século e meio depois, a altivez do periférico ainda incomoda o Brasil ilustrado.

ps.: escrito por mim e Natália.

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Dois links e um vídeo sobre educação (em inglês!)

O grande físico Feyman, falando sobre educação no Brasil, por volta dos anos 50.

Uma estudante de Princeton que está passando um ano no Brasil compara a PUC-RIO com Princeton.

Um vídeo de um professor de física de Harvard falando de como ele descobriu que seus alunos não aprendiam de fato física.

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