Análise tática do jogo

A Alemanha massacrou o Brasil coletivamente. Não há o que discutir em cima disso. Mas gostaria de destacar algumas coisas:
1. o primeiro gol saiu em falha individual do David Luiz.
2. o Segundo gol saiu em falha de posicionamento do sistema defensivo e falha individual do Fernandinho, que tentou dar o bote e errou. Vejam os prints screen abaixo:

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O Jogador da Alemanha está na lateral e toca a bola no meio, próximo de onde está o Juiz. Fernandinho erra o bote e ele fica livre pra pensar e fazer a jogada. Dante sai para marcar o jogador que recebeu a bola no meio, e ele consegue tocar pro ponta que entrou na área entre o Marcelo e o Luiz Gustavo.

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Ao receber a bola marcado pelo Marcelo, o jogador alemão do meio (Klose) ficou sozinho para concluir. Nem Dante, nem Fernandinho, nem David Luiz, nem Luiz Gustavo acompanharam.

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De verdade, um deles tinha que ficar no meio marcando a sobra e o Alemão que estava por lá. Mas os demais tinham que ter acompanhado o lance. Ficaram apenas olhando a conclusão da jogada, ao invés de continuarem a marcação.

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3. No terceiro gol (abaixo), reparem na disposição dos times. A Alemanha tem 3 jogadores à frente da bola e mais o Toni Kros chegando (que é quem vai fazer o gol) e o jogador com a bola, totalizando 5 jogadores. O Brasil tem 7 jogadores atrás da linha da bola, com Marcelo, Dante, David Luiz e Maicon formando uma linha de quatro.

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Hulk e Luiz Gustavo, contudo, estão mal posicionados. Não marcam ninguém nem estão em posição de interceptar seja o passe na ponta, seja o passe no meio, pro jogador que está livre. Às vezes, mesmo sem colar em alguém, a ocupação inteligente de espaços impede os passes e, portanto, a construção de jogadas. Não é o caso nesse lance. E Bernard olha pro lado, ao invés de tentar acompanhar o Toni Kross (reparem que o Oscar acompanha de perto um jogador).

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O Jogador Alemão cruza bola pro meio. Fernandinho (que estava marcando dois) corre em direção a bola. O Alemão fura e ela sobra para Kros sozinho chutar pro gol. Dante e Luiz Gustavo são inefetivos no lance. Não marcam ninguém nem servem para interceptar passe algum. Como David Luiz tinha Maicon na sobra, Dante não precisava ficar a li. Ele podia ter ido marcar o jogador que Fernandinho tentava marcar. Se ele fizesse isso, Fernandinho poderia ter marcado o Toni Kros. Ou ainda, se Bernard tivesse acompanhado Kross, a bola não sobraria limpa para ele. Por fim, se Luiz Gustavo tivesse mais bem posicionado no lance anterior, teria chegado perto do jogador Alemão e Fernandinho poderia marcar Kros no meio. A Falha de posicionamento de 3 jogadores torna inúteis a superioridade numérica no lance.

4. O quarto gol foi falha do Fernandinho (e de certa forma do Dante, que deu um passe meio na fogueira), que perdeu a bola e deixou a zaga exposta.

5. O quinto gol já é fruto do desespero e desobediência tática total. Um jogador alemão vem sozinho com a bola e dois jogadores tentam ganhar a dividida com ele. O erro aí é do David Luiz, que deixa o seu marcador livre, já que Luiz Gustavo, que não marcava ninguém, estava indo na bola. Era pro David continuar no marcador dele. E quem recebe a bola? Justamente aquele jogador que o David deixou livre. Mas aí já era desespero…

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Com o erro do David, ficou um jogador Alemão a mais do que brasileiro. Ah, detalhe do Maicon tentando deixar o jogador Alemão impedido. Isso mostra dessincronia (falta de entrosamento) da defesa brasileira. Mesmo que a bola fosse no jogador do Maicon (não foi), Marcelo daria condição. E como David Luiz tentou antecipar, Maicon ficou vendido no lance, incapaz até de fazer a sobra do David Luiz.

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Qual a conclusão dessa análise? Que a Alemanha não tem nada a ensinar ao Brasil, pois os gols saíram por erros individuais e alguns coletivos de posicionamento que teoricamente nossos jogadores saberiam evitar (fruto do desentrosamento do Dante com o sistema Defensivo, por ex.?)? Na verdade não. Em quase todos os lances, a origem do gol começa com um alemão com espaço no meio de campo, com tempo para pensar e decidir. No futebol moderno e contra grandes times, esse pecado é mortal. Esse, em minha opinião, o maior erro de Felipão. Perdemos o meio de campo e demos muito espaço para os jogadores entrarem de cabeça erguida, sozinhos, com espaço para pensar e criar. Nem no futebol brasileiro os nossos times marcam tão mal.

Com esse espaço todo, perderíamos mesmo com Thiago Silva e Neymar. Com um pouco mais de azar do time alemão nas finalizações, perderíamos não de 7, mas de 3 ou 4. O acidental e a pane explicam os erros defensivos, mas não a liberdade no meio para fazer os gols.

Sobre Manoel Galdino

Corinthiano, Bayesiano e Doutor em ciência Política pela USP.
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